No Brasil há compromisso com os problemas, jamais com as soluções

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Charge do Sinfrônio (Arquivo Google)

Percival Puggina

No Brasil, infelizmente, certas desgraças vêm para ficar, fazem ninho, dão cria e são zelosamente nutridas; algumas têm fã clube e vivem sob a proteção da tesouraria. ”E as soluções?”, perguntará o leitor mais proativo. Pois é, meu caro, aí é que está. Nosso país não tem compromisso com soluções, mas com problemas. Quanto maior for a encrenca, mais sólida será a adesão nacional àquilo que lhe dá causa.

A alavanca com a qual Arquimedes afirmou que poderia mover a Terra se lhe dessem um ponto de apoio não serve para o Brasil. Parece não haver braço de alavanca nem ponto de apoio capazes de abalar a inércia nacional em relação a suas principais dificuldades. Em compensação, por aqui, nada é mais sólido do que uma boa conversa mole, que se resume em encontrar razões para deixar tudo como está.

PODER PÚBLICO – Os acontecimentos – sim, há fatos acontecendo – terríveis, assustadores, vexatórios, em nada alteram a alma do país. O poder público continua escrevendo o roteiro, dirigindo a peça, escolhendo os atores. E embolsando a bilheteria. Lê-se em toda parte que o Brasil tomará jeito quando os brasileiros aprenderem a votar, o padrão cultural e socioeconômico da sociedade avançar, houver menos pobres. Verdadeira mixórdia de causas e efeitos que transforma a borda do poço em opressivo horizonte.

Tome, por exemplo, a questão da insegurança pública. Apenas uma corrente de opinião muito minoritária, minúscula, é contra legislação penal mais rígida e penas que desestimulem a atividade criminosa. No entanto, o que está em vigor é o desencarceramento e a total leniência, inclusive para com crimes de maior potencial ofensivo. Por quê? “Porque só prender não resolve”, respondem, como se tal frase contivesse um argumento e refutasse a verdade esférica de que bandido preso perturba menos do que bandido solto.

PARLAMENTARISMO  – O mesmo tipo de raciocínio, que quebra, na prática, a alavanca de Arquimedes, é usado quando se apresenta o parlamentarismo como ponto de apoio para resolver o problema institucional no Brasil. “Só isso não resolve”, repetem.

Claro que só isso não resolve! Precisamos, também, de alguma forma de voto distrital, de cláusula de barreira que reduza o número de partidos, de uma justiça mais disposta a julgar casos de corrupção e mau uso dos mandatos eletivo e de tudo, absolutamente tudo mais que a divergência queira incluir. Mas não bastará! Insatisfeitos, retornarão em ares de xeque mate: “No parlamentarismo, com esse Congresso, o chefe do governo vai ser alguém tipo Renan Calheiros ou Rodrigo Maia”.

Desculpem-me os eleitores de uns e de outros, mas não parece justa essa restrição num país que, por conta própria, elegeu Collor, reelegeu FHC, deu dois mandatos para Lula e outros dois para Dilma. Se é para usarmos o instituto da eleição direta para produzir resultados assim, continuo preferindo o parlamentarismo, no qual o eleito por via direta será apenas chefe de Estado e não exercerá, simultaneamente, a chefia de governo. No presidencialismo, “the winner takes it all”, como cantou Meryl Streep. O vencedor leva tudo; e leva mesmo.

NADA FUNCIONA – O que nosso presidencialismo chama de “instituições funcionando” é isso que você vê. É assim que elas “funcionam”, gerando crises sem solução, criando instabilidade política, retração das atividades econômicas, desconfiança externa e interna, e sérios danos à vida de todos. No parlamentarismo também existem conflitos e disputas, mas a facilidade com que os governos são substituídos estabiliza a democracia e produz uma vida política sem sobressaltos.

