No parecer contra Lula, Lava-Jato reabre velha ferida do PT: o caso Celso Daniel

Reprodução da revista Veja

Deu no Estadão

Na mais dura manifestação já desfechada contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos autos da Operação Lava-Jato, o Ministério Público Federal reabre uma velha ferida que assombra o PT – o emblemático caso Santo André. Os procuradores que subscrevem a peça, autêntico libelo contra Lula, se reportam ao episódio de corrupção que marcou a gestão Celso Daniel (PT), prefeito da cidade do Grande ABC morto em janeiro de 1992 supostamente por ter ordenado o fim de esquema de propinas em sua administração. Para o Ministério Público, o dinheiro ilícito abastecia o caixa do partido.

Na manifestação de 70 páginas, quatro procuradores da República que integram a força-tarefa da Operação Lava-Jato rechaçam, ponto a ponto, a exceção de incompetência apresentada pela defesa técnica de Lula que alega parcialidade do juiz Sérgio Moro para julgar o ex-presidente.

A manifestação é subscrita pelos procuradores Julio Carlos Motta Noronha, Roberson Henrique Pozzobon, Jerusa Burmann Viecili e Athayde Ribeiro Costa.

Eles citam o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula. Alvo da Operação Passe Livre, desdobramento da Lava-Jato, Bumlai foi preso no dia 24 de novembro de 2015 e denunciado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.

DINHEIRO DO PT – “Há, ainda, elementos que apontam para a existência de um esquema voltado a beneficiar partidos políticos da base governamental e seus representantes”, diz um trecho do parecer, que aponta para o processo da Lava-Jato sobre o empréstimo de R$ 12 milhões tomado por Bumlai junto ao Banco Schahin, em outubro de 2004 – segundo Bumlai, o dinheiro foi destinado ao PT.

Os investigadores sustentam que mais de R$ 5 milhões teriam ido parar no caixa do empresário Ronan Maria Pinto, dono do jornal Diário do Grande ABC. “Os autos 5048967-66.2015.404.7000 e demais correlatos versam sobre o recebimento de mais de cinco milhões de reais por parte do empresário Ronan Maria Pinto, provavelmente provenientes do Banco Schahin, oriundos de um complexo esquema de lavagem de capitais, cujos recursos foram pagos posteriormente pela Petrobras mediante um plano arquitetado para beneficiar pessoas conectadas diretamente ao Partido dos Trabalhadores”, afirma a Procuradoria.

DIRCEU E CARVALHO – A manifestação cita dois ex-ministros de grande poder e influência dos governos Lula e Dilma – José Dirceu e Gilberto Carvalho, o primeiro condenado e preso no Mensalão e na Lava-Jato.

“O caso, que remonta às denúncias de corrupção na Prefeitura de Santo André, envolve o desvio de recursos dos cofres públicos para o Partido dos Trabalhadores, para utilização em campanhas eleitorais, com a entrega de dinheiro a José Dirceu e a Gilberto Carvalho”, segue o documento. “Para evitar a revelação do esquema por Ronan Maria Pinto engendrou-se um empréstimo simulado entre o Banco Scahin e José Carlos Bumlai, para fornecer recursos para compra do silêncio do empresário.”

A Operação Passe Livre sustenta que, “pelo empréstimo concedido a Bumlai, o Grupo Schahin ganhou contrato de US$ 1,6 bilhão sem licitação para operar navio sonda da Petrobras.”

“Para quitar a dívida, articulou-se para que, de forma fraudulenta, a Schahin Engenharia fosse contratada como operadora do navio-sonda Vitória 10.000 da Petrobrás. Ou seja, para quitar uma dívida contraída no interesse do Partido dos Trabalhadores e de pessoas diretamente a ele vinculadas, utilizou-se de uma contratação fraudada na Petrobras”, assinalam os procuradores.

