Níveis de desemprego derrubam tese monetarista de desenvolvimento

Pedro do Coutto

Em O Estado de S. Paulo, o jornalista Celso Ming publicou importante matéria sobre os índices de desemprego em diversos países, dos quais pode-se obter a constatação de que as taxas mais altas coincidem com a ocorrência de crises financeiras. Portanto, a carência social de trabalho é claro indicador de problemas, sejam eles conjunturais ou estruturais. Não são assim os salários a fonte dos desequilíbrios nos orçamentos de nações. Pelo contrário: são reflexo de políticas mal sucedidas, culminando com a concentração de recursos em setores não economicamente reprodutivos. Lógico. Pois se fossem reprodutivas no plano do crescimento, o desemprego seria baixo. E não é.

Antes de focalizar diretamente os números e as coincidências, vamos aos seguintes fatos, todos eles reveladores da importância estratégica do trabalho humano: o presidente Roosevelt, ao assumir a Casa Branca em 33, lançou um plano emergencial de pleno emprego nos Estados Unidos. Resultado: superou o crack de 29 e colocou o país na linha de frente do progresso mundial. No Brasil, final da década de 50, JK promoveu o pleno emprego, estabeleceu o maior salário mínimo da história do país (1.709 reais aos preços de hoje, mais de 3 vezes o piso atual) e fez o PIB avançar 9%.

O presidente Bill Clinton foi eleito em 92, e, ao sair de Washington no ano 2000, deixou o desemprego em apenas 3%. O êxito foi total. O PIB saltou de 9,5 trilhões para 13 trilhões de dólares. Depois dele, a velocidade foi freada. Hoje oscila em torno de 14,5 trilhões (de dólares).

Na mesma edição de 24 de julho de O Estado de São Paulo, ao lado do espaço de Celso Ming, uma declaração da presidente Dilma Rousseff: não queremos inflação sob controle com crescimento zero. Depois de assegurar o crescimento é que se vai combater a inflação. Esta foi, exatamente, a opção dos anos dourados de JK. Mas eu falei em números e coincidências. As estatísticas de desemprego reveladas por Ming são de uma fonte absolutamente insuspeita: o FMI.

Está lá na página de O Estado de São Paulo. São relacionados: Alemanha (7,1% sobre a mão obra ativa); Áustria (4,2); Bélgica (8,5); Espanha, o índice mais alto, 19.3 pontos; EUA (9,6); França (9,8); Grécia (14,7); Holanda (4,5); Irlanda (12%); Itália (8,6); Japão (5) e Portugal (10,8% sobre a força de trabalho)

Basta ler os jornais e fazer o cotejo que proponho. Onde se situam as crises financeiras? Exatamente nas nações em que as taxas de desemprego encontram-se mais elevadas. Onde estão acontecendo crises políticas? Nos mesmos países em que o desemprego supera o limite aceitável em torno de 5%. No Brasil está, segundo o IBGE divulgou nas duas últimas semanas, na escala de 6,1% sobre a mão de obra ativa. Lula o recebeu de FHC no patamar de 12%. Dilma recebeu de Lula nos 6,1% que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta. Não houve processo crítico em nosso país. Mas está havendo na Grécia, houve na Espanha com a derrota do governo nas urnas, está acontecendo na Irlanda, os governos da França e Itália tornaram-se impopulares. Obama vive um impasse.

No Brasil, o então todo poderoso ministro da Fazenda, Delfim Neto, chegou a afirmar a essência do monetarismo como rumo do desenvolvimento: primeiro fazer crescer o bolo para depois dividir. Esta frase é textual. Se os governos forem adotar o princípio delfiniano, coitado do povo. Estará perdido, submergindo numa ilusão. A realidade está consagrando o estruturalismo de JK contra o monetarismo de tantos farsantes.

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