18 thoughts on “No Brasil há compromisso com os problemas, jamais com as soluções

  1. …pesquisa na wikipédia> O Brasil já realizou um plebiscito sobre o sistema de governo, em 6 de janeiro de 1963, durante a gestão de João Goulart. O país havia adotado o parlamentarismo pouco depois que Jango assumira a presidência, em 7 de setembro de 1961, mas a maioria dos eleitores preferiu retornar ao sistema presidencialista.
    O plebiscito de 21 de abril de 1993 sobre o regime e o sistema de governo no Brasil (monarquia parlamentar ou república; parlamentarismo ou presidencialismo) é usualmente confundido com um referendo. Na ocasião, a maior parte do povo brasileiro optou por manter o regime republicano e o sistema presidencialista.> A geração pós 24 anos votaria pró parlamentarismo? A mídia, a máquina governamental, não manipularia novamente para a manutenção do “status quo”???

    • A maioria do eleitor por falta de conhecimento político é levado a votar, nos candidatos que eles conhecem, nos que aparecem mais na mídia e nos que têm poder de fazer uma propaganda mais rica, isso porque é permitido qualquer um incapaz, sem ideologia poder ser candidato.
      Em vista disso, o Congresso fica cheio de oportunistas e malandros.
      Porque, não ajudar o eleitor, fazendo seleção dos candidatos, assim como é feito nos concursos públicos para qualquer área? Leve-se em consideração, que o cargo de legislador é mais importante que qualquer outro cargo público.
      O Congresso foi tão degenerado pelos últimos governos, que para consertar levará muitos e muitos anos.
      PS,: É preciso saber , o plebiscito, que optou pelo presidencialismo, era porque sabia-se que o João Goulart era um homem sério e honesto e queria fazer a independência do Brasil, precisa do poder, que o presidencialismo oferece.
      Hoje com os políticos que temos, presidencialismo é para manter essa situação de desmandos e corrupção e a entrega do patrimônio público.
      .

  2. Vamos começar a adotar soluções para resolver os problemas? Ótimo.

    Mas qual a lógica de ignorar as demais soluções até hoje nunca adotadas e começar com aquela solução menos eficiente para a questão da segurança? Aumentar as penas.

    O povo já decidiu por duas vezes que prefere o presidencialismo.

    Vamos simplesmente ignorar a vontade do povo e adotar o parlamentarismo?

  3. Não entendi, o que tem a ver presidencialismo ou parlamentarismo com as instituições funcionar ou não?

    Parlamentarismo é votar em um candidato e quem vai governar será outro sem nenhum compromisso com o povo trabalhador, contribuinte, eleitor.

    Talvez o ideal seria restringir de alguma maneira um político ficar uma vida inteira como parlamentar ou como executivo.

    No caso do STF ou quaisquer tribunal que tenha indicação política, de tempos em tempos um referendo para o povo decidir se o ocupante de um desses tribunais deve continuar ou não.

    Renovaríamos sempre nossos representantes.

    • Parlamentarismo é votar em um candidato e quem vai governar será outro sem nenhum compromisso com o povo trabalhador, contribuinte, eleitor.

      Essa é a velha tática do PSDBandido.,
      Governar sem o “povão” …
      Uma das ideias geniais do Boca de Chupa Ovo……
      Nada mais é do que se perpetuarem nos cargos por séculos, apenas trocando o traseiro flácido da Cadeira Palaciana e de preferência que seja do mesmo Partideco….

  4. É fácil afirmar que o povo já decidiu duas vezes pelo presidencialismo. Difícil é dizer se o povo tinha realmente consciência do que estava fazendo. No Brasil, raras exceções, isto é se existir exceções nestes casos, pois o que se percebe é o poder corrompendo a maça com argumento falso e demagógico para tirar dividendo. Por exemplo cito as reformas trabalhista e a da previdência, principalmente esta última o governo espalha o terror no povo simples para consegui alcançar o seu objetivo: a provação da reforma.

  5. ACORDA BRASIL!

    Fora de pauta, mas estamos prestes a sofrer o maior RETROCESSO SOCIAL da história do Brasil.

    Essa discussão se é esquerda ou direta só nos prejudica,

    Precisamos nos unir, independente de opção partidária, contra essas reformas em andamento em um momento de confusão política e crise econômica.

