Nem tudo será igual na eleição de 2014

Carla Kreefft

As características das eleições de 2014, muito provavelmente, serão muito diferentes das relativas aos pleitos anteriores. Motivos para a diferenciação não faltam.

O contexto externo à própria eleição define uma das importantes diferenças. Em 2010, quando Dilma Rousseff, foi eleita, havia um clima de euforia porque o Brasil tinha conseguido escapar da crise econômica e se postava como uma nova potência mundial. Agora, a situação é um pouco diferente. A economia brasileira não vai mal, mas já sofre alguns impactos. A inflação passou a ser uma ameaça mais factível, e o crescimento de alguns indicadores tende a ser menor. Por outro lado, outros países, especialmente os Estados Unidos, já começam a demonstram importantes sinais de recuperação. Diante desse quadro, é difícil prever a situação em 2014, mas, certamente, o favorecimento ocorrido em 2010 não vai se repetir.

Outra diferença a ser destacada diz respeito ao papel do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, ele não é candidato nem está tentando fazer seu sucessor, como em 2010. Por mais força que ainda tenha, agora Lula é um ex-presidente. Quem está no comando da sucessão é Dilma Rousseff. Tal como fez na Presidência da República, Dilma deverá tentar imprimir um ritmo próprio ao seu processo sucessório, o que é algo que já está causando uma certa preocupação aos petistas. Nos bastidores, a cúpula petista admite que a presidente tem dificuldades na articulação política e passa muito longe do que eles chama de “jogo de cintura de Lula”. Evidentemente, essa falta de habilidade será compensada pela assessoria atenta e até fiscalizadora de Lula. Entretanto, até essa necessidade de proximidade pode vir a ser problema. Dilma Rousseff não gosta de ser conduzida.

Há ainda um fator a ser destacado: o número de concorrentes na eleição de 2014 poderá ser maior do que o registrado em 2010. Além do Rede de Sustentabilidade, que ainda não está oficialmente criado, partidos como o PV e o PSD estão pensando em lançar candidatos. A polarização entre PT e PSDB não deixará de existir, mas há aí a possibilidade de esses dois partidos perderem eleitorado para as siglas alternativas, o que fomenta a competição e deve deixar a disputa mais acirrada.

A possibilidade de o PSDB apresentar um candidato à Presidência que vai concorrer ao cargo pela primeira vez também traz uma tom diferente à eleição de 2014. A forma pela qual o senador Aécio Neves vai conduzir sua campanha eleitoral ainda é uma incógnita. A intensidade das participações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do ex-governador José Serra no processo eleitoral pode vir a ser um importante diferencial tucano.

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