Ninguém joga dinheiro no lixo. Sempre é movido pelo interesse.

José Reis Barata

Oh! Félia, (afora ter percebido teu profundo desinteresse por astrologia) opinião não é verdade, nem mandamento. O que opinei vai na esteira do que Newton defende: liberdade de expressão, nem um milímetro a mais ou a menos.

Poucos, talvez, acompanhem tão de perto, assiduamente e atento o incomum e valiosamente cívico trabalho do Newton quanto este colega, e, por conseguinte, bem imagina o esforço que é dar continuidade ao Blog que dele necessária e exclusivamente depende.

Não se considere que minha opinião é, portanto, contrária a contribuições, nunca. Também, saliento, preciso do Blog para alimento de minha vaidosa ilusão e dou minha contribuição, como todos os demais com o papel que me cabe no jogo.

Ninguém joga dinheiro no lixo. Sempre é movido pelo interesse. Paga, compra sempre um bem ou serviço e até mesmo honra. Insisto que na vida dita civilizada tudo tem preço; valor que pode ser aferido em números, moeda. 

Marx não inventou, somente observou, que o econômico é a sustentação, não exclusiva, da superestrutura: religiosa, moral, filosófica, jurídica, política, etc.; ou seja, da própria vida. Entretanto, não posso calar que elas (as contribuições do modo escolhido) podem levar a ridiculização do Blog fazendo dele um reles muro de pichações que decretará seu fim haja vista um inevitável e desmerecedor descrédito pelas relações naturalmente contaminadas que frutificarão e desencadearão um desordenado palco de sem-terras, ou, sem espaço misturando as partes deste latifúndio que a cada um cabe.

Locomotiva é locomotiva, vagão é vagão. Não há nenhuma inferioridade, qualquer desvalor nesta relação; escritor e crítico; vidraça e pedra, naturezas e funções distintas. Para não ter quer trocar todo dia a janela; torná-la segura, vistosa e atraente o vidro não prescinde da qualidade; a locomotiva precisa de força e vigor, energia de autoridade no nome, estilo, informativa, opinativa e literária. Um Helio, um Nery, um Coutto, um Pinho e mesmo um Chagas do PUG; um Newton com suas sóbrias e imparciais novidades e escolhas iluminam o caminho. Entulhos (não significa dizer que tudo o seja; de modo algum. Isto é outra questão) e não celebridades fecham a porta. A vida é assim: nossa vaidade não faz o artigo embora, no mais das vezes, o inverso seja verdadeiro.    

A conhecida publicidade é, sem dúvida, a melhor via para o Blog e nela acredito. Mas – como tudo na vida – exige uma custosa e indispensável contrapartida meio: valor que desperte interesse. E, não será com trenzinhos de Santa Tereza ou com carroças desembestadas que o desqualificam que será obtida. Recordo Chico em “Funeral de um Lavrador”:

“Esta cova em que estás com palmos medida/ É a conta menor que tiraste em vida / É de bom tamanho nem largo nem fundo/ É a parte que te cabe deste latifúndio…”.

Oh! Félia, posso pensar e opinar assim? Talvez seja uma questão de preço de meus princípios e valores, de minha contribuição.

 

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