No desespero, Temer está usando Torquato Jardim para atacar Janot e Fachin

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Charge do J. Gomes (O Estado/CE)

Gustavo Uribe, Bruno Boghossian, Daniel Carvalho e Ranier Bragon
Folha

Diante da certeza de que será alvo de denúncia da Procuradoria-Geral da República, o presidente Michel Temer decidiu partir para o enfrentamento com o procurador-geral Rodrigo Janot e o relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin. Na tentativa de barrar um pedido que pode afastá-lo do cargo, o peemedebista começou a estruturar estratégias jurídica e política e, em sua defesa, a base aliada iniciou movimento para destravar pauta antijudiciária engavetada na Câmara.

A aposta do Planalto é a de que Janot apresentará ao Supremo denúncia por corrupção passiva, obstrução judicial e organização criminosa logo após a conclusão do julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de cassação da chapa presidencial, que será retomado na terça-feira (dia 6).

PERÍCIA NA GRAVAÇÃO – Como a gestão peemedebista acredita que o julgamento será encerrado já na próxima semana, com um placar apertado, mas favorável à manutenção do presidente no cargo, a expectativa é a de que a denúncia seja feita ainda na primeira quinzena de junho.

Caso o cenário se confirme, a defesa do presidente pretende questionar juridicamente a apresentação de uma denúncia sem a conclusão de perícia da Polícia Federal na gravação de conversa entre o peemedebista e o empresário Joesley Batista, da JBS.

O áudio baseou parte do pedido de abertura de inquérito apresentado por Janot contra o presidente e que foi autorizado por Fachin. O conteúdo é questionado por Temer, para quem houve fraudes e cortes.

CARGOS EM OFERTA – O presidente peemedebista também iniciou negociação de cargos com a base aliada para garantir sua permanência. Pela Constituição, se a PGR denunciar o presidente por crime comum, o STF só poderá analisar o recebimento da denúncia com apoio de pelo menos dois terços (342 de 513) da Câmara dos Deputados.

Para evitar a suspensão por até 180 dias, o foco do Planalto tem sido o chamado “centrão”, formado por siglas como PP, PR, PTB e PSD. A estratégia tem sido atrair parcela dos cerca de 200 votos do grupo com a oferta de cargos que ficaram vagos com o desembarque de legendas como PPS, PSB e PHS. As vagas podem aumentar com um eventual rompimento por parte do PSDB.

A base aliada também prepara ofensiva para constranger a PGR e o STF. Em uma retaliação, parlamentares governistas já apresentaram questionamentos sobre a relação de Fachin com a JBS no período em que ainda pleiteava uma vaga no STF.

ABUSO DE AUTORIDADE – Os parlamentares ainda ligados a Temer ameaçam resgatar e ampliar o projeto de lei que endurece punições por abuso de autoridades, como juízes e promotores. O texto, alvo de críticas de procuradores sob o argumento de que se trata de uma retaliação à Lava Jato, foi aprovado no Senado e aguarda ser pautado na Câmara.

Eles também avaliam colocar em votação pacote de medidas que barram salários que ultrapassam o teto do funcionalismo, iniciativa já aprovada no Senado.

“É muito difícil a Câmara aceitar essa denúncia caso ela seja feita. Há o entendimento entre deputados de que houve uma grande conspiração contra o presidente”, disse um dos vice-líderes do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP). Segundo ele, há uma “certa unanimidade” de que o Ministério Público tem avançado sobre prerrogativas do Legislativo. “Está muito difícil a relação”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria é muito boa, mas esqueceu que a estratégia de atacar Janot e Fachin já está em curso, desfechada por Temer através do neoministro Torquato Jardim. O império contra-ataca, mas vai dar tiro no pé. Não adianta querer turbinar o projeto do abuso de autoridade, como Aécio Neves propunha com tanta ênfase, porque a reação da opinião pública será devastadora. Também não adianta querer pressionar Edson Fachin e Rodrigo Janot, porque será Piada do Ano. O fato é que Temer só está se segurando porque a crise econômica já chegou ao fundo do poço e a recuperação é visível. Apenas isso. Judicialmente e politicamente, Temer está liquidado. A base aliada até aceita receber mais cargos, mas isso não garante que vá votar a favor de Temer. (C.N.)

8 thoughts on “No desespero, Temer está usando Torquato Jardim para atacar Janot e Fachin

  1. Em Brasilia o governo esta em “liquidação” ou OFF, como querem os colonizados.
    Quem se propuser a ajudar a manter o atual presidente, tem direito a nomear quantos apaniguados for possível.
    O nosso governo virou mercado persa, tudo é negociado e pechinchado, Não ha limites para as vendas e as ofertas. O negócio é não proporcionar prejuízo ao dono do bazar.

  2. Temer se ta enrolado até a cabeca com aquele escritório aduaneiro, é lá que o bicho ta pegando e ninguém fala nada, o rolo é grande, temer vai cair por causa disto,espero que o país acabe com o crime organizado.

  3. O Temer, não tem mais condições de governar o Brasil, não só pela gravação do Joesley, mas
    principalmente pela entrega do patrimônio nacional às multinacionais, como vem fazendo com setores da Petrobrás e influenciando governadores que necessitam da ajuda federal a privatizar suas empresas. Aqui no Rio de Janeiro se o Pezão, quiser ajuda federal terá que privatizar a CEDAE que é um monopólio estatal, empresa estratégica de utilidade pública, não deveria ser para dar lucro e sim atender a população.
    A iniciativa privada, não tem compromisso com o social, seu compromisso é o lucro e o povo vai ser mais uma vez roubado no seu minguado salário.
    Se Temer sair e, o que entrar em seu lugar continuar com o Henrique Meirelles, o que deve acontecer, vai continuar a mesma coisa,: os banqueiros se dando bem e a entrega do patrimônio nacional.

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