Nas urnas de 2022, Jair Bolsonaro enfrentará a si mesmo, além dos outros candidatos

Miguel Paiva | Brasil 247

Charge do Miguel Paiva (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro, na minha opinião, iniciou sua campanha eleitoral para as urnas de 2022 adotando o caminho errado de fazer questão de colidir com o ministro Henrique Mandetta e com os governadores estaduais que recomendam o isolamento como etapa decisiva para conter a contaminação acelerada como se verifica nos últimos dias.

O risco de quebrar o isolamento já foi colocado pelo ministro Mandetta, alertando a população quanto a hipótese de um colapso na rede de saúde. Tal situação poderá ocorrer somando-se as pessoas contaminadas com os atendimentos de outras moléstias, como já começa a acontecer no Amazonas.

NÃO ESTÁ NEM AÍ... – Jair Bolsonaro, entretanto, decidiu não levar a sério as recomendações e partiu para uma ofensiva estranha, ao fazer questão de ir as ruas e promover aglomerações nas quais deixa-se fotografar ao lado de populares e apertar as mãos de muitos que o apoiam.

Como se verifica, tudo exatamente ao contrário das determinações não só de Mandetta, mas também por todas as autoridades no assunto. Incrível esse seu posicionamento.

Com tal atitude Bolsonaro comete um segundo equívoco.  Juntar-se a grupos populares nas ruas não vai acrescentar votos na sucessão presidencial, uma vez que o Datafolha já apontou uma perda de 17 pontos percentuais exatamente pelo comportamento que colocou e está colocando em prática.

UM DESSERVIÇO AO POVO – O presidente da República está simplesmente fazendo um desserviço para com a população brasileira. Em função de tudo isso, perde espaço junto aos eleitores de hoje e também aqueles que vão se inscrever na Justiça Eleitoral ao longo dos dois próximos anos. Por isso, o maior adversário de Bolsonaro nas urnas é ele próprio.

Seu maior adversário em matéria de voto sem dúvida é o governador de São Paulo, João Doria, que inclusive já tornou públicas as restrições lançadas sobre a imagem de Bolsonaro. Transportando a realidade de hoje com o que pode ocorrer no futuro, cito João Doria porque todo governador de São Paulo é sempre um candidato em potencial à presidência da República.

UMA DISPUTA EM ABERTO – Além disso, Doria tem trabalhado sua imagem de forma eficiente, assim como Wilson Witzel, no Rio de Janeiro. Mas fiz a ressalva de que essa é uma hipótese com a qual se defronta o presidente da República.

Jair Bolsonaro chegou ao poder combatendo o lulismo, o petismo e a corrupção, fazendo um contraponto que o levou a vitória por larga margem nas urnas. Mas uma parte desse eleitorado hoje tem o impulso impossível de pegar seu voto de volta. Isso é uma coisa. Outra as perspectivas da economia. Não são boas. Como admitiu o próprio ministro Paulo Guedes, o PIB poderá cair atém 4%. Seria um desastre para todos nós.

17 thoughts on “Nas urnas de 2022, Jair Bolsonaro enfrentará a si mesmo, além dos outros candidatos

  1. Acho sem o menor sentido ficar discutindo a próxima eleição, a essa altura do campeonato.
    Deus nos livre dos tucanos hipócritas. Eles arruinaram o país nos anos 90, e só serviram para dar cobertura ao lulismo, depois de 2002. Foram a oposição mais inútil que algum governo poderia desejar, e só preocuparam em combater tudo que era do interesse do povo, como o combate à corrupção. Os tucanos foram melhores que o PT em que? Que moral eles pensam que tem para criticar Lula? Que os petistas elejam o próximo presidente, assim os tucanos poderão voltar a seu papel preferido de “oposição construtiva”.

  2. Quando um presidente, indo contra as medidas da ciência sai às ruas apertando as mãos das pessoas, rindo e contando piadas, é um incentivo às pessoas saírem as ruas sem se preocupar com o contágio.
    Bolosonaro dá a sensação de que a sua reeleição está perdida, passou a apostar no caos e na hipótese de uma intervenção militar.

