Não vem que não tem

Carlos Chagas

Ficou a União Européia pendurada no pincel, sem escada, depois que a presidente Dilma Rousseff, esta semana, em Bruxelas, declarou estar o Brasil pronto a colaborar com a entidade na tentativa de superação da crise econômica. E por razão muito simples: Dilma acentuou que o combate à crise não é incompatível com o crescimento das nações que sofrem com ela, muito menos com a criação de novos  empregos.

Foi uma contestação – para ninguém botar defeito – à receita do FMI e da própria União Européia,  de as crises econômicas exigem aumento de impostos, redução de salários, demissões em massa e cortes em investimentos sociais. Tudo isso resume-se à recessão, encomendada para levar as nações em dificuldades a endividarem-se cada vez mais junto ao sistema financeiro internacional, visando saldar  suas dividas e pagando juros estratosféricos.

No Brasil, de Roberto Campos a Fernando Henrique, por diversas vezes adotamos essa fórmula, sem esquecer o próprio Delfim Neto nos idos de 1983, quando exaltava o crescimento mas assinava com o FMI cartas de intenção comprometendo-se a penalizar os salários e a interromper obras  públicas.

Não foi por conta dos compromissos com a cúpula financeira internacional que vencemos a inflação de 200% ao ano. José Sarney chegou a decretar a moratória da dívida externa e a pressão das forças populares fez o resto. Se é verdade que o Lula manteve a política econômica do sociologo, também é  certo  que o figurino tornou-se pequeno para o modelo de crescimento. 

Retomar a estratégia um dia aplicada por Juscelino  Kubtschek torna-se necessidade absoluta, caso a crise atravesse o Atlantico e venha a bater em nossa porta. Mas já estão avisados, lá fora, da rejeição do modelo que assola a Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e atéa França. Não vem que não tem.     FEZ
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BEM DE NÃO VIR

Ignora-se o argumento utilizado pelo  ex-presidente Lula  junto ao PT, mas a verdade é que  não compareceu a Brasília, terça-feira e ontem, para defender o projeto de reforma política do deputado Henrique Fontana. Teria entrado numa fria, caso viesse, pois  nem o PT se entende a respeito das propostas, quanto mais o PMDB e outros  partidos da base oficial.                                               

Como temos afirmado faz tempo, a reforma política é mera enganação. A partir de amanhã  vence o prazo da anteriorização, quer dizer, se até a meia-noite as mudanças não tiverem sido votadas na Câmara e no Senado, estarão proibidas de aplicação  nas eleições do ano que vem. Doze meses antes, qualquer  reforma se torna  inócua.  

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NEM TROMBONES NEM TROMBETAS 

Vale recontar episódio sempre oportuno verificado com o maior crítico literário de nossa História, Agripino Grieco. Homem metódico, cortava o cabelo sempre no mesmo barbeiro e anos a fio ouvia do fígaro suburbano o pedido para  ler os originais daquela que seria a maior obra literária mundial desde o Quixote de Cervantes. O homem insistia, Grieco saltava de banda mas um dia recebeu o derradeiro apelo: “Já que o senhor não tem mesmo tempo para ler o meu romance, dê-me a honra de pelo menos sugerir um título”.

Nessa hora o sarcástico algoz da metade dos escritores brasileiros concordou. E perguntou ao barbeiro: “A sua grande obra tem trombones?”  “Não”.  “Tem trombetas?”  “Também não.”  “Então está ai o título: Nem Trombones Nem Trombetas…”                                              

A historinha se conta a propósito de certos chatos e impertinentes palpiteiros que em vez de ficar cortando o cabelo e fazendo a barba de seus clientes, ou exercendo qualquer  outra profissão, intrometem-se no trabalho alheio.  

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QUEM PAGA O PREJUÍZO? 

Acabou a greve dos funcionários dos Correios, satisfeitas em parte  suas reivindicações, mas fica a pergunta: quem paga o prejuízo de 21 dias de paralisação e o atraso na entrega de 147 milhões de correspondências e encomendas?  O governo, patrão dos grevistas? Os próprios? Fosse feita uma estatística dos prejuízos e a surpresa faria corar frades de pedra, se ainda existisse algum. Não teria sido melhor o governo, desde o início, ter oferecido  o reajuste agora acertado?

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