No desespero, o PT tenta implantar uma “ditadura constitucional”

Carlos Newton

O governo não existe mais, a economia continua derretendo, os empresários não acreditam em retomada do desenvolvimento a curto ou médio prazo, os investidores, menos ainda – este é o quadro real do país. No desespero, o governo (leia-se: a presidente Dilma Rousseff, o PT e o Instituto Lula, mas não necessariamente nesta ordem) não se interessam pela grave situação do país, todos os seus movimentos objetivam apenas evitar o impeachment e se fixar no poder até 2018, quando Lula vai tentar o terceiro mandato.

Sem ter condições concretas de administrar o país, Lula, Dilma e o PT (não necessariamente nesta ordem) tentam criar um novo modelo republicano, que funciona da seguinte maneira: o governo pode fazer o que bem entender, descumprir qualquer legislação, especialmente a Constituição Federal, mas todos os seus atos precisam ser considerados válidos, porque teriam sido tomados em favor do povo, sem o governo jamais ter demonstrado intenção de desobedecer as leis.

Em tradução simultânea, o triunvirato PT, Lula e Dilma (não necessariamente nesta ordem) tenta implantar uma “ditadura constitucional”, de estilo culposo e não doloso, como se isso fosse possível.

REPETIÇÃO DA LADAINHA      

Esta estranha deformação político-administrativa está diante de nós, mas passa despercebida à maioria da população, que ainda se deixa iludir pela repetição de uma espécie de ladainha, nos seguinte termos:

1) a corrupção não é só petista e sempre existiu;

2) não existe nenhuma prova que envolva diretamente a presidente Dilma Rousseff ou Lula;

3) o impeachment é uma tentativa de golpe na ordem constitucional.

A chamada realidade dos fatos, porém, é exatamente inversa, porque a corrupção sempre existiu, mas foi o governo do PT que a “institucionalizou”, ao estabelecer a cobrança de percentual fixo e desestabilizando a empresa que representava o maior orgulho do país e dilapidando outras estatais. Já existem provas abundantes de crimes de responsabilidade e crimes eleitorais contra o PT, Lula e Dilma. E a ordem constitucional é que foi inteiramente subvertida nos governos petistas e agora precisa ser restabelecida.

CRIMES DE RESPONSABILIDADE

Os crimes de responsabilidade, que justificam impeachment, são abundantes:

1) grande número de pedaladas fiscais, maquiando ilegalmente as prestações de conta do governo, a tal ponto que a própria Caixa Econômica Federal está processando a União;

2) emissão de dez decretos inconstitucionais, assinados por Dilma para o governo fazer despesas não autorizadas pelo Congresso;

3) legislar por decreto para modificar lei complementar, conforme denúncia do jurista Jorge Béja, aqui na Tribuna da Internet (Decreto 8535, de 2 de outubro de 2015, e que já se encontra em vigor, alterando ilegalmente a Lei de Responsabilidade Fiscal):

4) tentar usar recursos do chamado Sistema S, desrespeitando expressamente norma constitucional, segundo denúncia do jurista Ives Gandra Martins em O Globo.

CRIMES ELEITORAIS

Há, ainda os crimes eleitorais, passíveis de cassação de mandato, já configurados na condenação do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e numa série de depoimentos colhidos na operação Lava Jato, que confirmam o uso de recursos da propina do esquema da Petrobras nas campanha eleitorais que elegeram Lula em 2006 e Dilma em 2010 e 2014, inclusive com prática de chantagem pelo hoje ministro Edinho Silva, já sob investigação do Supremo Tribunal Federal.

Apesar de tudo isso, a ladainha continua, repetindo-se que a corrupção não foi criada pelo PT, não existem provas contra Lula e Dilma, e por isso pedir impeachment seria uma atitude golpista. Até agora, tem dado certo a estratégia, mas é um castelo de cartas que não tarda a desmoronar.

