Não fosse a imprensa, corrupção teria afundado Dilma Rousseff

Pedro do Coutto

Acredito que o título acima seja a melhor síntese do panorama político visto neste primeiro tempo do governo Dilma Rousseff. Bateu o recorde. Em menos de doze meses, seis ministros demitidos, cinco por corrupção desencadeada sem limites. Demais. Dose para dinossauro, Não foi por acaso que setores, senão corruptos, comprometidos com a corrupção, até pelo silêncio na fronteira da conivência, tentavam partir para um esquema de censura disfarçado de controle da mídia. Impossível. Não fosse a mídia, a presidente da República certamente teria afundado.

Ficou claro como água da fonte que a oposição ao governo localiza-se na corrupção e nas investidas dos muitos corruptos. Se ela não se livrasse de tais ladrões do dinheiro e do patrimônio público, seria inevitavelmente tragada pelos eternos falsos amigos, falsos aliados, bajuladores que, cada qual à sua maneira, procura sempre infiltrar, como no filme de Scocerse, e partir, primeiro para o tráfico de influência, na etapa seguinte para o roubo direto. Não têm limite tais personagens que pertencem aos bastidores da política e se movimentam nas sombras do poder.

O pior é que geralmente são aceitos e cultivam a intimidade que conseguem alcançar. Iludem muito até que, em dado momento, descobrem a verdadeira face e exageram. Quanto mais tempo custar que sejam identificados, maior o prejuízo. Sobretudo o prejuízo moral. Porque conviver com ladrões e percentauros não é nada fácil. Ao contrário. São seres intoxicantes. O impulso de fraudar e roubar está em seus olhos, em sua face, na expressão diante dos diálogos, na sua alma. São perigosíssimos, homens e mulheres que penetram pelas brechas da oferta e da sedução.

Dilma Rousseff reage mal ao roubo. Fez bem em demitir os acusados. É por causa desses hediondos desonestos que falta tudo nos hospitais públicos. É por causa desses imundos que falta educação, as escolas estão caindo pelas tabelas, os professores ganham muito pouco. É por causa desse bando avassalador que falta saneamento básico, o analfabetismo continua alto, o transporte não avançam na proporção do crescimento da população, e os policiais e bombeiros têm vencimentos ínfimos.

Os ladrões inclusive não se esgotam na esfera federal. Não. Nada disso. Proliferam também nos planos estaduais e municipais.Atrás de cada porta do poder existe sempre um assaltante disfarçado de dinheiro público. Às vezes são reles personagens. Às vezes são ladrões de casaca. Estão em toda parte. Ocultam-se atrás dos copos dos almoços e jantares, atrás das flores que enfeitam o ambiente. Muitos emergem à tona, outros se mantêm submersos.

E assim as coisas caminham nas esquinas que dividem o processo e o sistema. É preciso percepção triplicada.Exatamente neste ponto é que entra a imprensa. Caso Palocci. Caso Alfredo Nascimento. Caso Wagner Rossi. Caso Pedro Novais. Finalmente o escândalo Orlando Silva. Todos acusados frontalmente, todos exonerados, mas nem todos ão denunciados à Justiça pelo Procurador Geral da República. Indícios e sintomas não faltam.

 Uma vergonha para o Brasil. Falei em imprensa e acentuo: a escrita que atinge em cheio a opinião pública, com reflexo na sociedade em geral. São quatro as fontes que expressam a revolta: Folha de São Paulo, O Globo, O Estado de São Paulo e a Revista Veja. Dilma Rousseff deve agradecer à imprensa e aos jornalistas. Sem eles, teria afundado num pântano. A corrupção é a sua grande inimiga. A verdade e sua interpretação estão a seu lado. A grande diferença aí está.

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