No futebol, pouco pode ser muito

Pouco pode ser muito

Tostão (O Tempo)

Na coluna anterior, falei de Seedorf, que, além de jogar mais livre e mais próximo do gol do que antes, atua no Botafogo de uma maneira lúdica e criativa. Isso serve para outros veteranos que brilham no Brasileiro. Eles estão bem fisicamente e querem parar por cima. É a última chance de jogarem a grande pelada de suas vidas. Os maiores craques, em todas as atividades, são os que trabalham brincando, com seriedade.

O baixo nível técnico do Brasileirão facilita para os que sabem jogar, veteranos ou não. Muitos discordam. Uns, por convicções técnicas, usam de argumentos, mesmo quando não existem, para dizer que está tudo bem.

Há ainda os “Pachecões”, os “Policarpos Quaresmas”, que acham antipatriota criticar o que é nosso. Existem também os interesses econômicos, de que não se deve desvalorizar o produto futebol.

Durante e depois dos 8 a 0, muitos – não digo quem porque são inúmeros – se concentraram nas críticas na falta de empenho dos jogadores e de planejamento da diretoria do Santos. Esqueceram do mais importante: a absurda diferença técnica entre os dois clubes. Mas isso é proibido falar, para não desvalorizar nosso futebol.

Imagine se o Brasil ganhar a Copa, o que tem boas chances de acontecer. Felipão vai ganhar uma estátua, Marin se tornará um herói, e todos os jogadores serão rotulados de craques.

Volto aos veteranos. Alex continua em seu estilo, de não dar a bola para o adversário. Toca, mesmo que for para o lado, para esperar o momento certo de fazer uma jogada excepcional, decisiva. Quando essa chance não surge, dizem que ele é um vagalume, que acende e apaga. Não entendem sua genialidade.

Há jogadores que correm muito, que ficam muito com a bola, que driblam muito, que dão muitos passes, que finalizam muito, que trombam muito, que caem muito, que reclamam muito, mas que jogam pouco. O pouco de Alex é muito.

Zé Roberto e Juninho Pernambucano disputaram a posição de titular na Copa de 2006. Zé Roberto ganhou e fez parte da seleção do Mundial. Os dois não são típicos volantes nem típicos meias. São armadores, defensivos e ofensivos.

Juan é um dos raros zagueiros que anteveem o passe, antecipam e ainda têm um bom passe. Não tromba com o atacante, não cai nem dá carrinhos. Joga futebol.

Sugiro que, no fim do ano, escolham também o melhor veterano, como tem a melhor revelação. Há uma grande chance de o melhor veterano ser o melhor do campeonato. Acho que a idade mínima deveria ser 35 anos. Ronaldinho ficaria fora, já que tem 33.

Nem todos os veteranos brilham no Brasileirão, e nem todos os que brilham são veteranos. Muitos jovens são também destaques. Tenho mais esperança em Vitinho, 19, ainda mais que ele tem dois ótimos pais no Botafogo, Oswaldo de Oliveira e Seedorf.

ÓTIMO ELENCO

O Cruzeiro possui nove jogadores, mais ou menos do mesmo nível, para as três posições dos meias que se aproximam do centroavante e que também voltam para marcar.

São eles: Éverton Ribeiro, Ricardo Goulart, Luan, Martinuccio, Willian, Lucca, Élber e ainda Dagoberto e Júlio Baptista, que, brevemente, estarão em condição de jogar. Não há necessidade de tantos. Quais devem ser os titulares? Não sei. Vai depender do momento. Mais importante é que todos que entrem saibam suas funções e obrigações, o que tem ocorrido.

Marcelo tem usado bem as substituições. Júlio Baptista pode ser também usado com centroavante ou volante. Na ausência de um dos volantes, Souza ou Nilton, que têm jogado bem, Júlio Baptista, e não Leandro Guerreiro, seria a melhor opção.

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