No vai pagar nunca

Carlos Chagas

A progresso, por enquanto, aritmtica: a primeira multa foi de 5 mil, a segunda de 10 mil reais. Continuando as coisas como vo, possvel que a Justia Eleitoral recorra progresso geomtrica. Sendo assim, quando outubro chegar o presidente Lula estar devendo alguns bilhes pela prtica de propaganda eleitoral antecipada.

O singular nessa histria que S. Exa. no vai pagar um centavo, menos pelos recursos interpostos s decises do Tribunal Superior Eleitoral, mais porque j encontrou a soluo para poupar o seu dinheiro: em praa pblica, no interior de So Paulo, pediu que levantassem o brao quantos estivessem dispostos a pagar por ele. Foi uma floresta de braos.

Ficamos irritados ao receber multas, seja do Imposto de Renda, seja do Detran. Muitas vezes pela injustia, outras pela falta de fundos. J com o primeiro-companheiro diferente. Ele ri, faz gozao e d de ombros, mesmo reconhecendo a culpa. Est debochando da deciso do Judicirio e, pelo jeito, continuar levando Dilma Rousseff a tiracolo, pedindo votos para a candidata.

Na mesma oportunidade, o presidente comentou que nem vento bate nas costas de poltico sem mandato, referindo-se sua situao, depois de 31 de dezembro. Negativo. Se Dilma for eleita, ele funcionar como orculo ostensivo. Se perder, assumir a chefia da oposio.

Quem sai e quem fica?

Marcada para quarta-feira a solenidade de demisso coletiva dos ministros candidatos s eleies de outubro, ainda sobram dvidas sobre o nmero dos presentes. Tem ministros perdendo o sono, sem saber se saem ou se ficam. Tambm no esto definidos os nomes de todos os novos ministros. Tudo indica que o presidente nomear os secretrios-executivos em exerccio, com uma ou outra exceo. Resta saber quais.

Os ministros que permanecem mantm acesa a chama da esperana de aproveitamento no governo Dilma Rousseff, se a candidata for eleita. H tambm os que j pensam em cuidar da vida, mas, ao contrrio de ex-ministros de outros governos, nenhum deles cogita fundar bancos. Nem mesmo Henrique Meirelles, por sinal um dos que hesita em ficar ou sair do Banco Central.

O PAC II

Ser conhecido amanh o PAC II, com direito a toda pompa e circunstncia na festa de sua apresentao. Poder ser a derradeira apario de Dilma Rousseff como chefe da Casa Civil. Caber a ela detalhar as novas obras propostas no plano, bem como explicar porque parte do PAC I no se realizou. Vai ser difcil, mas a candidata est aprendendo a fazer da limonada um limo, pela proximidade com o chefe.

A solenidade marcar o inicio do festival de despedidas do presidente Lula, a se estender at 31 de dezembro.

At voc, Serra?

Causou mal-estar no ninho dos tucanos a crtica de Jos Serra aos jornais, numa imitao barata do presidente Lula. O governador chamou a mdia de leviana, acentuando que nenhum dos dois grandes matutinos de So Paulo escapava. Referiu-se, evidente, ao Estado e Folha, sem perceber estar arremessando fogo amigo contra os jornais que no escondem a simpatia por sua candidatura.

Como no caso do primeiro-companheiro, Serra acusou a imprensa por registrar a inaugurao de obras inacabadas. Fica difcil concordar com os dois, porque as imagens falam mais do que as palavras. Se o presidente inaugura conjuntos residenciais semi-prontos, sem pintura nem ladrilhos, o governador entrega populao centros de sade sem os equipamentos necessrios ao seu funcionamento. De quem a culpa? Como sempre, dos meios de comunicao…

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