No Brasil, o Índice de Mal-Estar (“Malaise”) chega a seu ponto máximo

Charge do Duke (jornal O Tempo)

Monica de Bolle
Estadão

Malaise, martírio, padecimento, mal-estar. Sensação profunda de desconforto, de desilusão, suor frio de angústia no corpo, gelado pelo desespero que procura os limites do intervalo entre duas felicidades. Enquanto o Brasil discute as coisas da política e a insensatez de nossa governante, o sofrimento da população é desnudado pelos indicadores econômicos, dados que expõem com frieza exata histórias de desalento e amargura, histórias de um cotidiano de desvarios.

Economistas valem-se de artifícios diversos para medir o bem-estar de diferentes sociedades: do PIB à distribuição de renda, dos subjetivos “índices de felicidade” ao concreto índice de desenvolvimento humano. Mas este não é um artigo sobre o bem-estar. Este artigo é sobre o mal-estar, a malaise que assola toda a população brasileira, sobretudo a classe média vulnerável, a classe C, aquela que desaparece depois de tanto furor.

O Índice de Mal-Estar, ou Misery Index, foi criado pelo economista americano Arthur Okun com o intuito de medir a qualidade de vida do cidadão médio de um país. Trata-se de indicador simples, da soma entre a taxa média de inflação de determinado período com a taxa de desemprego do mesmo período.

CONFIRA OS ÍNDICES

O Índice de Mal-Estar dos EUA, depois de atingir 11,2 em 2010, caiu mais da metade, para 5,3 no ano passado. Em 2015, o Índice de Mal-Estar da China era de 7,2, do México, 6,9; da Colômbia, 13,8. O Índice de Mal-Estar do Brasil, usando os dados da Pnad Contínua trimestral do IBGE, foi de 19,7 em 2015, ou quase o dobro do ano anterior. Ou seja, a aguda acentuação da malaise é inequívoca.

Interpelada dia desses aqui nos EUA sobre o porquê de não estarmos vendo tantos defensores de Dilma nas ruas, estridências golpistas à parte, respondi em números. Meu interlocutor preferiu não brigar com os dados, um sábio.

A tragédia brasileira vai ainda mais longe do que expus. O Índice de Mal-Estar brasileiro, tal qual calculado, dá uma ideia do que acontece com a economia como um todo. Mas e as classes mais desfavorecidas? E a classe média vulnerável? Afinal, o que tem ocorrido com a classe C?

NA BAIXA RENDA

Ainda usando os dados abertos da Pnad Contínua do IBGE e utilizando o IPC-C1 compilado pela Fundação Getúlio Vargas, isto é, a chamada “inflação da baixa renda” frequentemente citada nos jornais, constata-se o seguinte: 16,2% da camada da população brasileira com ensino médio incompleto ou equivalente estava desempregada no último trimestre de 2015 – no mesmo período de 2014, a taxa de desemprego para essa faixa da sociedade era de 11,6%. Se tomarmos essa camada da população como proxy para a chamada classe C, e levarmos em conta que a inflação medida pelo IPC-C1 da FGV em 2015 foi de 11,5%, ou seja, cerca de 1 ponto porcentual maior do que a inflação para o ano medida pelo IPCA, chegamos a um Índice de Mal-Estar de 27,7 para esse estrato da população brasileira.

Tal constatação merece destaque. Enquanto o Índice de Mal-Estar Nacional subiu espantosamente entre 2014 e 2015, apenas em 2015 o Mal-Estar, o sofrimento, a malaise da classe C foi cerca de 40% maior do que se viu em todo o País.

A CLASSE C SOFRE

Trocando em miúdos, a classe C, aquela que surgiu gloriosa nos anos do lulopetismo em razão de políticas que claramente não tinham sustentação de longo prazo é, hoje, a que mais sofre as consequências do desastre econômico brasileiro, conforme muitos de nós alertamos.

Dilma insiste em vender a quem ainda lhe der ouvidos a ideia de que os problemas do desemprego no Brasil são fruto da crise externa. Contudo, a classe C sofrida, essa cujo mal-estar clama pela trégua, pelo fim da desgraça, não perdeu empregos por causa da crise internacional. A classe C perdeu empregos, sobretudo, nos setores de serviços e comércio, estrangulados pela recessão. Eis, portanto, mais um desafio para o governo que vier: o resgate urgente de uma classe C reduzida a pó pela grande mentira do lulopetismo.

Deixo-os, leitores, com duas reflexões: “O sofrimento é o intervalo entre duas felicidades” (Vinicius de Moraes); “Suporta-se com paciência a cólica dos outros” (Machado de Assis). Escolham a sua preferida.

(artigo enviado pelo comentarista Mário Assis Causanilhas.
A economista Monica de Bolle é pesquisadora do Peterson Institute for International Economics e professora da Johns Hopkins University)

7 thoughts on “No Brasil, o Índice de Mal-Estar (“Malaise”) chega a seu ponto máximo

  1. Análise muito interessante. Ajuda a desmontar as afirmativas dos governos petistas sobre como “tiraram dezenas de milhões da miséria”, mesmo sem precisar de falar nos critérios absurdos que usaram para medir isso.

  2. Os dados concretos desse trabalho, com todo o respeito, por ser lastreado en dados concretos, pulveriza o artigo anterior de autoria do respeitável senhor Leonardo Boff.

  3. Boff,

    É incrível a tua insensatez, coisa de cinema.Caso fôssemos bons nesse tipo de arte, faríamos uma comédia muito melhor que as que os americanos nos vendem por milhões de dólares.

    Se o lula e sua querida dilma fossem um milésimo do que você quer fazer crer ao sofrido povo brasileiro, o Brasil não estaria nessa situação trágica.

    Tome vergonha, e caia na realidade da crise que estamos metidos. A coisa é séria, e só mesmo um cretino pode ver coisas boas nesses dois bandidos, que seque são capazes de reconhcer o mal que fazem à sociedade brasileira.

    Por favor, pare de escrever tolices, porque a paciência dos outros tem limite.

  4. Mônica,

    Excelente a tua matéria. Expõe, com muita seriedade, a nossa realidade que só os petistas e os desgovernados governistas.

    Basta ver um quadro dessa natureza, e ninguém consegue acreditar que vamos patrocinar jogos olímpicos, logo depois da desastrada copa do mundo que gastou bilhões de reais para tomarmos de 7, e ainda destruir a bela e histórica arquitetura do Maracanã, transformando-o em verdadeiro circo, só por causa da absurda exigência da corrupta FIFA.

    Quanto dinheiro pagamos de juros do serviço da dívida, mais o dinheiro levado pela corrupção petista sob o comando do sapo barbudo, mais a ineficiência de um estado inchado por pessoas preguiçosas que só querem saber de direitos e esquecem seus deveres e mais o dinheiro que serve para fazer obras em países de ditadores cruéis, que além de tudo nos toma uma refinaria e ninguém reclama.

    Precisamos salvar nosso país, através da boa educação, e gostar dele acima de tudo, e não ficarmos vendo essa canalhada travestida de comunistas destruir nossos sonhos de sermos uma nação livre e soberana.

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