32 thoughts on “No desespero, o PT tenta implantar uma “ditadura constitucional”

  1. O presente artigo do Mediador deve ser guardado, arquivado, diante da clareza e verdades contidas a respeito dos crimes cometidos pelo trio, PT, Dilma e Lula, e a luta que travam para se manter no poder.
    Parabéns, Newton, pelo texto contundente, irretocável, que mais uma vez comprova a tua capacidade e qualidade jornalísticas, e a percepção ímpar dos fatos que são manipulados pelo trio do mal, na tentativa de inverter as ilicitudes e irregularidades acusando os que desejam o impedimento de Dilma como golpistas, enquanto que o partido de bandidos, o ex-presidente Lula e a presidente atual são protagonistas de episódios danosos e altamente prejudiciais ao povo e País.
    Um abraço, Newton.

  2. Caro CN … Se pergunta quem dava suporte a Hitler … Havia componente Profético ou de Conspiração?

    Por que o PMDB aceita se sujar perante a História? Até onde vai a força do Picciani?

    Vade retro Satanás!

  3. Olha, chegamais, apesar de a pergunta ter sido dirigida ao Carlos Newton, se me permitires eu gostaria de dar a minha parcela de contribuição à resposta.
    Fizeste uma pergunta muito interessante, verdadeiramente enigmática!
    Por que o PMDB se sujeita a este desgaste político, além daquele que o caracteriza por estar sempre ao lado de quem governa?
    A meu ver, trata-se de pragmatismo, ou seja, aproveitar o momento que terminará ali adiante, e utilizar-se do famoso “toma lá, dá cá”, enriquecendo o partido e seus dirigentes, que também se beneficiam do poder mesmo que este pertença ao PT, no caso, mas quem está com as rédeas na mão é o PMDB.
    Mais a mais, no Brasil, que possui um povo de memória muito curta ou quase sem, o conceito atualmente ruim do PMDB pode se desvanecer por magia, basta que seus candidatos discursem o que agrada aos ouvidos de incultos e incautos, e nos moldes petistas, que continuarão sendo eleitos como se jamais tivessem sido os aliados mais íntimos do PT desde que assumiu o poder, e responsáveis diretos pelas crises que ora abalam o Brasil e sua população.
    Por outro lado, se observares, o PMDB vai sofrer da mesma carência de lideranças em caráter nacional como o PT.
    Quem seria hoje o nome de peso do PMDB, sem o rastro de erros cometidos pelo partido e de nomes conhecidos no País?
    Igualmente o PT, que, sem Lula – ainda a liderança petista que tem representatividade, lamentavelmente -, quem seria o nome petista para enfrentar uma eleição presidencial e com chances de vitória?
    Os dois partidos estão se exterminando, mostram de forma inequívoca que começam a ficar sem oxigênio político, sem sucessores, sem lideranças que impeçam PMDB e PT continuar tão poderosos como foram, que continuarão sendo até o término do mandato de Dilma, seja em 2018 ou por impedimento.
    Aposto que esses dois partidos não elegerão o presidente, pois o povo não os suporta mais, não os quer no poder, contribuindo para esta rejeição o período que a Dilma tem de governo, três anos, cujo tempo aumentará as nossas dificuldades políticas, econômicas e sociais, portanto, nossos problemas nas próximas eleições para presidente estarão recentes tanto na memória do povo quanto no seu bolso.
    O PMDB sabe que é a sua última oportunidade de se aproveitar do Brasil, e pouco está preocupado com as consequências para o futuro, consciente que o partido sofrerá uma queda inevitável após os desmandos e descalabros do PT, pois participou ativamente dos males praticados pelo seu aliado.

        • Caro Paulo_2 … saudações!

          Em seu artigo “Divórcio Inevitável”, José Roberto de Toledo disserta sobre o PMDB – finalmente alguém escreveu algo que bate com o poder do PMDB – MUNICÍPIOS!!! e 2016 está logo aí, né???

