Negromonte pode ser demitido antes de Lupi, e com a mesma rapidez do Veículo Leve sobre Trilhos.

Carlos Newton

Reportagem de Leandro Colon no Estadão mostra que a situação se complicou para o ministro Mario Negromonte, das Cidades, aquele mesmo que há alguns meses denunciou que boa parte da bancada de seu partido (PP) é formada de fichas-sujas, e agora se mostra em idênticas condições.

O analista técnico do Ministério das Cidades Higor Guerra confirmou a pressão que sofreu para adulterar o processo que trata da implantação de sistema de transporte público em Cuiabá para a Copa do Mundo de 2014. Ele disse que a operação fraudulenta começou após o Ministério Público de Mato Grosso pedir os documentos e a Controladoria-Geral da União (CGU) emitir parecer contrário à obra.

“Sim, houve uma fraude” disse o funcionário, que também entregou à reportagem uma cópia do depoimento que prestou na sexta-feira ao Ministério Público Federal, quando deu detalhes da operação fraudulenta, que escondeu sua nota técnica de 8 de agosto, contrária ao projeto de R$ 1,2 bilhão para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que substituiu o BRT (linha rápida de ônibus).

O projeto do BRT custaria R$ 489 milhões. A diferença de custo é superior a R$ 700 milhões, nada mal. E a fraude seria suprapartidária, para cumprir um acordo político do governo federal com o governo de Mato Grosso, Sinval Barbosa (PMDB), a favor do VLT.

Segundo Higor Guerra, no dia 29 de junho, numa reunião com integrantes do governo de Mato Grosso, os técnicos estaduais “reconheceram que não tinham conhecimento técnico sobre o projeto de VLT, e que a decisão de sua implantação havia sido política”.

A gerente de projetos do ministério, Cristina Soja, no entanto, disse a ele que “a posição do órgão (ministério) tinha que estar em sintonia com a decisão do governo”. Higor argumentou que o cronograma do VLT era falho, “pois previa várias fases sendo realizadas ao mesmo tempo de forma incorreta”.

O analista entregou ao Ministério Público Federal 200 páginas e nove anexos sobre o caso. Ele disse acreditar que a fraude ocorreu no dia 26 de outubro, quando descobriu uma “alteração na pasta de rede” em que são guardados esses documentos, incluindo sua nota técnica. No dia seguinte, o Ministério das Cidades providenciou o envio dos papéis para o Ministério Público de Mato Grosso, com a nota técnica fraudada, agora a favor do VLT.

Bem, Negromonte agora pode cair antes de Lupi, que é um contorcionista político de primeira, digno de destaque no elenco do Cirque du Soleil.

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