No Brasil de hoje, desgraça pouca é bobagem

Gravações fizeram Romero Jucá se tornar a bola da vez

Carlos Chagas

Importa menos o autor do diagnóstico. Se Romero Jucá ou Sérgio Machado: um dos dois falou e o outro concordou que a Operação Lava Jato só interromperia sua sanha de investigar e punir políticos corruptos com o afastamento da presidente Dilma Rousseff do poder. Metade da profecia foi cumprida, pois Madame está afastada. Tudo indica que a outra metade ainda não, pois a Polícia Federal, o Ministério Público, a Receita e o Judiciário continuam investigando, prendendo e condenando.

Quanto ao ex-ministro do Planejamento e o antigo senador, seu destino será cumprido: vão parar na cadeia, envolvidos na corrupção verificada em torno da Petrobras.

A dúvida que sobra refere-se ao futuro de Dilma. Afastada da presidência da República por 180 dias, aguarda seu julgamento pelo Senado. Claro que não foi punida porque atrapalhava a elucidação da roubalheira. Simplesmente, não interferiu na iniciativa do juiz Sérgio Moro e sua turma. Não mobilizou seu ministro da Justiça para pressionar a Polícia Federal e, muito menos, convocou o Procurador- Geral da República para instruções. Deixou que a Justiça seguisse seu curso.

Fica a conclusão: perdeu temporariamente o mandato por não ter protegido a quadrilha de vigaristas que se locupletava com os dinheiros públicos?

Aqui a equação se complica. A presidenta foi para o espaço por incontáveis razões: não saber governar, desprezar o Congresso, humilhar a classe política, comportar-se de forma arrogante, cercar-se de incompetentes e não perceber o caos em que sua administração se tornava.

Parece fulminada, à medida em que o seu julgamento prosseguir, ainda que seus adversários necessitem de 54 senadores para condená-la. Menos um, seria reconduzida ao palácio do Planalto. Parte do PT conta com esse número.

Ignora-se como o país reagirá, em especial diante da performance de Michel Temer, “aquele que sabe lidar com bandidos”, conforme suas declarações.

Em suma, Romero Jucá e Sérgio Machado são a bola da vez. Tudo indica que serão encaçapados. Com Temer permanente ou Dilma de volta, uma coisa é certa: o Brasil não merecia tanta desgraça.

5 thoughts on “No Brasil de hoje, desgraça pouca é bobagem

  1. O Brasil merece tanta desgraça porque foram os brasileiros que colocaram os bandidos no poder. E que não se diga que foram os pobres, porque todos sabemos, que a classe universitária sempre apoiou o PT e todas as falcatruas de partidos políticos ditos de esquerda.

  2. Pelas conversas, o que queriam todas as ratazanas do esgoto político era afastar Dilma pela sua incompetência em retirar da pauta do país a operação Lava Jato. A última cartada, capitaneada por Renan e o PT, era fazer Lula o primeiro ministro e Dilma preservar o seu faz de conta no país das maravilhas. O golpe falhou pois o juiz Moro divulgou a prova inconteste do crime de obstrução, naquela conversinha entre ele e Dilma, que é ” inocente (ou inosanta?) “. Ficou claro quem é golpista nesta história de horror. Lula tomaria cinicamente ( e democraticamente) o poder e depois continuaria seus planos de poder em 2018. Nem Maquiavel poderia pensar melhor.
    Por isso, ao evitar que os grandes bandidos continuem a dar as cartas neste pobre e rico país, o juiz Sergio Moro vem tentando puxar o contra golpe, através de exemplos de expeditos trâmites e sentenças, para a justiça acordar de sua letargia paquidérmica e devolver o Brasil ao futuro que lhe foi retirado por esta malta que nos governou por muitos anos.

  3. Este país só vai dar jeito, quando houver uma lei que proíba políticos processados a concorrer a novas eleições, é preciso limpar de vez o congresso nacional, este que está aí já está canceroso, apodrecido, viciado, não tem mais jeito, são poucos que se salvam, pobre Brasil onde esta raça de políticos miseráveis maltratam seus filhos.

  4. O articulista se equivoca ao afirmar sobre Dilma: “Claro que não foi punida porque atrapalhava a elucidação da roubalheira. Simplesmente, não interferiu na iniciativa do juiz Sérgio Moro e sua turma”. A gravação das conversas com o Lulla, enviando pelo “Bessa” a sua nomeação para a Casa Civil, salvo conduto para não cair nas mãos da “República de Curitiba” deixou bem claro a qualquer alfabetizado uma insidiosa armação da ex-presidanta.

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