Ney Franco, treinador vitorioso da seleção Sub-20, quase mata os torcedores de enfarte, escalando Dudu e Negueba apenas no segundo tempo.

Carlos Newton

Depois do vendaval e do sufoco da partida final, enfim uma bela comemoração em Copa do Mundo. Desde 2003 o Brasil não era campeão mundial de nenhuma categoria de futebol – principal, de base ou feminino. O jejum era de 18 torneios sem conquistas, e pode ser atribuído a Ricardo Teixeira, o milionário, corrupto e irremovível dirigente da CBF.

Desta vez, Teixeira deu sorte ao escolher o treinador Ney Franco, que também teve muita sorte, ao inovar, criando criar um curioso estilo de escalar o time, que quase mata de enfarte os torcedores. Ao invés de colocar a equipe principal em campo, com os 11 titulares, Ney Franco só escalava nove deles e deixava os outros dois titulares no banco.

Assim, o primeiro tempo das partidas era um martírio para a torcida e para o próprio time. Depois, no segundo tempo, Ney Franco então fazia substituições e colocava em campo os dois titulares preteridos, o armador/atacante Dudu, do Cruzeiro, e o ponta direita Negueba, do Flamengo.

Toda vez que entraram, Dudu e Negueba desequilibraram as partidas, o time passava a jogar ocupando o campo inteiro, com Dudu caindo pela esquerda e Negueba pela direita, descendo até a linha de fundo e literalmente enlouquecendo os adversários.

Foi assim que o Brasil empatou com a Espanha (um time taticamente superior) e ganhou nos pênaltis, depois venceu o México e ontem acabou virando o jogo e derrotando Portugal. Sem Dudu e Negueba no time, poderíamos até esquecer o título, as outras seleções jogavam de igual para igual contra nós.

Esta Copa do Mundo Sub-20 é da maior importância, porque mostra a necessidade de a seleção brasileira jogar aberta, com dois especialistas em subir até a linha de fundo e cruzar a bola, com sempre foi praxe no futebol brasileiro, uma realidade que os técnicos insistem em desconhecer. Basta lembrar a célebre campanha: “Escala ponta, Zagallo!”

E assim o Brasil enfim chegou ao seu quinto título no Sub-20, diminuindo  a distância para a Argentina, que tem seis Copas. Mas daqui a pouco a gente lá. Se escalarmos pontas, é claro.

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