Não há novidades no caso Lupi. As denúncias são antigas, já eram conhecidas.

Carlos Newton

Como aconteceu com o então ministro do Esporte, Orlando Silva, também no caso do ainda ministro do Trabalho, Carlos Lupi, as notícias sobre irregularidades no repasse de verbas a organizações não-governamentais são antigas, já foram mais do que divulgadas, mas o governo Lula Rousseff mais uma vez preferiu manter o ministro.

Em função das denúncias, basta lembrar que, somente em Sergipe, a Polícia Federal abriu 20 inquéritos para investigar quatro entidades que receberam R$ 11,2 milhões, e a própria Controladoria Geral da União (CGU) também aponta fortes indícios de desvio de dinheiro em convênios com 26 ONGs em vários estados, em contratos para “formação de mão de obra”.

A única novidade é a revelação de que servidores do ministério cobrariam propina para fazer processos das ONGs andarem, o que já era de se esperar, tal a gravidade das denúncias antigas, pois não existe corrupção sem corruptos e corruptores.

Assim como os cinco outros ministros afastados, Carlos Lupi também diz que é inocente e não pede demissão. Depois que a revista “Veja” noticiou que servidores do ministério cobrariam propina para fazer processos andarem na Pasta, Lupi afastou o assessor especial Anderson Alexandre dos Santos, coordenador-geral de Qualificação, acusado de ser o operador do suposto esquema. Por meio de nota, Lupi disse que “não compactua com nenhum tipo de desvio de recursos públicos” e mandou abrir sindicância para apurar as irregularidades.

“Estou no vespeiro. Vou nesta luta até o fim. Descarto totalmente a renúncia. Morro, mas não jogo a toalha. Alguns nascem para se acovardar. Outros, para lutar. É o meu caso. Topo a luta. Vou até o fim”, afirmou, dramaticamente, em entrevista ao repórter Chico Otávio, de O Globo.

Sobre o possível envolvimento de Marcelo Panella, seu ex-chefe de gabinete, Lupi também saiu em defesa dele, que se afastou do cargo em agosto: ”Marcelo me pedia desde o ano passado para sair. Ele tem um filho de 10 anos e pavor de viajar de avião. Está esgotado. Por ele, ponho os pés e as mãos no fogo. Nós nos conhecemos há 25 anos. Sou seu padrinho de casamento. Atendendo a seu pedido, eu o exonerei. Ele e Anderson são os mais atingidos com as denúncias. Foram jogados na lama sem direito de defesa. O Ministério do Trabalho tem 10 mil funcionários e 600 unidades descentralizadas. Pode ter erro? Pode. Falhas? Também. Mas corrupção é difícil”, argumentou.

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PDT PEDE EXPLICAÇÕES

Parlamentares do próprio PDT cobram explicações ao ministro Carlos Lupi, presidente licenciado da legenda. O deputado Miro Teixeira (PDT) considera que as denúncias de que integrantes do Ministério do Trabalho cobravam propina para fazer processos andarem na Pasta são graves e devem ser investigadas.

Miro, o senador Pedro Taques (PDT-MT) e o deputado Reguffe (PDT-DF) querem que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, instaure um inquérito destinado a investigar supostos desvios de recursos no ministério. Miro já conversou com Lupi e lhe comunicou da decisão dos parlamentares.
“Não há acusação formal contra o ministro. Porém, acredito que ele não vai se opor à nossa alternativa” – disse o deputado ao repórter Chico de Góis, de O Globo.

Já o senador Pedro Taques observou que os fatos são graves e devem ser investigados. “Não podemos prejulgar ninguém. Mas, independentemente de partidos e pessoas, os fatos revelam a necessidade de investigação” – declarou Taques, que é ex-procurador de Justiça.

Ele afirmou que conversou no fim de semana com Miro, Reguffe e com o senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) e a intenção do grupo é procurar  mais informações sobre as acusações. “Um fato grave como este não pode passar sem ser investigado. Os partidos políticos não podem aparelhar a estrutura do Estado”. frisou.

Pedro Taques disse, ainda, que há uma semana, numa reunião da bancada, defendeu que haja uma discussão na executiva nacional sobre o papel do partido no governo.

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