    • Como sempre o nosso mestre Pedro do Couto põe o dedo na ferida exposta da nação.
      E como bem disse, Nélio Jacob, parece que os estrategistas do Olavismo flertam com o quanto pior melhor. Já falam abertamente no Estado de Sítio ou Estado de Defesa, se ocorrerem saques ou desabastecimento.
      O atraso nas medidas de apoio aos informais, as médias e pequenas empresas, podem gerar mais demissões de trabalhadores.
      A cartilha neoliberal do Ministro Guedes, o impede de assistir aos pobres e aos trabalhadores do comércio com recursos do Tesouro.
      Emblemática a fala do presidente do Banco do Brasil, Rubens Novaes: ” governadores e prefeitos impedem a atividade econômica oferecendo em troca, esmolas com o dinheiro alheio. Esmolas atenuam o problema, não o resolvem. Depois que se monta um grande Estado assistencialista fica difícil desmonta- lo “. Trata-se de um ventríloquo do Guedes, dizendo o que pensa o ministro, já muito desgastado ao afirmar que havia uma farra danada com as empregadas domésticas viajando para a Disney, demonstrando um preconceito abissal contra os trabalhadores.
      Ora, o PIB do mundo todo, em escala global vai diminuir, qual a razão de achar, que o do Brasil deveria subir?
      Creio, que eles querem alavancar a economia as custas da desgraça do povo infectado pelo corona, colocando- a como prioridade antes da vida.
      Nas tragédias é que passamos a conhecer, o verdadeiro caráter dos indivíduos. Suas máscaras começam a cair e o rosto aparece completamente apodrecido.

      • Decretar estado de sítio pra quê? As medidas do isolamento ou distanciamento social, que vem sendo ao redor do Planeta Pandemia, tem sido muito mais severas do que seria admissível em um estado de sítio, e não tem despertado nenhuma preocupação da parte de ativistas e entidades de direitos humanos. A maior parte do mundo parece ter adotado a máxima os versos finais do Estuan Interius, da Carmina Burana: “mortuus in anima/curam gero cutis” (“morto na alma, cuido do corpo”) .

        O jornalista inglês Peter Hitchens, irmão do falecido Christopher, diz que o ministro da saúde britânico ameaça agora proibir pessoas de sair de casa para fazer exercícios ou tomar sol. Segundo Hitches, uma potência estrangeira que invadisse a Grã-Bretanha não teria o direito de fazer isso, nos termos da Convenção de Genebra:
        “Matthew Hancock, secretário de Estado da Saúde, foi à televisão nacional ameaçar proibir exercícios ao ar livre se as pessoas continuassem quebrando as regras de ‘distanciamento social’.

        De um governo que afirma estar preservando a vida e a saúde, essa ameaça era literalmente louca.

        A proibição de exercícios por qualquer período de tempo levará à morte e à doença de muitos milhares de idosos atualmente saudáveis ​​e que sabem que esse exercício é vital para seu bem-estar físico e mental.

        Esse exercício pode ser realizado com facilidade, mantendo a distância necessária dos outros. A ameaça era ditatorial, de punição coletiva de todos pela transgressão de outros.

        Isso é ilegal nos termos do artigo 33 das Convenções de Genebra de 1949. Um ocupante estrangeiro não teria permissão para fazê-lo.”
        https://hitchensblog.mailonsunday.co.uk/2020/04/peter-hitchens-matt-hancock-is-trying-to-run-the-uk-like-my-1950s-prep-school.html

  3. Outra coisa, a disputa eleitoral em 2022 está muito longe. Pensar nisso agora é de um individualismo, de um egoísmo atroz. É não pensar na nação, nas agruras atuais do povo, apenas e tão somente no seu próprio umbigo. Isso vale para presidente, governadores, prefeitos e candidatos a tudo.
    Que terror.

  4. O decréscimo do PIB é inevitável nas atuais circunstâncias, e nem o Maia ou o Doria, heróis da mídia, teriam condições de reverter isso, se estivessem à frente do governo.
    Talvez pro futuro se planeje um investimento maciço em novas tecnologias- generosamente financiado, claro, pelo FMI, BIRD e banca privada – para substituir os trabalhadores isolados, já que máquinas não adoecem. Como as pessoas vão viver é outro problema. Talvez se dê a todo mundo uma ajudinha de meio salário mínimo, financiadas com mais dívidas, ou então o governo vai apenas imprimir mais dinheiro pra isso. Ou então vão mandar as pessoas se endividarem elas mesmas para dar um jeito de sobreviver, para realizar os sonhos de teóricos do neoliberalismo, como o economista peruano Hernando de Soto.

  5. O brasileiro precisa parar com essa mania de sempre projetar a sua vida e a do país olhando para o futuro, e não vivendo o presente.

    Os governantes terão um trabalho árduo quando o vírus for controlado.
    A sociedade deverá ajudar, contribuir, colaborar.
    Mas, lamentavelmente, não será assim.

    Prefeitos, governadores e o presidente responderão para o povo que acabou o dinheiro;
    a população, caso se manifestar, dirá que precisa cuidar da sua vida porque as dificuldades estão insuportáveis.

