Não se chega a lugar algum com a estratégia de colocar no presidente Bolsonaro a culpa de tudo

Tribuna do Norte - Comportamento de Bolsonaro perante a mídia é tema da charge de Brum

Charge do Brum (Tribuna do Norte)

J. R. Guzzo
Estadão

É um dos fenômenos mais curiosos que a vida pública brasileira tem para apresentar no presente momento. A vida passa, o mundo gira, o homem trabalha para montar uma colônia em Marte – e o Brasil, com seus 220 milhões de habitantes, 33 partidos diferentes e cerca de 65 mil cargos públicos preenchidos por meio de eleições livres, tem hoje um político só: o presidente Jair Bolsonaro.

Não é que esteja isolado – é que não se fala de ninguém mais, e com isso ele acabou ficando sem concorrentes, ou sem concorrentes realmente capazes de concorrer a alguma coisa.

É ATENÇÃO DEMAIS – Nenhum presidente da República, por mais importante que seja, e por mais pecados que cometa ou méritos que possa ter, merece tanta atenção desse jeito. Mas aí é que está: é o que temos no momento. Bolsonaro, mais Bolsonaro e só Bolsonaro.

O presidente deve a sua posição de Rei da Cocada Preta exclusivamente ao conjunto da obra de seus adversários políticos de todas as naturezas; foram eles, e ninguém mais, que o colocaram lá. É simples. Há mais de dois anos, antes mesmo de Bolsonaro entrar no Palácio do Planalto, concentram toda a sua energia, a sua atividade mental e o seu tempo em falar mal dele; não mudam de ideia e não mudam de assunto.

É algo parecido ao que os clínicos de psiquiatria chamariam de “comportamento obsessivo”. Tudo bem, mas o resultado desse estilo de ação política é que não existe no momento ninguém dizendo à população o que, na prática, iria fazer de diferente do que o governo Bolsonaro tem feito desde a sua posse.

SEM CONCORRENTES – Há um candidato de verdade para substituí-lo nas próximas eleições presidenciais? Isso aí, então, nem pensar. Se os adversários colocam 100% dos seus esforços em dizer que o presidente é um horror, mas não têm nenhuma sugestão coerente sobre o que fazer a respeito, o que sobra, na vida política real, é Bolsonaro.

Não adianta nada, como a oposição faz o tempo todo, ficar dizendo: “Qualquer um, menos Bolsonaro”. É indispensável que esse “um” apareça; se não aparecer, ele continua jogando a partida sem a presença do outro time no campo.

Também não se chega a lugar nenhum com a estratégia de colocar no presidente a culpa de tudo. Os 140 mil mortos da covid-19? Foi Bolsonaro quem matou. Incêndio no Pantanal? Desmatamento da Amazônia? Desemprego? Agrotóxicos? Culpa dele.

ANTES ERA O MALUF – É como nos tempos em que tudo, do ovo frito ao sistema solar, era “obra de Maluf” – quanto mais se fala, menos as pessoas realmente acreditam no que está sendo falado. O fato é que nunca o presidente apanhou tanto como hoje, e nunca a sua aprovação popular esteve tão alta – 40% dos brasileiros acham que o seu governo é ótimo ou bom, segundo a última pesquisa do Ibope. Pesquisas de opinião, como as salsichas, são coisas de conteúdo duvidoso; mas se são levadas a sério quando falam mal, a mesma regra deve valer quando falam bem.

Algo deve estar errado com o Brasil quando os grandes personagens do noticiário político são o senador Alcolumbre, o ministro Dias Toffoli e o apresentador de tevê Luciano Huck – ou quando a maior esperança dos adversários de Bolsonaro é que o STF invente uma gambiarra qualquer para resolver a sua vida.

HÁ ALGO DE ERRADO – Não pode ser normal, ao mesmo tempo, que o nome mais citado como alternativa para o País seja um ex-presidente que foi condenado, e cumpriu pena de prisão, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro – em três instâncias e por nove magistrados diferentes, fora que tem outra condenação no lombo, já em segunda instância, e mais uma penca de processos pela frente.

Quem quer um Brasil sem Bolsonaro tem de fazer melhor do que isso. Se não fizerem, as coisas vão continuar como estão.

27 thoughts on “Não se chega a lugar algum com a estratégia de colocar no presidente Bolsonaro a culpa de tudo

  1. Uai, no tempo em que eu era dono de uma quitanda, era eu quem mandava, pagava, recebia – era o único responsável pela organização. Por que não, no caso do Bolsonaro. Ele tem as mordomias e homenagens inerentes ao cargo, mas não pode transferir responsabilidades. Se não está capacitado para a tarefa, volte para a cavalaria!