          Picciani combinou algo com Dona Dilma???
          1 – No RJ o PMDB não precisa da ajuda do PT – fala-se em chapa pura!!!
          2 – Em SP temos Marta, Skaf e Chalita – dá para formar chapa pura também!!!
          3 – No resto do país o PMDB ainda é a maior força!!!

          É difícil de entender o que Picciani está achando que estes Ministérios acrescentarão ao PMDB!!! tanto que 22 deputados federais não abonaram este PT+pmdb!!!

          Sempre defendi Coalizão para governar – coalizão em que se discute as Políticas antes de serem enviadas ao Legislativo … Coalizão para abonar malfeitos kkk KKK kkk

          • O PMDB continua sendo o partido oportunista que não tem nenhuma responsabilidade com os eleitores, tanto que aumentou a participação no governo da Dilma. Se houvesse um minimo de honestidade neste partido, já teria abandonado o navio. Aliás, a quantas eleições o dito maior partido do Brasil não tem um candidato a presidente. O último, foi o Ulisses?

          • O PMDB continua sendo o partido oportunista que não tem nenhuma responsabilidade com os eleitores, tanto que aumentou a participação no governo da Dilma. Se houvesse um minimo de honestidade neste partido, já teria abandonado o navio. Aliás, a quantas eleições o dito maior partido do Brasil não tem um candidato a presidente? O último, foi o Ulisses?

          • Caro Paulo_2 … O PMDB foi escolhido pelos eleitores para governar junto com o PT … Acontece que o PT está na porta do impeachment – só falta entrar … A reforma ministerial vive Governo de Transição, creio eu.

  4. Parabéns Newton, ultimamente, seus artigos estão sensacionais, elaborados com perfeição e muita clareza, é claro que você sabe escrever, mas além disso, você sabe ver, e este dom não é para qualquer um, só os talentosos possuem. Esta batelada, que você está produzindo, são antológicos, ficarão para a História.

  5. Justamente por ser lula o único mandatário petista que realmente manda, tanto no pete como no governo, deve ser o principal responsável por tudo isso que está acontecendo, elencado por nosso editor em seu artigo. A montagem fotográfica é por demais elucidativa.

  6. O Instituto Lula virou quase que um órgão do governo, daqui a pouco vão criar cargos comissionados pagos com o nosso dinheiro.

  7. MAIS UM POUCO SOBRE A HISTÓRIA DO BRASIL

    Na manhã de 25 de agosto de 1961, quando Brasília se preparava para assistir a um belo espetáculo cívico, um desfile militar, pois comemorava-se o Dia do Soldado, foi o povo surpreendido com a notícia de que o Presidente Jânio Quadros, que ainda não havia completado sete meses de governo, renunciou.

    Sua carta de renúncia, dirigida ao Presidente da Câmara, Sr. Ranieri Mazzili, mal entregue, foi imediatamente lida perante o Congresso, expressa e apressadamente convocado, para tomar conhecimento da estranha e surpreendente atitude do Presidente da República. A seguir, como se isso fosse parte de um roteiro previamente traçado, foi aceita a renúncia e o Sr. Ranieri Mazzili, por força da letra da Constituição, foi empossado como novo Presidente, pois estando o Vice-Presidente, Sr. João Goulart, em viagem pelo Oriente, era Mazzili o substituto legal.

    Data daí, segundo observadores políticos, a série de acontecimentos que convulsionaram o País, e que culminaram com o golpe militar que derrubou o Presidente João Goulart, suprimiu o regime democrático e implantou uma Ditadura.

    Não concordo com esta conclusão. Na realidade, a renúncia de Jânio Quadros foi apenas uma nova etapa da crise econômica e política que se havia manifestado no Brasil, para não ir muito longe, desde 1945, talvez desde 1930 ou mesmo antes, se quisermos aprofundar-nos mais um pouco. Jânio renunciou, – e se não renunciasse seria deposto, como o foi seu sucessor – em virtude de terríveis pressões que sofreu, segundo ele mesmo revela (Razões de Renúncia, de 15 de março de 1962), de grupos poderosos.

