Não vai dar certo

Carlos Chagas

Montes de candidatos faziam campanha, no auge da sucessão presidencial de 1989, a primeira eleição direta desde 1960. Leonel Brizola, Lula, Dr. Ulysses, Mário Covas, Aureliano Chaves,  Paulo Maluf, Guilherme Afif, Afonso Camargo, Roberto Freire, o dr. Enéas e Fernando Collor, além de outros cujo aventureirismo   nos   embota a memória.

Dias antes, quando se delineava nas pesquisas  a vitória do  governador de Alagoas, coube a Ulysses Guimarães  um gesto de grandeza: percebendo o perigo, enviou emissários aos concorrentes sugerindo a união de quase todos em torno de Mário Covas, forma de evitar a marcha para o desconhecido.  Lula e Brizola rejeitaram, pois  disputavam o segundo lugar, imaginando virar o jogo na votação suplementar. Os demais, um a um, voltaram as costas, iludidos pela fantasia da vitória ou enciumados pela escolha de Covas. Em suma, não deu certo.

O resultado foi a eleição de Fernando Collor, sustentado pelos setores conservadores, então apavorados com a perspectiva de o Lula chegar ao poder, já que o  torneiro-mecânico sequer cogitava de escrever uma “Carta aos Brasileiros”,   comprometendo-se com o  establishment. Depois, deu no que deu, ou seja, a defenestração de Collor, o feliz interregno de Itamar Franco e então  a prevalência  do neoliberalismo, com Fernando Henrique e, ironicamente,   o Lula.

Por que se recordam episódios passados?  Porque a sucessão do ano que vem segue o mesmo curso. Também não vai dar certo. O Lula  é o favorito, caso Dilma não recupere sua popularidade, mas dá no mesmo. Um e outra exprimem    igual roteiro onde, apesar do assistencialismo mais do que necessário, as diretrizes econômicas confirmam o  figurino de sempre: governo dirigido para satisfazer as elites e confirmar-lhes os privilégios. Não será  com o bolsa-família e o aumento do poder de compra de setores menos favorecidos  que se mudarão  as estruturas fundamentais do país.  O diabo é que entre os possíveis candidatos capazes de disputar o poder com o PT, nenhum aparece com propósitos revolucionários.   Marina Silva contentar-se-ia  em conservar as árvores, Aécio Neves manteria a prevalência das escalas econômicas do eixo Rio-São Paulo,   Eduardo Campos ampliaria o poder dos donos do Nordeste. Poderiam até unir os fatores,  pois  o produto continuaria o mesmo.

A conclusão é de que nada vai mudar.  Resposta, mesmo, para o clamor das ruas, nenhum dos candidatos possui. Outra vez, não vai dar certo.

DEVOLVER A CHICAGO?

Um jornal de Chicago estampou na primeira página fotografia do vandalismo verificado  no Rio para queixar-se e perguntar “se foi para isso” que as Olimpíadas de 2016 deixarão  de realizar-se naquela cidade. Fugindo à tentação de verificar que Chicago  continua sendo uma das cidades mais violentas do planeta, seria o caso de o Rio  devolver ao Comitê Olímpico Internacional a honra de realizar o evento.  Mais dinheiro publico fluirá para objetivos sem relação com nossas necessidades básicas, com o agravante de que medalhas de ouro, mesmo, continuarão faltando…

 

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5 thoughts on “Não vai dar certo

  1. Carlos Chagas, tem dias que você antes de escrever parece tomar algunas taças de vinho. Pois o que escreves causa espanto. Essa do Ulisses ter sugerido a união de todos contra Collor é uma quimera.Todos queriam era derrotar Brizola. O que na realidade aconteceu foi que Brizola antes de responder afirmativamente ao apoio a Lula no segundo turno, ter-lhe feito a seguinte proposta em conversa que tiveram nem seu apartamento no Rio de Janeiro onde Lula fora pedir-lhe apoio: Lula, deviamos renunciar para que Covas dispute a presidência com Collor. Covas não reune as incompatibilidades que criamos. Resposta de Lula: Brizola se Covas fosse bom de voto teria chegado em minha frente. Isso está registrado no livro de Ricardo Osman G. Aguiar. Ricardo Osman em 1988 foi convidado por Ricardo Boechat para cobrir para o jornal O Estado de São Paulo, como reporter da Agência Estado, a campanha presidencial de Brizola, candidato do PDT. Osman depois escreveu um livro.

  2. Tinha o Marronzinho.
    A bem da verdade, é conveniente registrar que Brizola propôs ao Lula que ambos apoiaseem o Covas no 2º turno, depois que houve a definição entre Collor e o molusco.

  3. Não vejo nenhum paralelismo entre 1989 e 2014. Eram tantos os candidatos, quase todos oriundos da salada de frutas que era o antigo MDB. O queridinho de primeira hora foi o Affif Domingues, que não decolou. Segunda opção Afonso Camargo, patinou e não saía do lugar. Finalmente encontraram o Caçador de Marajás, afilhado de Maluf e dono de jornal no nordeste, um verdadeiro “AMIGO”.
    Hoje temos já alguns partidos com programas. O PT, que já nasceu maragato, após algumas vitórias municipais, vem aumentando sua penetração e aplicando seu modo de desenvolvimento do país, conseguindo mostrar resultados concretos e não mais vagas promessas comuns nas campanhas de antigamente.
    O Brasil já está dando certo.

  4. Ronaldo Luiz, saudações.
    Não percebo paralelismo entre nada com nada. Não há luz no fim do túnel, aliás está difícil até mesmo de ver o túnel (HF!!!).
    Se os candidatos forem estes mesmos … estaremos ferrados. Marina disse que não aceitará empresários do segmento do tabaco nem de bebidas alcoólicas. Ora, por que ela não disse “não aceitarei dinheiro dos bancos nem das empreiteiras”???
    Todos aceitarão, “docemente constrangidos”, mas aceitarão, claro. Até agora, nenhum candidato apresentou um Projeto de Nação. É cedo, etc. Mas … não há qualquer indicativo nesta direção.

  5. Pingback: NÃO VAI DAR – prepare-se para viver num país comunista, inclusive saindo para outro país (difícil a escolha, pois parece que a úcica saída é para os EUA) – aceito sugestões… | Blog do Licio Maciel

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