  2. “Nenhum presidente da República, por mais importante que seja, e por mais pecados que cometa ou méritos que possa ter, merece tanta atenção desse jeito. Mas aí é que está: é o que temos no momento. Bolsonaro, mais Bolsonaro e só Bolsonaro”.

    Na testa do comentarista raivoso e dos colegas !

    Sobre o post http://tribunadainternet.com.br/mas-noticias-banco-central-piora-a-previsao-para-entrada-de-investimento-estrangeiro-no-pais/ , eu disse ontem:

    “Desde o início avisou-se que estávamos todos no mesmo barco, mas insistiram em promover “atos democráticos” de repúdio à derrota ( a diferença entre “ato antidemocrático” e “ato democrático” seria bem explicada por Millor Fernandes).

    Deixamos de estar no mesmo barco ? Não, mas a ideia de “quanto pior, melhor” prevaleceu e continuaram insistindo. Em 2018, muito antes das eleições, uma deputada denunciou os funcionários fantasmas e não vi esta matéria nem na mídia nem em blogs. Qual é o grau de credibilidade destes meios de comunicação, que insistem em permanecer parciais ?

    Eis onde está a denúncia ignorada pelos executores – democraticamente falando – do samba de uma noite só:

    https://www.youtube.com/watch?v=QlP4VjVSUpA

    Quem vive de seu próprio negócio e independe de governo não precisa fazer uso de torpezas. Mesma coisa é “torcer” para que fulano (ou beltrano) vença as eleições nos EUA. Faz sentido estrangeiros quererem escolher quem será o xerife do mundo ?

  3. Texto sem aderência aos fatos. Maluf foi perseguido por décadas, mas nem chega perto da perseguição a Lula. Quantas capas da Veja? Quantas manchetes pejorativas em todos os jornais diariamente com “suspeitas”? Agora c JB não pode? Com o 01 o 02 o 03 e c Michelle não pode?

  4. Não adianta se debater com a realidade. A verdade sempre se manifesta e lutar contra ela é causa de frustração.
    Basta ver a multidão de rebeldes recalcitrantes que existe e é parida na indignação contra aquilo que não vai mudar um milímetro por causa dela.
    Na verdade, há três maneiras de lidar com a realidade: negando-a com um inconformismo renitente, fazendo de tudo para mudar a ordem das coisas; aceitando-a passivamente, deixando-se levar pelas circunstâncias; ou resignando-se positivamente, esforçando-se para, a partir daquilo que ela oferece, erigir uma vida melhor.
    Por isso, quem quer viver bem precisa resignar-se. Não com aquela resignação plácida e murmurenta, mas com uma que, ao aceitar a realidade como ela se apresenta, impulsiona à adaptação e à criatividade.
    Observe o pintor, o escultor e o poeta: atuam aceitando as regras de seus ofícios, reconhecendo as fronteiras de seus trabalhos, e sobre eles desenvolvendo suas obras.
    Uma pessoa inteligente, como o artista que revela seu gênio operando nos estreitos limites de sua arte, tem seu espírito criativo despertado pelas exíguas possibilidades que a realidade lhe impõe.
    Basta permitir que ele se manifeste.
    “Não pode ser normal, ao mesmo tempo, que o nome mais citado como alternativa para o País seja um ex-presidente que foi condenado, e cumpriu pena de prisão, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro”. Perfeito.
    Muitos não conseguem aceitar a realidade dos fatos.

  5. Ora, o Presidente não teria nenhuma importância?
    Como não se quer admitir que temos um Estado cleptocrático, tocado pela Indústria da Miséria e da Corrupção, quem assim o faz, nunca poderá explicar nossa realidade política, econômica e social.
    Trata-se da estrutura, que faz feliz malfeitores de centro, direita e esquerda, gente putrefata que conduz o país de norte a sul e de leste a oeste.
    Ao invés de ser um importante instrumento civilizatório, a política é o habitat natural de gente da pior espécie.

  6. “Nenhum presidente da República, por mais importante que seja, e por mais pecados que cometa ou méritos que possa ter, merece tanta atenção desse jeito. Mas aí é que está: é o que temos no momento. Bolsonaro, mais Bolsonaro e só Bolsonaro”.

    Na testa do comentarista raivoso e dos colegas !

