No país do futebol, a educação e a saúde que se danem

Carlos Newton

É desalentador receber a notícia de que o Sistema Único de Saúde (SUS) desativou quase 42 mil leitos de hospitais nos últimos sete anos, segundo uma análise do Conselho Federal de Medicina (CFM). Atualmente, o país tem mais de 354 mil leitos em todos os estados, mais o Distrito Federal. A redução, portanto, representa 11,8% do total em atividade hoje.

O desalento é ainda mais quando se recorda que o então presidente Lula declarou que o SUS no Brasil estava “próximo da perfeição” e até sugeriu ao presidente Barack Obama sua adoção nos EUA. Tão empolgado estava Lula com o “sucesso” do SUS que chegou a dizer que tinha até vontade de ficar doente, só para se tratar no sistema público. Deu no que deu. Pegou um câncer e teve de se tratar no Sírio-Libanês, justamente o hospital mais caro do país, enquanto uma prima sua recorria ao SUS para se cuidar da mesma doença, vejam como ainda há estranhas coincidências em nossa vida.

Os dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, levantados pelo próprio Ministério da Saúde, fazem parte de um relatório sobre os aspectos que dificultam o trabalho dos médicos no Brasil, como a falta de investimentos e infraestrutura.

Entre outubro de 2005 e junho de 2012, Mato Grosso do Sul foi o estado que mais sofreu com a perda de leitos, com uma queda de 26,6%. Em seguida, aparecem Paraíba (19,2%), Rio de Janeiro (18%), Maranhão (17,1%) e São Paulo (13,5%). As áreas mais prejudicadas foram psiquiatria, pediatria, obstetrícia, cirurgia geral e clínica geral.

No setor da Educação a situação é idêntica, devido à carência de professores e às más condições dos estabelecimentos públicos. O problema é tão grave que o Congresso está aprovando um aumento das verbas destinadas à Educação, mas já se sabe que a presidente Dilma Rousseff vai vetar a proposta.

Enquanto isso, seguem a todo vapor as obras de construção de estádios de futebol e de centros esportivos para a realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016, com superfaturamentos absurdos e tudo o mais. Mas país rico é assim mesmo – só se preocupa com o que é realmente importante. Perguntem ao ex-governador mineiro Francelino Pereira.

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