    Segue um vídeo em que um auditor fiscal prova que essa reforma da previdência é desnecessária.

    https://www.youtube.com/watch?v=5tFDMT1h-yQ

    Informa que foram retirados nos últimos anos da seguridade social bilhões de reais para pagamento dos encargos da dívida pública
    Isto baseado na DRU – desvinculação das receitas da União. Ora, contribuição social não pertence a União, pertence a quem contribuiu.

    O auditor fiscal até admite que o sistema de Assistência social necessita de ajuste, mas diz também que já foi feita uma reforma da previdência:

    1-O fator 85/95 que está valendo atualmente chegará a 90/100 dentro de poucos anos.

    2-Nenhum funcionário público federal que foi admitido a partir de 2003 se aposentará acima do teto do INSS, um pouco mais de 5 mil reais.

    Voltando ao fator 90/100, dando um exemplo de um trabalhador que completar 35 anos de contribuição e quiser se aposentar terá que ter 65 anos de idade, 35 + 65 = 100

    Ou 40 de contribuição + 60 de idade.

    Essa neo-reforma, 2017,FERE o artigo 1º da CF/1988 no seu inciso III

    III – a dignidade da pessoa humana.

    Quando ela (a reforma) reduz a pensão de um cônjuge a 50%.

    Quando ela coloca um teto de 2 salários mínimos para acúmulo de aposentadoria e pensão.

    Porque esse teto não pode ser o teto do INSS, um pouco mais de 5 mil reais?

    E outras coisas mais…….

    Com relação a assistência social, eu acho muito justo a aposentadoria dos rurais que nunca contribuíram, mas esse benefício teria de sair dos impostos.

    Esse seria o ajuste citado acima.

    Finalizando, como bem disse o especialista em previdência, média é média(de idade), milhões não chegarão a se aposentar.

    Ps. Enfim, temos de nos unir contra os oportunistas que aproveitando a crise econômica tentam nos convencer que o ruim é bom.

    Isso tudo sendo aprovado, o que virá no pós 2018??? ACORDEM !!!!

  6. Em primeiro lugar, deveria fazer um limpa geral nas instituições, está contaminada pela corrupção, são cargos políticos do alto escalão, a maioria já tem processos desta natureza, o povo deveria acompanhar mais de perto, pois sempre o prejudicado é ele, apesar de ser o verdadeiro patrão de todos os poderes, o Brasil se tivesse uma administração séria, seria uma potência, não investe em tecnologia, apesar de termos bons profissionais e que por falta de investimentos saem do país, educação, saúde, segurança, hoje a bandidagem está solta, acham que porque os políticos roubam também tem o direito de roubar, mas infelizmente roubam de quem não tem, tudo está desmoralizado, os três poderes, executivo nem se conta, legislativo pior e judiciário salvo exceções, este país tem uma economia que vive represada por causa de políticos inescrupulosos que se querem seu bem estar, o povo é um detalhe, que viva das migalhas, é uma nação que não é mostrada na mídia paga pelos brasileiros.

  7. O presidencialismo é uma fonte permanente de crises, mas é fato que o povo brasileiro quer votar em quem vai mandar. A campanha das diretas que se faz hoje tem essa idéia como pano de fundo. A sociedade jamais aceitará o parlamentarismo porque vê isso como um golpe e os principais interessados em conquistar o poder são contrários e tudo farão para impedir esse sistema de governo. O grande problema é que um presidente no Brasil que é eleito com milhões de votos não consegue governar sem fazer todo de tipo de concessões aos partidos políticos, o que sempre será uma fonte de corrupção.

