Não pode ser levada a sério uma CPI que já nasceu sob suspeita

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Marun, o relator, é da tropa de choque de Cunha 

Bernardo Mello Franco
Folha

Desde o escândalo do mensalão, as comissões parlamentares de inquérito têm perdido força e prestígio no Congresso. A marcha para a irrelevância deve ganhar um novo capítulo nesta terça-feira, com a abertura da CPI da JBS.

No discurso, a comissão foi criada para investigar os negócios suspeitos do frigorífico. Na prática, seus idealizadores querem usá-la para retaliar os delatores da empresa e intimidar procuradores da Lava Jato.

DEPOIS DA GRAVAÇÃO – As intenções da turma estão claras desde o início. O senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) começou a coletar as assinaturas dias depois de Joesley Batista entregar as gravações com o presidente Michel Temer.

Escolhido para presidir a CPI, o tucano não tem se esforçado nem para simular independência. No último sábado, enquanto a maioria dos políticos passava o feriadão longe de Brasília, ele foi recebido em beija-mão no Palácio do Jaburu.

O governo ainda Instalou outro aliado no cargo de relator, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), líder da tropa de choque de Temer e amigo dileto de Eduardo Cunha.

LEVAR A SÉRIO? – Ninguém discorda que a JBS precisa ser investigada. O dono do grupo corrompeu dezenas de políticos, confessou crimes em série e ainda tentou tapear o Supremo Tribunal Federal, como mostraram as fitas liberadas na semana passada.

O problema é saber se essa CPI tem chance de levar a tarefa a sério. Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), tudo indica que não. “O Planalto quer usar a CPI para intimidar o Ministério Público. Nos últimos anos, a maioria das CPIs tem se dividido entre o circo e o achaque. Acho que desta vez teremos circo, achaque e intimidação”, prevê.

A CPI parecia natimorta até a semana passada, mas foi ressuscitada pela barbeiragem da Procuradoria no caso JBS. As novas denúncias contra dirigentes do PMDB e do PT forjaram a aliança que faltava para o início dos trabalhos.

4 thoughts on “Não pode ser levada a sério uma CPI que já nasceu sob suspeita

  1. Há muito tempo atrás, no auge do contrabando de eletrodomésticos do Paraguai para o Brasil, uma empresa brasileira lançou um comercial onde ironizava os negócios feito lá em Ciudad del Leste.
    Um comprador perguntava a um vendedor paraguaio, com cara de japonês, se o aparelho tinha garantias e o vendedor disse com todas as letras: “Lá garantia soy jo”.
    Com a nomeação do Carlos Marun para a relatoria desta CPI, veio-me a lembrança a tal propaganda, porque o dito deputado dá a comissão, a mesma garantia que o japonês paraguaio dava ao produto que vendia.
    O Roberto Jefferson anda trombeteando que o eleitorado vai renovar em pelo menos 70% do congresso. Sera?

  2. Legislativo investigativo? O pior é que essa brincadeira sai caro, bem caro aos cofres públicos. Sua relevância é redundante e fictícia, pois o Legislativo não prende como a polícia, nem julga como o Judiciário. Tudo que envolve diretamente em punição a seus “membros e associados” eles procuram trazer para si a responsabilidade. Quem não lembra do deputado que legislava mesmo depois de ter sido encarcerado? Perdeu o mandato um bom tempo depois. Antes disso, envergonhando um pouco mais aos cidadãos honestos e emporcalhando o nome daquela Casa. Que ninguém se engane, hoje, menos ainda, na hora de defenderem seus “direitos”, a sigla é uma só. Tirando as honrosas excessões, que esse sistema filtra às avessas.

  3. Se o judiciário , o legislativo , o executivo e cosequentemente o país não é serio , quem dirá esta cpi . Este embuste é mais uma forma de se queimar dinheiro público .

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