No momento, o Brasil não precisa de novos Estados, nem da Copa ou da Olimpíada. Precisa é de vergonha na cara.

Carlos Newton

A rejeição dos eleitores do Pará à criação de dois novos Estados, num plebiscito marcado pela ampliação do ressentimento nas áreas que desejavam se emancipar, representa um resultado positivo, em termos políticos, sociais e econômicos.

Como se sabe, cerca de 4,8 milhões de eleitores paraenses foram convocados a opinar se o território de 1,2 milhão de km² e repleto de diferenças culturais e econômicas deve ser repartido em três Estados – Carajás, Tapajós e Pará.

É claro que os Estados enormes, como Pará e Amazonas, precisam mesmo ser divididos. O que se discute é a oportunidade, o momento, porque o Brasil é um país pobre que se julga rico e agora até tira uma onda, por ter voltado a estar entre as dez maiores economia do mundo.

Para ficar na média mundial, o país na verdade já deveria ser a sexta economia no mundo, porque tem a sexta maior população. Mas o PIB não é o indicador correto. O que determina a riqueza de uma nação é seu Índice de Desenvolvimento Humano, o famoso IDH medido pela ONU. E o Brasil ainda tem IDH ridículo em relação a seu potencial.

Diante dessa realidade, o Brasil está longe de ser considerado um país de justiça social, pois somente uma pequena elite é rica e aqui a distribuição de renda permanece como uma das piores do mundo. Para melhorar a qualidade de vida de seu povo, portanto, o Brasil deveria ter administrações austeras nos três níveis de governo – federal, estadual e municipal. Mas não é isso que se vê. Vamos promover uma Copa do Mundo e depois uma Olimpíada. Para quê? Para nada. Estamos jogando dinheiro pelo ladrão, literalmente.

Nesse quadro, a criação de mais dois Estados somente iria aumentar a gastança estatal, com formação de mais dois governos, repletos de secretarias, mais dois judiciários e mais duas assembléias legislativas, com suas instalações suntuosas e respectivos cabides de empregos.

O tempo passa, e o Brasil continua à espera de que “cada um cumpra o seu dever”, frase atribuída ao almirante Barroso na Guerra do Paraguai.  Na verdade, é uma tradução de uma frase que teria sido dita pelo almirante Nelson, que derrotou Napoleão Bonaparte, mas ninguém sabe se foi inventada por algum jornalista ou historiador.

Portanto, é mais seguro lembrar Leonel Brizola, que há alguns cunhou uma frase muito oportuna para os dias de hoje: “Estou pensando em criar um vergonhódromo para políticos sem-vergonha, que ao verem a chance de chegar ao poder esquecem os compromissos com o povo”.

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