  8. Parlamentarismo? Quem devemos eleger, por exemplo, no atual parlamento? Vão se juntar (congresso) e eleger o mais vagabundo – essa é a saída?
    Primeiramente devemos ter um judiciário independente de indicações do parlamento. Os membros do STF e STJ deve originar das carreiras de promotores e juízes concursados, obedecendo uma hierarquia com pré-requisitos (antiguidade, curriculum …) – sem influência do político de plantão.
    No momento, a reforma que precisamos não é a previdenciária e trabalhista como querem o Sistema financeiro – uma das reformas ou mudanças que precisamos é para quem for eleito no parlamento (deputado, senador, vereador) só poderá ocupar cargo no executivo se perder o seu mandato, não podendo retornar ao parlamento. Outra reformar ou mudança é com relação a indicação para empresa estatal, não devendo ser moeda de troca do executivo com parlamento, encontrando uma saída ética e transparente para as indicações das diretorias. Outra reforma que precisamos é no parlamento – mudar grande maioria das cabeças por meio de voto – precisamos de parlamentar com ética, com vergonha na cara e coloque o interesse da população e não dos banqueiros, empresários que faz dos poderes da república as prostitutas rampeiras de um país espoliado. Com esse início podemos pensar no parlamentarismo!?

  9. E de que adiantaria o parlamentarismo e o voto distrital sob a égide do mesmo e velho $istema político podre senão como panaceia ? Urge mudar o $istema por completo, radicalmente, no Brasil e no mundo, e não existe outra saída senão pela Democracia Direta, com meritocracia eleitoral.

    • POIS É: O problema não está no sistema político. Está nos BANDIDOS que nos governam!
      Ou será que alguém acha que todos esses criminosos, que têm o DIREITO DE ROUBAR garantido pelo SUPREMO, começarão a trabalhar e serão cidadãos honestos só porque o sistema político mudou para um nome mais pomposo???

      • Quem já tentou se eleger honestamente pelo $istema que aí está e não se corrompeu para se eleger ou permanecer lá, fala com conhecimento de causa. Não existe ninguém perfeito, neste país e nem neste mundo. Todo ser humano tem lá as suas fraquezas. O $istema pode sim funcionar com uma forja de fabricar campeões ou capetas, como é o caso brasileiro, senão o cara não chega lá e muito menos permanece lá, salvo exceções. Esse papinho de que o $istema é bom e de que é o usuário do mesmo que não presta não procede. É papo de quem não conhece a máquina, ou apaixonado pela dita cuja, ou de quem sonha com uma boquinha lá.

        • Todo o país tem ladrão. O problema é que no Brasil O DIREITO DELES ROUBAREM ESTÁ PREVISTO EM LEI… Nas leis que eles mesmos criaram, assinaram e referendaram.

  10. -Desenvolvimento?
    -Solução de problemas?
    -Esquece, gente!

    -Se estivéssemos em algum país sério e olhássemos aqui para baixo, veríamos UM PAÍS SEM FUTURO, pois para que se chegue a algum destino faz-se necessário sair do lugar!
    Há pelo menos TRÊS DÉCADAS estamos atolados na lama. Parados, imobilizados, amarrados, enquanto os outros passam. Até a tão menosprezada Índia seguiu o destino dela, resolveu parte dos problemas e já nos ultrapassou!
    -E nós?
    -Aqui, governados e saqueados por mercenários e realizando congressos, palestras, discutindo filosofia e sobre como seremos, no futuro, “o país do futuro”…mesmo vendo que a cada dia que passa o nosso caos só está piorando e estamos sendo esfolados vivos pelos maiores impostos do mundo.

    -Como os mercenários que nos governam nunca estão saciados financeiramente, só nos resta lamentar e esperar que os pagamentos da dívida pública atinjam 100% do orçamento…

  11. O ilustre Autor, Sr. PERCIVAL PUGGINA tem razão em afirmar que no Brasil, de uma maneira geral: “Temos compromissos com os Problemas, jamais com as Soluções”.

    Aparentemente, se queixar, numerar, lamentar nossos Problemas só requer Falação. É fácil. Já a Solução, exige AÇÃO. Epa, AÇÃO é difícil. Além de custar grande esforço, pode me levar à Problemas com o Poder Incumbente.
    É que, sendo ponto de apoio da famosa alavanca de Arquimedes, com o qual facilmente Este moveria o planeta Terra inteiro, ali, no local da AÇÃO a pressão seria gigantesca e a probabilidade da Gente sair todo amassado, muito grande.

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