“Não quero a boa razão das coisas, quero o feitiço das palavras”. pedia a Deus o poeta

Poesia não é para compreender mas para... Manoel de BarrosPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e poeta mato-grossense Manoel Wenceslau Leite de Barros, no poema “Deus Disse”, menciona os seus desejos depois que recebeu um dom Divino.

DEUS DISSE
Manoel de Barros

Deus disse: Vou ajeitar a você um dom:
Vou pertencer você para uma árvore.
E pertenceu-me.

Escuto o perfume dos rios.
Sei que a voz das águas tem sotaque azul.
Sei botar cílio nos silêncios.

Para encontrar o azul eu uso pássaros.
Só não desejo cair em sensatez.
Não quero a boa razão das coisas.

Quero o feitiço das palavras.

3 thoughts on ““Não quero a boa razão das coisas, quero o feitiço das palavras”. pedia a Deus o poeta

  1. Esses recursos, que salvam o texto acima de ser tachado de incoerente e absurdo, usados pelo poeta, podem ser classificados como: sinestesia, oxímoro, ou ambos?

  2. CILADA PARA PEGAR CORRUPTO (um caso de Sinestesia ou Oxímoro):

    É fácil! Basta que as provas sejam colhidas da seguinte maneira:

    Cheiradas com o paladar
    Teteadas com a audição
    Vistas com o olfato
    Degustadas com a visão
    Ouvidas com o tato

    *Se não funcionar é porque:

    Se a razão vale direito
    O errado compra a razão
    Como razão não é dinheiro
    O direito perde a questão

  3. 1) Grande poeta, o Manoel de Barros.

    2) Por falar em “feitiço das palavras”, lembrei que o multimilenar Xintoísmo, afirma que “as palavras tem um Espírito que as anima”

    3) Como se a palavra fosse um ser humano de “sopro”…

    4) Esotericamente, Jesus soprava e curava.

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