    Que pressões eram essas ? E que grupos poderosos as exerceram ? Passados esses anos, já é possível identificá-los, para os que tinham dúvidas.

    Tratam-se dos mesmos grupos econômico-políticos prejudicados depois de 1930 – A Revolução Inacabada – por não lhe haverem permitido o controle do poder como desejavam, os mesmos grupos que, por isso mesmo derrubaram Getúlio Vargas em 1945, e que a seguir o depuseram em 1954, provocando o seu suicídio. Os mesmos grupos que, por fim, sempre em busca do poder político, derrubaram em 1964 o Presidente João Goulart.

    Há, pois, como se vê, uma continuidade lógica nos acontecimentos. Esses grupos são os mesmos que em 1945 recorreram ao embaixador norte-americano Adolfo Berle Jr. e, em 1963/1964 a outro embaixador norte-americano, Lincoln Gordon. São ainda os mesmos grupos que, não podendo contar com o apoio do povo para suas investidas em direção ao poder, em 1945, 1951, 1954, 1961 e, por fim em 1964, não cessaram de apelar às Forças Armadas para fazê-los por eles.

    Estes grupos representavam a alta burguesia financeira, banqueiros, grandes industriais associados de uma forma ou de outra ao capital norte-americano, os que alienaram suas indústrias e suas consciências ao capital e ao capitalismo da grande república do Norte da América, os testas-de-ferro brasileiros que dirigiam essas indústrias, os advogados, os public-relations dessas mesmas empresas encarregados de defender seus interesses junto ao governo brasileiro e infiltrados nos partidos políticos nacionais e na alta administração do País, os que tinham o poder econômico mas ainda não o poder político. Em suma, a UDN. Toda a História do Brasil, de 1945 para cá é a história da UDN (pulverizada hoje no DEM, no PP e vários pequenos partidos, como o PSC, etc) e de sua luta pelo poder. Foi a UDN que gerou todas as crises políticas que abalaram o País nesse período. Aliás, desde 1930, quando ela ainda não existia como partido, senão em esboço, no Partido Democrático de Sãp Paulo e, economicamente era ainda fraca e inexpressiva, embora igualmente ambiciosa. Mas nestes anos, ela enriqueceu, cresceu e apareceu. E cada vez com mais ardor, exigindo poder.

    Tentou-o nas eleições de 1945 e perdeu. Tentou novamente em 1950 e foi novamente derrotada. Conseguiu-o através de um golpe,, em 1954, com a derrubada e o sacrifício de Getúlio Vargas, mas um ano depois, nas eleições de 1955, perdeu-o novamente. Derrotas sobre derrotas, sempre que tinha de enfrentar o voto popular.

    Convencida de que legalmente jamais tornaria ao poder, teve a UDN de, mais uma vez, apelara às Forças Armadas. Já o avia tentado em 1951, outra vez em 1955 (Carlos Lacerda disse que Juscelino não seria eleito, se eleito, não tomaria posse e se tomasse posse, não governaria), e ainda outra vez em 1961 para impedir a posse de João Goulart. E não o conseguiu, por força da opinião popular que, por sua maioria, sempre a repudiou. Conseguiu, afinal, em 1964.

    Há, de início, as razões que o próprio Jânio Quadros renunciante apresentou: tinha contra ele toda a grande imprensa do País. Havia, além disso uma estranha simbiose entre o Poder Econômico e os Comunistas, de mãos dadas contra ele. Contra ele ainda, todo o Congresso. Dizia Jânio: “No Congresso, as mensagens que eu enviava, não caminhavam. O projeto de Lei anti-truste era acusado de esquerdista e mutilado; o de remessa de lucros era acusado de direitista e afinal substituído por outro” (página 21 das Razões…). Todos os partidos políticos unidos contra ele e, à frente deles, a UDN, aliás, fartamente representada na Administração e sob cuja legenda e com cujo apoio, fora eleito.

