No balanço do primeiro mês, resultado do governo de Temer é positivo

Charge do Amarildo (amarildocharge.wordpress.com)

Carlos Newton

Neste domingo, Michel Temer completa um mês de um governo atribulado, tumultuado e complicado. O resultado é positivo, em função das circunstâncias. Antes de mais nada, deve-se levar em conta que se trata de um governo ainda provisório, que depende de ratificação do impeachment da presidente Dilma Roussef, em processo exasperante que vai durar alguns meses, na forma da lei. Isso significa que Temer é uma espécie de refém do Congresso Nacional, que detém o poder de aceitar ou não o ajuste fiscal e as reformas de base, além da prerrogativa do Senado na questão do impeachment. É a partir dessas premissas que este primeiro mês do governo Temer tem de ser avaliado.

Não há dúvida de que o presidente errou muito na montagem do Ministério. Esperava-se que agisse como João Saldanha na seleção brasileira de 1970, logo ao assumir foi anunciando o time titular, que ficou conhecido como “As feras do Saldanha”, e se tornou a melhor seleção da história do futebol mundial, pois Zagalo manteve praticamente a equipe inteira.

Como a política é muito diferente do futebol, Temer não pôde ter essa audácia de Saldanha e montou uma equipe cujo principal objetivo não é ganhar o campeonato, mas apenas confirmar o impeachment no segundo tempo.

GOVERNO COMPARTILHADO – O fato mais positivo é que, pela primeira vez na República, o Brasil passou a ter um governo compartilhado nestes moldes, com Temer conduzindo a política e a administração, enquanto o ministro Henrique Meirelles atua como uma espécie de premier econômico-financeiro, com toda autonomia.

Se o governo de Temer está claudicante, sem que ele possa mexer no time antes da confirmação do impeachment, a gestão de Meirelles caminha bem, até porque seria quase impossível conduzir a equipe econômica pior do que Guido Mantega, Joaquim Levy e Nelson Barbosa, uns verdadeiros trapalhões, que ajudaram a presidente Dilma Rousseff a levar o país a esse colapso.

O dólar deu uma travada, as exportações crescem, as importações diminuem, a indústria parece ter passado a respirar sem aparelhos. A inflação tende a diminuir, porque as vendas estão em queda, devido à redução do poder aquisitivo e ao desemprego, e os petistas não conseguiram derrubar a Lei da Oferta e da Procura.

SEM ALTERNATIVA – É preciso entender que Temer é muito melhor do que Dilma e não há alternativa nem terceira via. Este negócio de plebiscito e novas eleições é uma tremenda enganação. Além de inconstitucional, não tem a mínima chance.

Dilma foi a catástrofe, um governo insano, movido na base da maquiagem das contas públicas, sob o apelido de “contabilidade criativa”. Na condição de falsa “doutoranda” em Economia, Dilma tentou inventar novas teorias econômicas. Chegou a dizer que a recessão não era problema, porque poderia ser superada com aumento da arrecadação, e mesmo assim não foi internada, continuou presidindo a República.

CAINDO NA REAL – Com Meirelles à frente da economia, o país enfim pôde se livrar dos delírios da “doutoranda” Dilma Rousseff e cair na real. O clima já é outro, não há qualquer dúvida.

O próximo passo é o BNDES retomar os financiamento de projetos no Brasil, ao invés de apoiar a abertura de empregos e a criação de riquezas no exterior, como era a política absurda e criminosa de Luciano Coutinho à frente do banco que deveria ser de fomento.

Em sua meteórica gestão no BNDES, que durou apenas dois anos, o economista Carlos Lessa mostrou como pode ser incentivado o desenvolvimento econômico interno. Aliás, não há muito mistério nisso, basta apoiar projetos que realmente tenham interesse nacional, seja substituindo exportações, abrindo empregos ou desenvolvendo novas tecnologias.

É esse tipo de iniciativa que se espera do governo Temer, que ainda não pode ser considerado definitivo nem submetido a avaliações apressadas. Vamos ter um pouco de paciência.

8 thoughts on “No balanço do primeiro mês, resultado do governo de Temer é positivo

  1. A desculpa do Congresso é a mesma da Dilma. Um presidente que nomeia um engenheiro para a saúde, um senhor de engenho para a educação e um pastor para ciência e tecnologia… Apenas mostra que é um miquinho amestrado do sistema financeiro…. Carmen Lúcia já, pois as contas da parelha Dilma / Temer ainda estão penduradas.

  2. Qual o caráter de uma pessoa que coloca o seu novo chefe dos arapongas para vigiar o MST e , logo a seguir recebe o José Rainha que foi expulso do MST devido a sua ficha ?

  3. Eu acho o seguinte:
    Se a pessoa não tem a formação que exige o cargo, ela pode se acercar de pessoas capacitadas na assessoria, e fazer um bom trabalho.
    Lembro que o Serra foi ministro da saúde com formação universitária de economista, e fez um ótimo trabalho.
    Quem sabe se não pode acontecer o mesmo?!
    Vamos esperar.

