Ninguém aguenta mais. Não param de surgir denúncias envolvendo Cachoeira.

Carlos Newton

É impressionante como um homem como Carlinhos Cachoeira tenha conseguido se infiltrar em diferentes órgãos públicos federais e estaduais. Sabe-se que ele até interferia nas promoções na Polícia Militar de Goiás. E agora é o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) que se vê obrigado a afastar o superintendente do órgão no Distrito Federal, Marco Aurélio Bezerra da Rocha, suspeito de envolvimento em tráfico de influências com o surpreendente empresário-bicheiro de Goiás.

Devido à Semana Santa, a decisão, tomada na última quinta-feira, só foi publicada ontem no Diário Oficial da União. Rocha foi afastado do cargo por 30 dias, e será substituído temporariamente por Luis Fernando de Souza.

O Incra já havia anunciado que afastaria servidores que ocupavam cargos de chefia na superintendência do DF, “permitindo, assim, que as investigações transcorram de maneira isenta”, porque gravações realizadas pela Polícia Federal com autorização da Justiça durante a Operação Monte Carlo revelaram que o grupo de Cachoeira, denunciado por suspeita de comandar um esquema de exploração de jogos ilegais, negociou propina no Incra com o objetivo de regularizar uma fazenda.

O relatório da Polícia Federal menciona valores e diz haver envolvimento de Rocha com o grupo do empresário-bicheiro. O superintendente afastado, no entanto, disse à Folha que nunca teve reuniões com as pessoas citadas nos relatórios da Operação Monte Carlo. Será?

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DECADÊNCIA MORAL

Traduzindo tudo isso: a existência de um personagem como Carlinhos Cachoeira mostra a deterioração da política brasileira, na qual a corrupção realmente passou a fazer parte da rotina administrativa, com impunidade garantida.

O grau de surrealismo é tamanho que um homem sem escrúpulos como Cachoeira consegue ser defendido por um ex-ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos. É certo que todo criminoso tem direito a defesa, mas quem ocupa o cargo de ministro da Justiça deveria ser mas seletivo na escolha de clientes.

Isso parece óbvio, mas quando lembramos que personalidades como Renan Calheiros e Jarbas Passarinho foram ministros da Justiça, é realmente desanimador.

Calheiros tem diploma de advogado, mas nunca exerceu a profissão, pois se elegeu deputado estadual quando ainda nem  tinha se formado. Já Passarinho, coronel do Exército, foi ministro e seu maior feito foi a portaria criando a nação Ianomami, um território do tamanha da Itália, onde vivem apenas 4 mil índios. 

E o notório saber? Serve para quê mesmo?

 

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