    Por fim, como ponto culminante, um projeto de impeachment e uma Comissão Parlamentar de Inquérito, pela qual procurava, com certa ingenuidade, substituir o predomínio do capital americano no País, pelo inglês ou pelo francês ; reatamento das relações diplomáticas com os países do Leste europeu, as repúblicas democráticas populares da Romênia, da Hungria e União Soviética. E mesmo, se fosse possível, a Alemanha Oriental e a China Popular. Uma perigosa Lei anti-truste e uma regulamentação das remessas de lucro, dividendos, esta já tentada por Getúlio Vargas e que, juntamente com o projeto da Petrobras, lhe custou a vida. Acusavam-no, finalmente – o velho pretexto – de dar acesso à Administração de “comunistas notórios” (embora não se mencionasse nenhum nome, pois na verdade Jânio jamais se associara aos comunistas) e de estar levando o País ao comunismo.

    Para coroar uma série de medidas e projetos surpreendentes – todas taxadas de comunistas – decidiu condecorar o Ministro da Economia de Cuba, país com o qual mantínhamos relações normais, Ernesto Che Guevara. E mais uma vez toda a imprensa do País, encabeçada pela Tribuna da Imprensa, dirigida pelo líder udenista e governador da Guanabara, Carlos Lacerda, atirou-se contra ele, até mesmo com insultos pessoais, como soía fazer este jornalista. Sem partidos para sustentá-lo, sem um único jornal para apoiá-lo, as centrais sindicais cujas cúpulas eram dominadas pelos comunistas a hostilizá-lo, convocou os ministros militares, para um exame da situaçao: queria apoio das Forças Armadas para fechar o Congresso e intervir na Guanabara.

    Não se sabe o que aconteceu nessa reunião. É certo, porém, que lhe negaram apoio.

    Havia, pois, chegada a hora da decisão suprema: ser ou não ser…Presidente da República ? Várias alternativas se lhe apresentavam: fechar o Congresso, intervir na Guanabara… Mas essas duas alternativas lhe haviam sido negadas pelos ministros militares. Poderia resistir. Mas isso significaria, segundo suas próprias palavras, “ensanguentar as mãos”. Havia uma quarta alternativa: renunciar. Quem sabe, o povo se levantaria para levá-lo triunfante em seus braços de volta ao cargo que abandonara ? (O mesmo golpe, ou tática que usara quando candidato para se libertar da UDN).

    Mas como explicar o fato de que, havendo sido candidato da UDN, fosse justamente esse o partido que mais violentamente se iria erguer contra ele ?

    Para a UDN, Jânio era apenas um aventureiro político que sonhava com a Presidência. Dada a profunda simpatia popular de que gozava, graças ao seu feitio inconvencional, seu aspecto, seu modo de trajar, seu jeito messiânico de falar às massas -n um símbolo carismático – tal como se pertencesse ao povo ao qual se dirigia, sua carreira fulminante pela qual, sozinho, sem partido, se erguera de simples vereador de São Paulo a governador do Estado, ganhando todas as eleições sem mesmo completar os mandatos, fazendo prever uma vitória tranquila, a UDN tratou imediatamente de se apossar de tão excelente candidato, dando-lhe o apoio de suas próprias forças, nas classes médias e na alta burguesia, e fazer assim sua última tentativa para galgar o poder pela via legal.

