No esquema de Cabral, transportadora de valores tornou-se um banco de segredos

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Como sempre sonhou, Cabral ficou famoso no exterior

Pedro do Coutto

O economista Marcos Lisboa, em sua coluna semanal na Folha de São Paulo, publicada dia 20, apresentou a concessão de aumentos ao funcionalismo público como fator principal do desequilíbrio fiscal e orçamentário do Rio de Janeiro. Equivoca-se, a causa está no sistema desenfreado de corrupção montado e operado sem limites ao longo dos últimos nove anos, ininterruptamente. Incentivos incluíram até joalherias de luxo. Tradicionais, já se encontravam funcionando há muito tempo.

Esta comprovação derruba totalmente o argumento de que os estímulos fiscais destinavam-se à instalação de empresas. Como? Elas já estavam instaladas antes das desonerações concedidas.

É fácil culpar o funcionalismo público e os aposentados pelos prejuízos impulsionados pela violenta onda de roubo que inundou o Palácio Guanabara. E fez submergir a ética e as contas estaduais. Marcos Lisboa falou sem examinar o orçamento estadual. É de 76 bilhões de reais para 2016. A despesa com os funcionários públicos, ativos, aposentados e pensionistas pesa 32%. São 2,1 bilhões por mês, ou cerca de 27 bilhões de reais por ano, como a Folha e O Estado de São Paulo publicaram recentemente.

DESONERAÇÕES – Sugiro a Marcos Lisboa comparar estes números com o montante das desonerações que se eleva a 151 bilhões. E também com o total de 59 bilhões de reais de dívidas não cobradas de empresas devedoras como o Valor publicou com destaque uma semana atrás.

Marcos Lisboa conhece a fundo o universo financeiro. Não tem direito, assim, de cometer erros comparativos sem pelo menos levar em conta os valores percentuais objeto de sua comparação. O montante de 151 bilhões é o dobro do orçamento do Rio de Janeiro para este ano. Se colocarmos, para completar o exercício intelectual, os bilhões sonegados, transitados pela Justiça, mas não cobrados, chegamos à casa dos 200 bilhões de reais. Mas não se trata apenas de dinheiro oculto. E sim, também, do que deixou de ser feito pela administração pelo desaparecimento dos recursos ao longo de nove anos.

O governo do Estado do Rio de Janeiro – informação para Marcos Lisboa – transformou-se em verdadeira máquina de produzir roubos em série. Isso tem que ser levado em conta para qualquer análise econômica séria. O juiz Sérgio Moro tem razão ao destacar a existência de um esquema criminoso com governantes ricos e governados pobres. Em grande parte abaixo da linha de pobreza, acrescento eu.

O “BANCO” DE CABRAL – O repórter Chico Otávio, O Globo de domingo, revela que uma empresa de transporte de valores, com sede no bairro de Santo Cristo, transformou-se num verdadeiro banco de guardar dinheiro e segredos, entre estes a causa principal do déficit financeiro do RJ revelado pelo governador Luiz Fernando Pezão.

Afinal de contas, como explicar que uma transportadora de valores se transforme num banco abastecido regularmente por fontes luminosas, porém secretas?

Os grandes bancos, como o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, possuem cofres de aluguel. Presume-se para guardar joias, talvez moedas estrangeiras, e documentos, mas não tem lógica para guardar reais. Pois neste caso os depósitos perderiam a corrida contra a inflação do IBGE. Não faria sentido, portanto.

O uso do cofre secreto, no caso da transportadora que virou banco, não foi só para joias, como no filme famoso.

É isso aí.

9 thoughts on “No esquema de Cabral, transportadora de valores tornou-se um banco de segredos

  1. E pensar que ele tem direito a defesa.
    Como é que se defende um bandido desses?
    A defesa vai alegar bi-polaridade, esquizofrenia,
    parkinson, dupla personalidade….etc…etc….
    O cara é ladrão e ponto final. Cana pesada.

  2. Bom dia , leitores(as):

    Senhor Pedro do Coutto , as afirmações do economista Marcos Lisboa, em sua coluna semanal na Folha de São Paulo, publicada dia 20, são PURA e SIMPLESMENTE de má fé, pois a grande maioria dos economistas de plantão nos vários órgãos da imprensa Brasileira são tendenciosos e desonestos, pois são pagos com ” dinheiro público” (através das verbas de publicidades institucionais) para demonizar as seguintes categorias da sociedade , APOSENTADOS ,PENSIONISTAS e FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS em geral , omitindo o absurdo de JUROS que a união paga (bilhões de reais) todo mês para apenas rolar (empurrar com a barriga) a dívida pública ,sem nenhum benefício palpavel para o pais e seu povo.

  3. É no que dá a falta de estadistas.

    Desculpas não faltam para explicar a hecatombe.

    O populismo gerou um universo de gestores incompetentes, mas partidários, os” companheiros” que levaram o país a bancarrota,

    No fundo e no raso, estamos sofrendo o que se pode rotular o abraço dos afogados, sem perspectivas de um prazo para sair dessa situação.

    No popular, já que o povão gosta disso, o máximo para esse povo entender o que acontece, é tornar a repetir o velho adágio: “papagaio come o milho e o periquito leva a fama”.

    Mas, pagando caro por cada voto dado aos vagabundos que vão fazer as leis do país…

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