No dia 12 de outubro de 1977, Silvio Frota, Ministro do Exército, tentou derrubar o “presidente” Geisel. Derrotado, demitido, perdeu tudo. Apenas “pavimentou” o caminho para que João Figueiredo fosse o próximo “presidente”

Há 32 anos, num dia 12 de outubro exatamente igual ao de ontem, o General Silvio Frota, Ministro do Exército do “presidente” Ernesto Geisel, tentava derrubá-lo. Só não conseguiu por imprudência, incompetência, imprevidência. Era um dos muitos golpes dentro do golpe, o que ocorreu com mais frequência do que se sabe ou até do que se imagina.

Ernesto Geisel trabalhava na escolha do seu sucessor. Os que tomaram o Poder em 1964, fixaram um princípio (?) inteiramente inédito e inusitado em matéria de ditadura. Normalmente as ditaduras são fixas (até que se desgastem, geralmente do ponto de vista interno) com um ditador também fixo.

A de 1º de abril de 1964, inovou completamente. Implantou uma ditadura fixa com um ditador rotativo. E esse ditador rotativo precisava preencher três condições. 1- Ser general de Exército. (Quatro Estrelas). 2- Da ativa. 3- Não admitir de maneira alguma a permanência no Poder depois de terminado o prazo fixado. Ou seja: nada de reeeleição.

Do ponto de vista da sucessão normal, jamais houve reeeleição na nossa história. Quanto ao ditador (com o jogo e o Poder obtido pela força), não tinha duração fixada, mandava até ser derrubado. (Getulio Vargas).

Já se sabia que Geisel anunciaria dentro de algum tempo, o nome do sucessor. Também se sabia, que só existiam dois nomes, ligadíssimos ao “presidente”: Hugo Abreu, Chefe da casa Militar, que tinha a função importantíssima de censurar e controlar a imprensa, com a conivência, a concordância e a cumplicidade dos ávidos donos dos jornalões.

E João Figueiredo, chefe do SNI. Mas havia um desafio que era o que seduzia Ernesto Geisel, não muito brilhante nem muito audacioso, mas que gostava de contrariar o estabelecido. Hugo Abreu e Figueiredo eram generais de Divisão (três Estrelas) o que não se encaixava nos princípios (?) de 1964.

Hugo Abreu achava que ia ser o escolhido, era o número 1 no Almanaque, Figueiredo o número 3. E no Exército, (Forças Armadas) para ser promovido, a rotina estabelece que “antiguidade é posto”. Menos para Geisel, que adorava ser carrancudo e “desmancha-prazeres”. Geisel se preparava para “desmanchar o prazer” de um terceiro personagem, poderosíssimo e candidatíssimo.

Esse terceiro personagem se chamava Silvio Frota, general de 4 Estrelas, Ministro do Exército, e além de tudo isso, convencido de que a vez era dele, ninguém tinha mais títulos e credenciais. Poucos dias antes, um fato de importância irrefutável: o “presidente” Geisel chamou a Brasília os Comandantes dos 4 Exércitos. Sem eles não se faz nem se fazia nada.

O Ministro do Exército soube, (como deixar de saber?) e que no dia 12 de outubro seriam recebidos em Brasília. Cometeu então o equívoco que arruinou o fim de sua carreira. Mandou três coronéis e 1 general de Brigada (2 Estrelas), receber os Comandantes. Geisel, sempre pragmático mas precavido, destacou 4 generais de Exército para dar as “boas vindas” aos colegas da mesma patente. E levá-los ao Planalto. Silvio Frota também convidava para irem ao Ministério do Exército (Forte Apache), adivinhem qual o convite que aceitaram?

Os comandantes ficaram horas no Planalto, recebidos com honras, sólidas, e champanhe, líquida. Quando saíram, um deles, Hugo Bethlem, já era Ministro do Exército. Silvio Frota nem precisou ser demitido, um general sem tropa vai pra casa, foi o que ele fez.

(Anos depois publicou um livro com revelações interessantes. Mas externando a convicção, numa frase absurda que depreciou o livro: “Ernesto Geisel era comunista, eu sempre soube disso”).

Geisel arrematou o que diziam dele, (“desmancha prazer”) escolhendo Figueiredo e preterindo Hugo Abreu. Com isso teve que ratificar o que acontece no Exército: “caroneando” o número 1, Hugo Abreu, este foi pra casa, revoltado.

Logo depois publicaria o livro, “O outro lado do Poder”, que Julio Mesquita Filho, Otavio Frias pai, Roberto Marinho e Nascimento Brito, leram com amargura, com mágoa, ressentimento e sem pode exibir uma palavra de protesto. Tudo era verdade e nenhum deles escrevia mais do que o próprio nome.

***

PS – Os fatos se desenrolariam com grande velocidade, mas quero terminar no próprio dia 12 de outubro de 1977. João Figueiredo, Chefe do SNI, não tinha confiança no próprio órgão que chefiava, sabia que gravavam tudo.

PS 2 – Precisando conversar com o grande amigo Mario Andreazza, marcou com ele um jantar nessa noite, na casa do advogado Paulo Maia. Teve que ser desmarcado. Andreazza protegeu Delfim Netto no governo Figueiredo. Morreu ainda moço, sem deixar nenhuma herança ou propriedade, completamente pobre, ao contrário do que espalhavam. Mas isso é outra história.

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