    A UDN acreditava que Jânio no poder seria uma espécie de Café Filho, medroso, maleável, fácil instrumento em suas mãos. E esse foi precisamente o seu maior erro. Jânio poderia ser um aventureiro, mas tinha idéias próprias! E o mais estranho e surpreendente – é que ele pretendia por em execução as idéias que defendera como candidato, e que precisamente o levaram à vitória. A primeira delas, a ‘vassoura”, símbolo da luta contra a corrupção. Muito bem, mas essa luta deveria ser levada a efeito dentro de certos limites, excluídos, era óbvio, os udenistas ! Sua simpatia por Cuba, a ponto de visitá-la como candidato, suas inclinações por uma aproximação com os países da área socialista, todas as reformas que Jânio prometera em seus discursos de candidato eram, para a UDN, apenas “frases de efeito eleitoral”, “pura demagogia de candidato”. Todavia, uma vez no poder, eleito em outubro de 1960, por seis milhões de votos, eis que o Presidente se propõe a cumprir tudo o que havia prometido como candidato ! Com isso a UDN não podia concordar.

    Havia ainda uma outra circunstância não menos grave. Jânio recebera mal o embaixador Berle – o qual lhe fora pedir que condenasse o regime de Cuba. Jânio respondeu-lhe altivamente que o Brasil já era bastante crescido para traçar por ele mesmo sua política externa. Pode-se ter uma ideia do que foi essa entrevista, pelo que dela disse um funcionário americano: “Eles não se atracaram”.

    Daí a tremenda pressão contra ele, Jânio, quando começou a mostrar suas verdadeiras intenções, para a qual foi mobilizado todo o Congresso, principalmente o setor ibadiano (O IBAD era um centro de estudos e instruções anti-comunistas criado no Brasil pela CIA e financiado pelo governo dos Estados Unidos para passar instruções a políticos e militantes), toda a imprensa subornada pela publicidade das grandes empresas americanas e, evidentemente, a Embaixada Americana.

    Assim envolvido, sem poder governar, temendo ser desmoralizado pela campanha de calúnias e provocações do governador da Guanabara, Carlos Lacerda, capitulou, renunciou.

    Talvez tivesse podido resistir, mas sua única arma era um pedaço de papel, a Constituição. E nós sabemos todos o que vale a Constituição em um país subdesenvolvido, cheio de políticos e grupos econômicos ávidos de poder, e no qual falta a consciência jurídica. E, se resistisse, muito provavelmente seria deposto por um golpe militar, para o que a UDN estava mobilizando, ou pelo menos sensibilizando alguns generais e coronéis. Mas a sua resistência teria levantado u “clamor popular” como aconteceu com João Goulart pouco depois, que também não quis encher suas mãos de sangue.

    A verdade é que não se faz uma nação sem sangue. E nós, brasileiros, aparentemente não sabemos isso. Também Jango não queria “derramar sangue de brasileiros”. Mas o grupo civil-militar que o derrubou não pensava assim: estava disposto a ensanguentar as mãos e todo o País, se fosse necessário.

    O epílogo deste triste episódio foi melancólico, mas não melodramático. Jânio acreditava que sua simples renúncia seria bastante para levantar o “clamor popular”, ou pelo menos a opinião pública, que os seis milhões que o haviam eleito não permitiriam que renunciasse ou que o Congresso não aceitasse tão fácil e prontamente sua renúncia.

    Triste engano. O povo, surpreendido, sem partido e sem líderes, sem imprensa, perplexo, não se moveu. Recebeu a renúncia até com certa irritação, como se tivesse sido traído pelo seu comandante, e abandonado no campo da luta, em meio a uma batalha. E assim o presidente renunciante teve de amargar a decepção e a derrota no exílio.

    • Janio Quadros um farsante, o que ele gostava mesmo era das verdinhas, este cidadão não conheceu Janio Quadros, só idealiza, esquerdista é complicado, sempre com raciocínio enviesado, vou te dizer o seguinte, meu tio já há muito tempo falecido, e viveu a história da época, e era da turma dele, relatava para nós, que ele na sua genialidade política era um baita de um corrupto, inclusive meu querido tio o abastecia de pixulecos. De você continuo achando, o de sempre, não posso falar, pois o Newton me censura de novo, tá . Vá estudar!!!

    • Estimado Dr. Ednei Freitas … temos comentado sobre REVOLUÇÃO – vamos terminar para entendermos o que acontece no BRASIL???

