Nem as palavras escapam

Informação-opinião

Depois da degradação da corrupção, senadores violentam a palavra, precisam urgente de um Aurélio ou Houaiss, desconhecem a língua

Apesar de dizerem orgulhosos, “sou senador da República”, muitos são apenas suplentes, alguns tão republicanos quanto o partido desse nome que quase enterrou a República.

Mas não foi sempre assim. Basta lembrar do primeiro presidente do Senado, Prudente de Moraes, que NÃO QUIS ser candidato a presidente da República em 1890, garantiu: “A República nasceu tão desequilibrada que não aguenta minha vitória”.

Não aguentava mesmo. Candidato e presidente em 1894, foi o CONSOLIDADOR DA REPÚBLICA.

O depoimento (CONTRA) de Dona Lina foi vergonhoso, constrangedor, exibição completa de falta de educação. A impressão era de que nos dias anteriores já haviam esgotado o estoque de violência. Longe disso.

A vítima agora, o vernáculo

Oposição e situação praticaram o “crime ortográfico” da repetição, o que não é louvável. Quase todos usaram e abusaram da palavra PREVARICAÇÃO, até mesmo Mercadante, que tem boa formação.

O que é realmente PREVARICAÇÃO

1 – É exclusivo de funcionário público. Dona Lina é. 2 – Ato praticado irregularmente em benefício próprio. Fica evidente o desconhecimento dos nobres senadores.

Convocação-custo-benefício

3 – Não houve irregularidade, a secretaria foi chamada ao Planalto-Alvorada, compareceu, num gesto de boa educação. 4 – Ela não é hierarquicamente subordinada a Dona Dilma.

Como dizer, “Não vou”?

5 – Mas depois do presidente da República, ninguém é mais poderoso do que o Chefe da Casa Civil. 6 – Qual foi o benefício que Dona Lina obteve atendendo a uma convocação, a não ser essa exposição a que está sendo brutalmente submetida?

O crime dos senadores

6 – Eles é que há meses estão estarrecendo, assombrando e revoltando o cidadão-contribuinte-eleitor com suas práticas IRREGULARES EM BENEFÍCIO PRÓPRIO.

7 – Dirão: “Não praticamos PREVARICAÇÃO, não somos FUNCIONÁRIOS”. E isso seria PREVARICAÇÃO ortográfica, ninguém é mais funcionário do que eles, excluídos os 20 suplentes, que realmente praticam PREVARICAÇÃO eleitoral, exercem cargo que não conquistaram.

Acareação: o susto do Planalto

9 – Os senadores que se fartaram de exibir a palavra PREVARICAÇÃO, talvez estejam com razão ao condenar Dona Lina, quando respondeu afirmativamente “a senhora aceita acareação com Dona Dilma?”.

A vitória de Dona Lina

10 – Apesar de “massacrada” pela ignorância e a péssima educação de tantos, aceitando a ACAREAÇÃO, aí a ex-secretaria pode realmente ser enquadrada porque aceitou sabendo que seria completamente beneficiada.

Desejo não secreto

11 – Uma conclusão não exposta, mas completamente visível: quase todos, oposição e base, queriam que a secretaria denunciasse Dona Dilma.

Mercadante mitômano

José Serra chamou Mercadante da palavra que está no título. Totalmente equivocado, mas o senador de São Paulo que se defenda, fazia isso muito bem. Até ser estranhamente isolado e silenciado pelo Planalto-Alvorada.

Serra e a palavra

O governador de São Paulo não devia se aproximar da palavra “mitômano”, teve um suplente 6 anos no “seu” cargo de senador, agora diz que é contra o suplente.

Filantrópico e pilantrópico

Quando era Ministro, Serra usou em benefício próprio a palavra “filantrópico”. O senador Jacques Ornellas (da Bahia), contestou imediatamente, disse da tribuna: “Serra é pilantrópico. Não sabe o que é ser filantrópico”. Nenhuma resposta.

Sarney, a decadência do sempre

Não foi a omissão (ou ausência) de ontem que arruinou a biografia do ex-presidente da República por acaso e do Senado por insistência. Mas essa insistência não pode existir mesmo se  o Planalto-Alvorada insistir.

Artur Virgílio cresceu, Flavio Arns apareceu

PS – O que sobrou da sessão de ontem? A grandeza de Artur Virgílio se defendendo e a emocionante CONFISSÃO de Flavio Arns: “O PT, meu partido, jogou a ÉTICA NO LIXO, estou envergonhado de ter escolhido o PT como meu partido”.

PS2 – Há muito não se ouvia um pronunciamento tão vibrante, brilhante e conflitante com quase tudo que está em volta dele. Ainda existem senadores no Senado e isto não é redundância.

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