    Quem vive de seu próprio negócio e independe de governo não precisa fazer uso de torpezas. Mesma coisa é “torcer” para que fulano (ou beltrano) vença as eleições nos EUA. Faz sentido estrangeiros quererem escolher quem será o xerife do mundo ?

  7. Disse eu ontem, sobre o tema da fuga de investidores:

    “Desde o início avisou-se que estávamos todos no mesmo barco, mas insistiram em promover “atos democráticos” de repúdio à derrota ( a diferença entre “ato antidemocrático” e “ato democrático” seria bem explicada por Millor Fernandes).

    Deixamos de estar no mesmo barco ? Não, mas a ideia de “quanto pior, melhor” prevaleceu e continuaram insistindo. Em 2018, muito antes das eleições, uma deputada denunciou os funcionários fantasmas e não vi esta matéria nem na mídia nem em blogs. Qual é o grau de credibilidade destes meios de comunicação, que insistem em permanecer parciais ?

    Eis onde está a denúncia ignorada pelos executores – democraticamente falando – do samba de uma noite só:

    https://www.youtube.com/watch?v=QlP4VjVSUpA

  8. Assim como “Não se chega a lugar algum com a estratégia de colocar no presidente Bolsonaro a culpa de TUDO” …
    … também “Não se chega a lugar algum com a estratégia de colocar no presidente Bolsonaro a culpa de NADA”.
    Aliás, não dá nem pro governo reclamar dos seus ministros, porque quem os escolheu foi o próprio PR.

  9. Não é só sobre moradia, um pedaço de chão para plantar e dignidade, é sobre semear a esperança, é dizer e mostrar o novo caminho a seguir, é motivar e entusiasmar para chegarmos lá, sem perder de vista que o socialmente desejável está condicionado ao economicamente possível, como busco fazer com a RPL-PNBC-DD-ME, o milagre da multiplicação dos pães, dos peixes e das oportunidades em todo o território nacional via Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso, assentado no olho no olho e na verdade como ela realmente é, sem medo de encarar as adversidades e as incógnitas da vida e tirá-las para dançar o bailão existencial. Sou brasileiro, com muito amor, e deve ser o fato de ser paulistano nato, da gema, do Distrito da Lapa, que nasci assim e penso assim, pensando grande e cheio de vontade de realizar grandes feitos, porque nós, paulistanos, somos mesmo assim chegados à grandiosidade das realizações que se fazem necessárias, daí o Cebolão, o Minhocão…, e o Sonho do Brasilzão. Quase sempre funciona o nosso jeito de ser, paulistano, e às vezes não, mas o fato é que São Paulo comanda e não é comandado. E se Boulos e o PSOL não encarnarem esse espírito, não pactuarem já a condição de hospedeiro do Novo de Verdade, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, tendo em vista a Prefeitura de São Paulo, a Presidência da República em 2022, e a floresta como um todo, então, por parte do Novo de Verdade não há mais o que esperar do PSOL, e nem da esquerda, senão o Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação migrar para o centro em busca de uma sigla partidária que o acolha, porque a repetição de 2010, 2014 e 2018, em 2022 tb, é burrice demais da conta, ninguém merece, e nem há mais tempo hábil para isso, não há mais tempo a perder com a pobreza de espírito política e nem com a pequenez das vaidades, interesses e ambições pessoais, face à grandiosidade dos problemas e demandas de São Paulo e do Brasil. https://www.brasil247.com/blog/eleicoes-municipais-a-largada-das-esquerdas

  10. O articulista foi esperto. Jogou para empatar a partida; teve medo de atacar e de perder; faltou ousadia, como se diz ou coragem, que seria a palavra correta.

    Por que Bolsonaro é tão criticado?
    Guzzo deveria perguntar ao próprio meio onde trabalha, à mídia.
    E, se não se pode atribuir ao presidente os erros do país, deveremos canalizá-los para quem? Forças ocultas? Interesses escusos?

    Faltou ao artigo uma questão, que responderia os porquês de o presidente ser tão criticado e sobre ele recair tantas reclamações, uma simples indagação:
    O que fez Bolsonaro até agora pelo povo e Brasil?

