Negar a política é uma boa maneira de conseguir votos

O candidato a prefeito de São Paulo João Doria Jr., do PSDB

Negando ser político, Dória virou um fenômeno eleitoral

Bernardo Mello Franco
Folha

A suspeita de que a crise de 2016 daria na negação da política começa a se revelar acertada. Nas duas maiores cidades brasileiras, candidatos que fogem do perfil tradicional chegam às urnas com ampla vantagem nas pesquisas. Em São Paulo, um dublê de milionário e apresentador de TV disparou na liderança com 44% das intenções de voto. João Doria, do PSDB, explora dois sentimentos em alta na cidade: a antipolítica e o antipetismo.

“Não sou um político, sou um empresário”, ele repete, desde o início da campanha. O tucano também capitalizou o cerco da Lava Jato ao PT. “Lula é um sem-vergonha, um cara de pau”, ataca, como se estivesse num trio elétrico na avenida Paulista.

No Rio, um bispo da Igreja Universal que ganhou fama como cantor gospel lidera a corrida à prefeitura. Marcelo Crivella, do PRB, tem 32%. Após uma longa temporada de transformações urbanas para a Olimpíada, ele baseia sua campanha num lema curioso: “Chega de obras, chegou a hora de cuidar das pessoas”.

TAMBÉM EM BH – O fenômeno do eixo Rio-SP se repete em Belo Horizonte, onde dois personagens do futebol dominam a disputa. O ex-goleiro João Leite, do PSDB, e o cartola Alexandre Kalil, do PHS, disputam o segundo turno. O slogan do ex-presidente do Atlético Mineiro é direto: “Chega de político”.

Há uma longa distância entre a conversa dos candidatos e a realidade. Doria já exerceu cargos nos governos Covas e Sarney. Deve sua escolha a outro cacique, o governador Alckmin. Crivella é senador há 14 anos, e Leite está no sexto mandato de deputado. O discurso de negação da política é furado, mas parece dar voto.

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PS –
No primeiro teste pós-impeachment, o PT teme sofrer o maior revés em eleições municipais desde 1985. A única capital em que o partido lidera isolado é Rio Branco, no Acre. Por isso, levar Fernando Haddad ao segundo turno em São Paulo se tornou vital para o futuro da sigla. Daqui a pouco saberemos. (B.M.F.)

17 thoughts on “Negar a política é uma boa maneira de conseguir votos

  1. O sucesso eleitoral da negação da política nada mais é do que um reflexo da política que hoje temos. Isso não é só no Brasil. Donald Trump só está aí porque muitos americanos estavam fartos dos políticos tradicionais, de suas palavras vazias e de seus interesses escusos.

  2. Ele diz que o Dória é “dublê de milionário e apresentador de TV” e depois vem dizer que o cara engana quando fala que não é político. Decida-se ou pare de escrever besteira. Tá difícil ler a Fôia.

  3. Fui cumprir o meu ‘dever / obrigação ‘cívica. O local de votação fica no primeiro andar e o elevador do local está quebrado há 9 meses.
    Não havia nenhuma acessibilidade para deficientes e idosos, como também não havia urnas no térreo. O pessoal do TRE chegou a falar para uma idosa que ele ‘não estava mais em idade de votar’…. Belo direito que existe no Gran Circus Brazilis…

  4. Fui numa periferia de SP. E o lugar de votação bem pobre o local. E vi uma pessoa perguntando qual o número do Dória. Fiquei reflexivo o quanto o PT vai perder dentro das periferias de SP. Interessante se eles vão falar que o cidadão da periferia é coxinha.

  5. “”um dublê de milionário “””.

    Só a Folha do ZéVampíro da Móoca para escrever uma bobagem dessas.
    Se ele é um dublê quem é o Milionário.???
    Por isso que o Jornaleco encalha nas Bancas..

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