      1 – O Império Romano se converte ao cristianismo;
      2 – O Império Romano é destruído por povos que também são cristãos;
      3 – Se vai impondo a Cristandade com o poder papal superior ao dos reis;
      4 – Lutero é o 1º a divergir e se manter com liberdade de interpretação particular das Escrituras;
      5 – Descartes com o Método para se afinar o Pensamento (tornando-o livre da Religião);
      6 – Espinosa apresenta Ética com valores morais independentes da Religião;
      7 – Começa a REVOLUÇÃO com os EUA, primeiro país dotado de uma constituição política escrita – não mais a Bíblia … Presidente em vez de Rei!!!
      8 – Revolução Francesa com Rei guilhotinado, nobreza e clero no prejuízo, ascensão da burguesia;
      9 – Revolução Russa com Czar fuzilado, nobreza, clero e burguesia no prejuízo, ascensão do proletariado por meio dos sovietes (porém, o Poder fica no Centralismo Democrático);
      10 – Revolução do Rosário de 1964 no Brasil … enfrentada pela Dissidência Interna Comunista … perenizada com a Constituição Cidadã de 1988 … agora a CF está sendo bombardeada!!! !!! !!!

      Vade Retro, Satanás!!! !!! !!!

    • Obrigado pela força, Virgilio. O TSE também não está parado. Dilma vai sofrer pelo resto de seus dias pelo mal que está fazendo a este país.
      Abs.

      CN

    • Enquanto isso a ‘famosa’ EPL, Empresa de Planejamento e Logística (estatal ), paga R$ 700.000,00 mensais de aluguel. Sabem o que a EPL faz ? O projeto do trem bala….

  8. A todos integrantes desse Site, mas principalmente para a honorável “linha de frente” produtora das insuperáveis matérias (Títulos) postadas, gostaria de dirigir uma consulta-questionamento jurídico sobre um aspecto que ocorreu com a instauração do famigerado Sistema de Urnas Eletrônicas, que me parece, tanto inconstitucional como suprime a legitimidade do resultado do pleito por esse meio de coleta e contagem eletrônica dos votos.
    Esse tema, acaba ressurgindo para mim como uma questão básica, toda vez que essa jabuti de árvore, artificialmente criada e plantada no Planalto por um delinquente institucional apenas para fins de perpetuação no poder, voltam a ser o centro do assunto, como na ótima abordagem do CN em questão.
    Digo isso porque, tudo na realidade se resume a uma condição que, tendo sido aceita como “verdadeira” pelas instituições de Estado que possuem a responsabilidade de garantir a lisura dos pleitos-eleições-sufrágios (TSE e STF), me parece que também passou a ser aceita, sem questionamentos, pela sociedade, mas que é também apenas devido a ESSE aspecto que nosso país se encontra refém da bandidagem que assola o governo.
    Refiro-me à figura do procedimento de ESCRUTINAÇÃO que sempre existiu na apuração dos votos de qualquer eleição, e que era o procedimento que emprestava-garantia LEGITIMIDADE na cadeia de apuração dos votos a todos os pleitos, mas que, foi LITERALMENTE SUPRIMIDO do processo quando esse foi informatizado pelo Sistema de Urnas Eletrônicas, sem que qualquer outro meio no novo processo tenha vindo a garantir-restabelecer essa VITAL função VALIDADORA!
    Acho que estamos atrasados nessa questão e precisamos levar esse assunto às instâncias responsáveis por essa “vulnerabilidade” do Sistema de Urnas Eletrônicas, que pode muito bem ter, inclusive, sido a motivação maior de sua implementação.
    Creio realmente que o parecer de participantes desse site na área jurídica poderiam contribuir muito para a solução dessa questão!

  9. Parabenizo o editor da Tribuna na Internet, o brilhante, insuspeito e corajoso jornalista Carlos Newton, pelo texto objetivo, claro e realista sobre a conjuntura política brasileira.

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