Na fusão Pão de Açúcar-Carrefour, o Pactual vai pagar com recursos próprios ou com moeda podre, como fez no caso do Banco PanAmericano?

Carlos Newton

Devagar, devagarinho, o Banco BTG Pactual aos poucos vai se tornando um importantíssimo agente financeiro, em função da série de tacadas precisas de André Esteves. Mas será que vai integralizar sua participação no Pão de Açúcar/Carrefour com recursos de moeda podre (Fundos de Compensação de Variações Salariais do Ministério da Fazenda, corrigidos pela TR) como fez no caso do Banco PanAmericano?

Vamos lembrar um pouco as manobras radicais de André Esteves. Liderada por ele, a venda do Pactual para o Banco UBS em 2006 foi fechada na cidade de Nova York, e terminou com o pagamento de US$ 3,1 bilhões do UBS pelo Pactual. Esteves detinha 30% das ações do Banco e se tornou definitivamente bilionário.

 Em 2008, ele se alia ao economista Persio Arida, a um grupo de antigos sócios do Banco Pactual e a diretores executivos do UBS, para criar a BTG, uma empresa de investimento global.

No ano seguinte, a surpresa: a BTG recompra o Pactual do UBS por US$ 2,5 bilhões, ou seja, com deságio de US$ 600 milhões, formando assim o BTG Pactual. Com escritórios em Nova York, Londres e Hong Kong, o BTG Pactual se tornou um banco de investimentos nacional com alcance global.

No início deste ano, após o escândalo da associação da Caixa Econômica Federal com o Banco Panamericano, com a estatal investindo cerca de R$ 750 milhões para se associar minoritariamente a uma instituição mais do que falida, quando foram identificadas fraudes contábeis que causaram prejuízos inicialmente calculados em R$ 2,5 bilhões (mas posteriormente corrigidos para mais de R$ 4 bilhões, e depois novamente corrigidos para R$ 6 bilhões, e agora aguarda-se o próximo balanço…), o BTG Pactual aproveitou a oportunidade para adquirir o Banco Panamericano por modestos R$ 450 milhões, em moeda podre.

Agora, no caso do Pão de Açúcar/Carrefour, o BTG PACTUAL vai integralizar sua participação com recursos em caixa ou novamente com moeda podre (os Fundos de Compensação de Variações Salariais) a parte que lhe cabe nesse latifúndio, de quase R$ 700 milhões?

E a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), hein? Vai fiscalizar? Duvido.

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