    Falar em eleições nesse momento, se sequer sabemos se vamos sobreviver e até Bolsonaro, que está sendo imprudente e irresponsável com as suas andanças, mais uma vez deixaremos um hiato atrás de nós ou vários anos perdidos.

    Curiosamente, o COVID-19 veio mostrar que havia dinheiro nos cofres do país.
    Se tivesse sido usado no início do governo do atual presidente, de modo que combatesse o desemprego, pelo menos, a nossa economia não seria tão abalada quanto se constatará no fim da pandemia.

    No entanto, não estou criticando o articulista, o correto Pedro do Coutto, porém a intenção de qualquer político nesse momento tão grave que vive esta nação e seus cidadãos, fazer campanha almejando ser reeleito.

    • “Prefeitos, governadores e o presidente responderão para o povo que acabou o dinheiro;
      a população, caso se manifestar, dirá que precisa cuidar da sua vida porque as dificuldades estão insuportáveis.”
      Será assim mesmo, e ficará muito difícil dizer para essas pessoas que elas estão pensando de forma errada.
      A pandemia garantirá que ficaremos quebrados até o fim do século, pelo menos. Algum governo posterior poderá vir a esbanjar dinheiro em megalomanias e roubalheiras, como de costume, mas isso sera apenas mais um ato de consumir o futuro.

  6. Senhores se o trabalho fosse feito todo certinho, com o presidente visitando hospitais em alguns estados, dando ajuda ao mais carentes e digo até a ajuda moral pois é diferente quando vemos ou sentimos que nossos superiores olham por nós.
    Ainda assim, os adversários do PR usariam a pandemia contra ele nas próximas eleições.
    Mas o ASNO desculpe a ofensa (pedido aos asnos), com o comportamento atual vai levar milhares de mortes nas costas e pior, não será só para esta encarnação não; o inferno que ele está forjando para si será imenso. Quem viver verá.

  7. Muito papo furado e a gente não tem como não condenar um artigo desse. O presidente da República está simplesmente fazendo o que um presidente precisa e deve fazer: transmitir ânimo e esperança e não se converter em mensageiro da desgraça.

    Outra asneira é dizer que o presidente “perde espaço junto aos eleitores de hoje e também aqueles que vão se inscrever na Justiça Eleitoral ao longo dos dois próximos anos. Por isso, o maior adversário de Bolsonaro nas urnas é ele próprio”.

    Foi contra essa imprensa tradicional, vulgo “mídia porca”, que Bolsonaro lutou e luta. Não se esqueçam que quase TODOS apostavam na derrota dele e, incluisive, diziam que não tinha nenhuma chance. Eis aí o presidente do Brasil.

    Na verdade a gente rebate aqui, apenas para que fique registrado, pois o maior adversário de vocês se chama Jair Messias Bolsonaro, para quem fazem propaganda (sem saber) todos os dias. O povo não é bobo.

    E outra: o que governadores estão fazendo é um suicídio fiscal, apenas para desgastar o presidente. Nunca foi pela saúde e nem será. Comunista não tem mãe nem pai. Preferem o caos para dele tirar proveitos eleitorais.

    PS.: Estamos juntos presidente Jair Messias Bolsonaro.

  8. O COVD ESTA DESNUNANDO A MISERIA DIARIA POR QUE PASSA A POPULAÇÃO,ALUNOS POBRES NÃO PODEM FICAR EM CASA PORQUE A UNICA ALIMENTAÇÃO E NA ESCOLA ISSO É O DIA A DIA QUE NOS NÃO QUEREMOS VER.

  9. GILBERTO VOCE TEM IDO TRABALHAR OU PASSEAR PELAS RUAS, USA MASCARA ,LAVA AS MÃOS COM FREQUENCIA,APERTA MÃOS E BEIJA ROSTOS POSSIVELMENTE NÃO JÁ QUE DEVE ESTAR SEGUINDO AS REGRAS CINTIFICAS.

    • Que em resumo, estarão espremidos entre os que ainda votarem na linha bolsonarista, e o eleitorado cativo do PT. Doria e Maia só terão o eleitorado que acredita piamente no que diz a Globo, e precisam torcer muito que a audiência cativa fornecida pelo isolamento ao projaquistão surta efeito.
      Os simpatizantes de Bolsonaro não votarão em Doria, nem os petistas que fazem jogo próprio.

  10. No dia em que este boçal se der conta de que ficando quieto aumenta o número de fãs, ele se reelege na boa. Mas este dia nunca vai chegar, o boçal não sabe ficar de boca fechada, aí já pode começar a se acostumar com a vida de paisano.

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