    Em consequência, eis uma lista de questionamentos que explicam e justificam Bolsonaro ser tão comentado e negativamente:

    Diminuiu o desemprego?
    Não.
    A pobreza e a miséria diminuíram?
    Não.
    A fome aumentou ou diminuiu no país?
    Aumentou.
    A educação/ensino estão em bons patamares?
    Não.
    A violência foi contida?
    Não.
    Melhorou o saneamento básico?
    Não.
    Bolsonaro pode servir como exemplo de ser imune à corrupção?
    Não.
    Bolsonaro mantém uma relação respeitosa com a imprensa?
    Não.
    Existe algum ministro de Bolsonaro que se notabilize pelo seu desempenho à frente de sua pasta?
    Não.
    A política externa está sendo bem conduzida?
    Não.
    Bolsonaro tem tratado a pandemia como deve?
    Não.
    Existe algum plano de governo para nos levar para o desenvolvimento?
    Não.
    O Real está valorizado?
    Não.
    Que obra se poderia atribuir a Bolsonaro, e que ocasionaria mudança nessa culpa que lhe é atribuída?
    Não existe!

    Logo, o texto querer aliviar a responsabilidade do presidente quanto às falhas, erros, omissões, descasos, incompetência, aproximação com o Centrão, políticas externas confusas e mal dirigidas, sua forma agressiva, mal educada, insultuosa de se dirigir ao povo e a quaisquer setores nacionais, a meu ver foi inócuo, sem sentido, sem intenção alguma, a não ser empatar entre crítica e isenção a administração federal.

    Perda de tempo do articulista e nossa, em ler a postagem, sinceramente.

  11. Espectro,

    Os caras querem dizer que é noite, mas pode ser dia.
    Uma das mãos acaricia, e a outra desfere o tapa.

    Assim, até eu!

    Abração.
    Saúde e paz.
    Te cuida, parceiro.

  12. O melhor da matéria é a charge sem dúvida nenhuma.

    Ora, então quem é o culpado do psicopata ter revirado o brasil do avesso?
    Nós? Os pagadores de impostos?
    Pera lá! Este homem é uma outra pessoa, aquele bolsonaro no qual votei, foi ABDUZIDO!!

    Este, é perverso, um homem de maus sentimentos, desprovido de alma, piedade, humanidade, humildade e etc… exatamente o contrário de tudo o que cerca uma pessoa boa, de bons sentimentos.

    Essas qualidades não existem nesse corpo morto.
    Bolsonaro é um morto que perambula assombrando o Palácio do Planalto, o Brasil e a todos os brasileiros.

    Não tem mais jeito, está provado por A+B que é um homem doente da cabeça, sempre foi!!
    A nossa ânsia de arrancar o pt foi tanta, que fomos atropelados pelo nosso próprio desejo.
    Reconheço que fiquei cego na época das eleições, e caí como um verdadeiro idiota no canto do demônio!!!

    Jamais votei no pt, mas se a pipoqueira continuar, e não há o menor indício dela parar, votaria até na dilma ou no nine!
    Esses roubaram tudo e mais um pouco, sei disso, mas não aturo, não aguento nem ouvir a voz deste CRÁPULA!!

    Este NEFASTO, tem que ser escorraçado do poder imediatamente, de preferência, por INSANIDADE MENTAL!!!

    Não vai demorar muito…
    No final deste ano, a dívida pública vai chegar a 100% do PIB. ESTAMOS A UM PASSO DA HIPERINFLAÇÃO.
    A inflação está represada de tal maneira que quando soltarem as amarras e começarem a emitir moeda pra enfrentar esta loucura, será um Deus nos acuda!
    Vamos ter que contar dinheiro com uma balança!
    Aí já era!!! Acabou!!

    O JOKER ESTÁ NO COMANDO!!!

    Cordialmente.

  13. Até que enfim um lúcido escreve a mais pura verdade. Aprendi desde a escola que se fizer crítica, tem que apontar a alternativa, caso contrário a crítica é nula se não for destrutiva. Lamentavelmente tem muita gente adestrada pela rede globo que só age com críticas e nunca aponta a soluções.

  14. É algo parecido ao que os clínicos de psiquiatria chamariam de “comportamento obsessivo”. Tudo bem, mas o resultado desse estilo de ação política é que não existe no momento ninguém dizendo à população o que, na prática, iria fazer de diferente do que o governo Bolsonaro tem feito desde a sua posse

    Esse articulista é cego ou surdo! Como pode fazer uma afirmação dessas? O Ciro Gomes sempre que entrevistado só falta desenhar o que faria de diferente se estivesse no lugar do Bolsonaro. Tem resposta para qualquer pergunta, desde sempre se declarou contrário ao teto de gastos, coisa que eu não concordo, mas consegue defender seus argumentos de maneira enfática e convincente. Nunca vi ou ouvi Bolsonaro sendo capaz de fazer algo parecido, seus argumentos são rasos e inconsistentes , em condições normais ou num país mais civilizado nunca teria sido eleito.

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