Nas principais capitais brasileiras, desinteresse do eleitor esfria o clima da campanha

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Charge do Cabalau (Arquivo Google)

Deu em O Tempo

No fim de agosto, jovens que comiam pastel numa feira livre da Zona Sul de São Paulo se espantaram com a chegada do deputado Celso Russomanno (PRB), seguido por assessores e câmeras. Era uma agenda da campanha do candidato à prefeitura da maior cidade do país, mas o grupo, que admitiu ignorar a proximidade da eleição, se perguntava se o político estaria ali para gravar um dos seus programas de defesa do consumidor.

A situação é um retrato do que mostram pesquisas do Ibope: cerca de metade da população não está interessada nas eleições municipais. Nas dez capitais mais populosas do país, o número de entrevistados que afirmam ter pouco ou nenhum interesse na escolha do próximo prefeito varia de 46% (em Curitiba) a 56% (no Rio). No caso de São Paulo, o índice ficou em 50%, segundo levantamento divulgado em 13 de setembro, quando faltavam 19 dias para o pleito. Em Belo Horizonte, é de 54%, sendo que, desses, 30% afirmam não ter nenhum interesse no pleito.

Na capital paulista, o desinteresse é maior entre quem ganha até um salário mínimo (40% disseram não ter qualquer interesse) e menor entre os mais ricos: 20% desse grupo são formados por quem ganha mais de cinco salários.

QUEM SE INTERESSA? – Como a margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos, pode-se dizer que o desinteresse pela eleição municipal fica estável entre quem concluiu o ensino fundamental (33% não têm qualquer interesse) e quem terminou o ensino médio (34%). O índice cai para 21% se o entrevistado tem nível superior. Entre jovens de até 24 anos, como os que não sabiam que Russomanno concorria à Prefeitura de São Paulo, 55% não ligam para a campanha municipal, segundo o Ibope.

Crise política, eventos como a Olimpíada do Rio, falta de dinheiro para produzir e distribuir material de campanha, menos tempo na TV. São muitos os motivos listados por cientistas políticos para explicar por que quase metade da população não está interessada nas eleições municipais.

ELEIÇÃO ATÍPICA – “Já é uma eleição atípica pelas mudanças na legislação eleitoral que mudaram a propaganda na TV. As campanhas não têm dinheiro, e ainda houve uma série de elementos para desviar a atenção do eleitor desde que elas começaram, em agosto: Olimpíada, impeachment da Dilma, cassação de Eduardo Cunha, denúncia contra Lula na Lava Jato”, avalia o cientista político Carlos Melo, professor do Insper.

Melo acredita que, despreocupado com a eleição, o eleitor possa acabar recorrendo a políticos que já conheça, o que pode favorecer nomes com que o público já está familiarizado. O professor também lembrou a falta de clima de campanha nas ruas de São Paulo. Até semana passada, mesmo em centros de comércio popular, não era comum ver distribuição de folhetos, santinhos ou adesivos com as caras dos candidatos. “Entramos nos últimos dias da campanha com a população completamente alheia à eleição”, considera o professor.

DESENCANTO – A crise, a divulgação de escândalos de corrupção e o desencanto dos eleitores com a política também podem ajudar a explicar o desinteresse na eleição para prefeito, segundo o cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“Surpreende-me um número tão alto de pessoas que não estão interessadas faltando tão pouco tempo para as eleições. Já não há eventos concorrentes e já teve muito debate na TV para que a população se interessasse”, afirma Teixeira.

No caso de São Paulo, os candidatos a prefeito participaram de quatro debates na TV aberta e ainda devem comparecer a mais dois. Apesar das particularidades das eleições deste ano, números do Ibope mostram que o desinteresse pela escolha do prefeito já era grande quatro anos atrás, nas eleições de 2012. Em São Paulo, 21% dos entrevistados diziam não ter nenhum interesse nas eleições, enquanto 27% afirmavam ter pouco interesse. Neste ano, os números são de 30% e 20%, respectivamente. No Rio, 50% responderam que tinham pouco ou nenhum interesse. Este ano, foram 56%.

CONFIRA OS NÚMEROS – 54% dos eleitores de Belo Horizonte possuem pouco (24%) ou nenhum interesse (30%) na disputa eleitoral. 50% dos entrevistados em São Paulo possuem pouco (20%) ou nenhum interesse (30%) no pleito, segundo o Ibope. 56% dos pesquisados no Rio de Janeiro registram pouco (19%) ou nenhum interesse (37%) na disputa de outubro.

 

2 thoughts on “Nas principais capitais brasileiras, desinteresse do eleitor esfria o clima da campanha

  1. Continuo votando, apesar de há 13 anos não precisar mais votar.
    Até ontem, não sabia qual seria o menos ruim para eu votar.
    Assistindo o debate do Record eliminei os candidatos que não vou votar: não votarei em candidatos que defenderam e defendem o partido mais corrupto da história do Brasil e que destruiu o país. Não votarei em candidatos muito ligados a religião, a história do mundo mostra que grandes matanças e barbaridades foram feitas por questões religiosas, ainda hoje temos o exemplo do Estado Islâmico; Não votarei em candidato do governo, que tem como finalidade abafar seus malfeitos, seria um novo Pezão. Sobraram 3 candidatos: O Osório, o Índio e o Bolsonaro.
    Posso até estar enganado, mas acredito que o menos ruim é o Osório.

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