Niemeyer, o mestre

Sebastião Nery

Perseguido pela ditadura militar no governo Médici, o empresário e meu editor (“Socialismo com Liberdade”, pela Paz e Terra) Fernando Gasparian estava vivendo em Londres, em 1973, dando um curso de America Latina na Universidade de Oxford. De manhã cedo, passou no hotel e nos pegou, à professora Philomena Gebran e a mim: 

– Vamos para Oxford, para a Universidade. O Oscar Niemeyer vai fazer uma conferencia sobre sua arquitetura e sobre Brasília. Do reitor aos principais professores estarão todos lá.

Passamos também pela casa do jornalista e ex-deputado exilado Hermano Alves, que trabalhava na BBC, e o apanhamos. Uma aventura. Gasparian correndo a 150 quilometros e, como bom inglês, ainda dirigindo do lado direito (Ibrahim Sued: “Na Inglaterra, quem dirige é o outro”), numa estrada de permanente e hipotética contramão.

***
GASPARIAN

Oxford tinha 31 institutos independentes, 15 mil alunos e 5 mil professores,  todos vivendo ali, dentro de maravilhosos prédios medievais.

Professores e alunos dos mais diversos institutos estavam lá. Prestígio do gênio Niemeyer e de Gasparian e seu curso sobre a América Latina.

Niemeyer, de pé, com dezenas de cartolinas sobre um cavalete, ia falando, desenhando e jogando as longas folhas no chão. O sucesso foi tal que, quando terminou, os ingleses literalmente invadiram o palco, homens e mulheres, professores e professoras, para pegarem as cartolinas em que ele riscara ligeira e didaticamente seus projetos. Disse um professor:

– É o maior arquiteto do século, mesmo contando o Corbusier.

Depois da conferência, noite a dentro, debates.

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OXFORD

No fim, o reitor convidou Niemeyer, Dalva e Gasparian, minha mulher e eu, para jantarmos. Vi a Philomena confabulando com a Dalva. Só então me lembrei de que era meu aniversário: 41 anos.

E tive o orgulho baiano de ver o reino da Inglaterra, representado pelo reitor de sua principal universidade, aparecer lá de dentro trazendo um bolo, uma vela acesa e cantarem todos o “Parabéns Para Você”. Para mim. A partir daí, acho tudo da Inglaterra lindo. Até a Camilla.

O que fizeram de Londres e outras milenares cidades inglesas, nessas duas últimas semanas, quebrando, queimando, incendiando tudo, foi uma barbaridade. A Europa está pagando o crime de séculos de ver os imigrantes apenas como mão de obra, sem se abrir às suas culturas.                                                       

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“OPINIÃO”                

Em Londres, de volta, na casa dele, o incansável Gasparian teve uma longa conversa comigo e a Philomena sobre o jornal “Politika”: como conseguíamos, e mais o Oliveira Bastos, manter o jornal há mais de dois anos, sem falhar uma semana, com censura, fazendo oposição ao governo, sem propaganda oficial nem das grandes empresas sempre governistas.

Ele havia acabado de lançar, com sucesso, o “Opinião”, enfrentando todo tipo de dificuldades, do governo, da censura, da falta de recursos que, evidentemente, eram bem maiores do que os nossos. Eu lhe abri o jogo:

– Lançamos o “Politika” porque não havia nenhum semanário de oposição ao governo, alem do “Pasquim”, que faz oposição, mas de humor. Estávamos cumprindo um dever com o país. Na hora em que você consolidar o “Opinião”, nós fecharemos o “Politika”, porque não há espaço para dois e já teremos cumprido nossa tarefa.

Dissemos e cumprimos. Mantivemos o “Politika” mais um ano, até 1974, e o bravo “Opinião” circulou até 1977.

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JOBIM

A imprensa já esqueceu a empáfia do aprendiz de “marechal” Nelson Jobim, mas os corredores do palácio do Planalto, que o chamam assim, não. Depois que a turma da Dilma leu com calma o numero 59 da tormentosa revista “Piauí”, multiplicaram-se as piadas e brincadeiras:

1. – “Terá sido simples coincidência que a excelente matéria da Consuelo Dieguez seja ilustrada, na capa, exatamente por um Chipanzé”?  

2. – “A presidente Dilma não tinha mesmo nada a fazer além de demiti-lo sumariamente, de pé, numa conversa de dois minutos. Mas alguém poderia processá-lo pela Lei Maria da Penha: ele só ataca mulher”.

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SARNEY

O povo sabe : aonde a vaca vai, o boi vai atrás. Sarney andava pelo Maranhão, a corrupção se alastrou escandalosamente no Estado. Sarney foi para o Amapá, virou a capital nacional da corrupção. Já foram presos governadores, prefeitos, secretários. Agora, a Policia Federal implodiu o ministério do Turismo. Onde fica o centro do escândalo? No Amapá.

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