“Não se deve arremessar as Forças Armadas no varejo da política”, diz Barroso após fala de Bolsonaro

“Duvido que as Forças Armadas se prestem a esse papel”, disse Barroso

Bruno Góes
O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso disse neste domingo, dia 3, em entrevista à Globonews, que é “preocupante” a afirmação do presidente da República, Jair Bolsonaro, de que possui apoio das Forças Armadas.

Ao comparecer a um ato antidemocrático contra o STF, o Congresso e o ex-ministro Sergio Moro, Bolsonaro declarou que não vai mais “admitir interferência” em seu governo e que chegou “ao limite”.

VAREJO DA POLÍTICA – “A mim, pessoalmente, só me preocupou uma coisa: a invocação de que as Forças Armadas apoiavam o governo. E aí eu acho que este é um fato que traz algum grau de preocupação, porque as Forças Armadas são instituições do Estado, subordinadas à Constituição e, portanto, elas não estão dentro de governo, vinculadas a governo algum. E, portanto, não se deve arremessar as Forças Armadas no varejo da política. Isso foi o que aconteceu na Venezuela, com os resultados que nós verificamos”, disse Barroso à Globonews.

Na véspera do ato deste domingo, que contou com ataques ao STF e ao Congresso, Bolsonaro havia se reunido com os comandantes da Aeronáutica, do Exército e da Marinha no Palácio da Alvorada. Também participaram do encontro ministros militares do governo, como o titular da Defesa, Fernando Azevedo.

SEM CRISE – Apesar da reprovação ao discurso adotado por Bolsonaro diante de seus apoiadores neste domingo, Barroso disse que não há crise institucional.

“O Congresso Nacional rejeitou Medidas Provisórias do presidente da República e elas deixaram de vigorar. Portanto, a Constituição foi cumprida. O Supremo Tribunal Federal proferiu decisões contrárias a atos do presidente e essas decisões foram observadas. E, portanto, a Constituição foi cumprida, de modo que eu, até este momento, não vislumbro vestígio de crise institucional”,  acrescentou o ministro.

RETÓRICA – Barroso argumenta que aprendeu a “prestar atenção nos fatos, e não nas palavras ou na retórica política”. Ele também disse que não acredita na possibilidade de que militares possam ultrapassam os limites da Constituição. “Duvido que as Forças Armadas se prestem a esse papel de ingressar no varejo político e no debate político ordinário”, disse.

Ainda sobre o protesto deste domingo, Barroso afirmou que os apoiadores de Bolsonaro são livres para se expressar. Ele condenou, no entanto, a agressão a jornalistas do “Estado de S. Paulo”, expulsos do local a socos e pontapés. “Aí não são mais manifestantes. São criminosos comuns contra a democracia. Isso é inaceitável”, disse.

PANDEMIA – Perguntado sobre a irritação de Bolsonaro provocada por uma liminar de sua autoria, Barroso diz que encara críticas com “naturalidade”. O ministro do Supremo vetou a expulsão de diplomatas venezuelanos do Brasil por considerar que havia risco à saúde dos estrangeiros nas atuais circunstâncias da pandemia do coronavírus.

 Ele disse que a prerrogativa de determinar a expulsão é do presidente da República, mas fez a ressalva: “Ninguém pode cometer atos de crueldade”.

ELEIÇÕES – O ministro, que presidirá o Tribunal Superior Tribunal Eleitoral (TSE) no período eleitoral, também falou sobre a possibilidade de adiamento do pleito municipal deste ano. Barroso disse que qualquer decisão neste sentido precisará ser tomada pelo Congresso Nacional, a quem cabe alterar a Constituição.

Por outro lado, avaliou que vai dialogar com os presidentes de Câmara e Senado caso haja um atraso no calendário do TSE. As urnas, por exemplo, precisam ser testadas até o fim de junho. “Se até junho não conseguirmos fazer os testes, vou procurar os presidentes da Câmara e Senado para expor (a situação)”, explicou.

8 thoughts on ““Não se deve arremessar as Forças Armadas no varejo da política”, diz Barroso após fala de Bolsonaro

  1. Quem faz isto, de maneira contumaz, são os crápulas do famigerado stf.
    Querem se meter na administração pública.
    Vão trabalhar e cuidar dos processos acumulados nesta pocilga.
    Vocês têm 222 áulicos para lamber seus sapatos.
    Vão trabalhar.
    Têm carro , motoristas, benefícios e benesses de todos os tipos.
    Vão trabalhar!

  2. ….”E nem o Brasil e seu Judiciário ao Comando das Orcrims Lulopetralhas Esquerdopatas do Foro de São Paulo” para golpearem a Nação através do Constante Intervir e Retirando Criminosamente e Inconstitucionalmente os Poderes da Presidência da República e do Presidente da República Eleito Legalmente e Constitucionalmente pelo Povo Brasileiro” , complementando o raciocínio, se há raciocínio nessas horas enlouquecidas onde uma Nação inteira é refém do Judiciário e do Legislativo e estão presos em sua casa enquanto Governadores, Prefeitos e Contumazes Políticos Ladrões do Dinheiro Público estão Impunemente metendo as mãos em nosso dinheiro e ainda Prendendo e Arrebentando os Cidadãos de Bem Honestos do Brasil pelas nossas ruas, Grande Ministro, claro se houver ainda Respeito à Constituição e ao Bom Direito e Respeito ao Povo Brasileiro !!!! Será que o Povo Brasileiro que não Confia, nem Acredita, nem Respeita os Membros e seus Atos desse STF tem que serem Presos diante de provas Constantes de que essa Corte Não Faz Bem ao Brasil e nem a seus Cidadãos de Bem e Honestos ???

  3. Já dei mais crédito a esse senhor ministro. Mas, desde que o careca alexandre de moraes interferiu num outro poder e ninguém falou nada, vejo que todos são farinha do mesmo saco. Uma vergonha para nós brasileiros.

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