  4. Se o saldo de um mês de governo Temer é positivo, como diz o nosso experimentado editor, jornalista Carlos Newton, em seu artigo hoje publicado,o saldo poderia ter sido muito mais positivo. Para alcançar saldo maior, Temer deveria, imediatamente e tão logo assumiu a presidência da República, ter cassado a concessão que o governo federal outorgou à Samarco e, no mesmo decreto ou medida provisória, abrir concorrência pública para substituir a empresa cassada, com a proibição do candidatamento de entidade com a mesma diretoria da empresa Samarco.

    As riquezas do subsolo nacional pertencem ao governo federal. Está na Constituição. A exploração por terceiro é uma outorga que o poder concedente, no caso a União, pode revogar, anular, cassar e romper a qualquer momento. Nem precisaria de justa causa (e justa causa, no caso Samarco, é que não falta). O ato de conceder e revogar a concessão, ao contrário do chamado ato administrativo vinculado, é ato discricionário, sendo suficiente existirem a conveniência, interresse e oportunidade. Integra e faz parte do subjetivismo do governante. E também foge do controle jurisdicional. Ou seja, não pode aquele que recebeu a concessão e que depois a teve cassada, impugnar o ato na Justiça, da mesma forma que ocorre com as desapropriações. Quem teve um bem despropriado pelo Poder Público não pode ir questionar o ato junto ao Poder Judiciário, salvo no tocante à indenização pela perda da concessão ou do bem.

    No caso da Samarco, se Temer tivesse cassado a concessão, referida empresa nem teria condições de cobrar indenização alguma. Ela, sim, é que deve indenizar, da forma mais abrangente quanto possível, os danos materiais e morais que sua incúria e imprudência causaram a inúmeras cidades de Minas Gerais, matando, tudo destruindo e acabando com as histórias das cidades, que desapareceram do mapa e as histórias e referências da vida de milhares e milhares de famílias. Todos viram. O mundo viu. E continuamos a ver, pois nada mudou. As cidades arrazadas pela Samarco muito se assemelham a Hiroxima e Nagasáqui, após terem sido atingidas pela bomba atômica. Vejam as fotos. Vejam os filmes. Verdadeiros vales da solidão.

    O que é que Temer está esperando para cassar a concessão da União à Samarco?. Dilma não a cassou. É compreensível. Fraquissima presidente, pessimamente mal assessorada e envolvida até o pescoço com a corrupção do seu governo petista. Para cassar a concessão é preciso pulso forte, elevada moral e desfrutar do respeito dos cidadãos. Temer, ao menos de porte, de fala e de cultura, parece ter aqueles requisitos que Dilma não teve, não tem e nunca terá. Temer conhece gramática, sabe o que é mesóclise e a utiliza. Dilma, não. Dilma é a própria mesóclise, espremida entre a arrogância e a burrice de um lado e a corrupção e a desfaçatez de outro.

    Outra medida que Temer já deveria ter tomado é extinguir a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Essa extinção já foi, semanas atrás, defendida aqui na Tribuna da Internet pelo nosso editor Carlos Newton e por mim próprio, em artigo publicado. O assunto da extinção veio à tona no momento em que o ministro Dias Tóffoli concedeu liminar para que o jornalista Ricardo Mello voltasse a assumir o cargo de diretor-presidente da EBC, do qual Temer o afastara para nele dar posse a outro jornalista, Laerte Rimoli. Em coro, CN e eu, dissemos nós que “quem pode mais, pode menos”. Se o presidente Temer pode (pode e deve) extinguir a EBC, pode também retirar da direção da empresa quem a ocupava desde o governo destituído. Ontem ou anteontem, o mesmo Jorge Bastos Moreno, do Globo (aquele que garantiu que Temer iria afastar o eminente jurista Medina Ozório do cargo de Advogado-Geral da União e depois sua “profecia” não se confirmou, e com isso levando o leitor a erro), o Moreno escreveu na sua coluna que Temer vai mesmo extinguir a EBC. Tomara que desta vez o Moreno não tenha errado.

    Em suma: se o saldo do governo Temer, após um mês no poder, foi positivo, o saldo poderia ter sido muito mais positivo ainda, se Temer cassasse a concessão que a União outorgou à Samarco e já tivesse extinguido a empresa EBC.

  5. Carlos Newton, perfeita a sua análise do momento atual da política. Cobra-se algumas medidas do Temer, que realmente são necessárias, mas no momento, como um governo provisório e qualquer medida, ainda que necessária, pode ajudar a volta do PT ao governo,
    O momento político é um verdadeiro jogo de xadrez, se mexer errado leva um cheque mate.
    Mesmo que o Temer cometa alguns erros e não se goste dele, é preferível ele do que a volta do PT ao governo. Não há outra solução.

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