FERNANDO BAIANO – O documento faz menção, ainda, ao lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, que virou delator da Lava-Jato. “Segundo afirmou o colaborador Fernando Soares, como houve dificuldades para a aprovação da contratação da Schahin pela Petrobras, José Carlos Bumlai teria intercedido diretamente junto a José Gabrielli e ao então presidente Lula para conseguir a aprovação da parceria. Repise-se, ainda, que Gilberto Carvalho, a despeito do envolvimento com os fatos de Santo André (e por conta disso responder à ação de improbidade proposta em 2007), foi ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência de 2011 a 2015 (e, anteriormente, chefe de gabinete da campanha de Lula à Presidência da República).”

A manifestação destaca a condenação de José Dirceu no Mensalão. “Foi condenado no processo do Mensalão como principal articulador da obtenção de recursos de origem ilícita em favor do Partido dos Trabalhadores na época dos fatos de Santo André, estando atualmente preso cautelarmente na Operação Lava-Jato por novas suspeitas de corrupção.”

AS MESMAS FIGURAS –  “O envolvimento das mesmas figuras em tantos episódios de desvios de recursos públicos para o financiamento de determinado partido político denota uma forma constante e própria de se obter dinheiro para a legenda e seus representantes, e não uma mera invocação de nomes de autoridades que pudessem desconhecer o esquema”, afirmam os procuradores.

“Além disso, mesmo após o término de seu mandato presidencial, Lula foi beneficiado direta e indiretamente por repasses financeiros de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato. Rememore-se que, no âmbito desta operação, diversos agentes públicos foram denunciados por receber vantagem indevida mesmo após saírem de seus cargos. Além disso, é inegável a influência política que Lula continuou a exercer no Governo Federal, mesmo após o término de seu mandato (encontrando-se até hoje, mais de cinco após o fim do seu mandato com a atual Presidente da República. E, por fim, não se esqueça que diversos funcionários públicos diretamente vinculados ao esquema criminoso, como os Diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque, foram indicados por Lula e permaneceram nos cargos mesmo após a saída deste da Presidência da República.”

3 thoughts on “No parecer contra Lula, Lava-Jato reabre velha ferida do PT: o caso Celso Daniel

  1. Assunto novo……..

    Quero saber do ” Mamys ‘ pancadão !

    Pedro Paulo empregou a própria mãe quando era funcionário de Paes na Câmara
    Fernando Rodrigues
    09/08/2016 15:17
    O candidato a prefeito do Rio pelo PMDB, Pedro Paulo, empregou a própria mãe no gabinete de seu padrinho político, Eduardo Paes, atual prefeito do Rio e então deputado federal pelo PSDB. Na época, Pedro Paulo era chefe de gabinete de Paes.
    Em valores atualizados monetariamente pelo IPCA, Eliana Carvalho Teixeira recebeu R$ 459.305,88 de 1999 a 2006. Como o próprio peemedebista informa em seu perfil no LinkedIn, de 1999 a 2000, ele foi chefe de gabinete de Paes.
    As informações são da repórter do UOL Gabriela Caesar.
    A mãe de Pedro Paulo trabalhou ainda por 1 mês para o ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB-RJ). Em jan.2007, recebeu o equivalente a R$11.808,03 em valores atualizados.
    Os dados foram conseguidos com base na Lei de Acesso à Informação. Leia os pedidos 1 e 2.
    Atualmente, Eliana não trabalha na Câmara e está filiada ao PSDB. Seu filho disputa a prefeitura do Rio pelo PMDB.
    A lei 8.112 de 1990 proíbe que o servidor público mantenha “sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil”. A norma é reforçada pela súmula vinculante número 13 do STF.
    A assessoria de comunicação da Câmara dos Deputados afirma que não há problema em nomear parentes para funções no mesmo gabinete. A exceção é se um deles for, por exemplo, chefe de gabinete.
    O peemedebista foi perguntado se não enxergava conflito de interesses em ter sido chefe de gabinete de Paes na época em que sua mãe também trabalhava no gabinete. Por meio de sua assessoria, Pedro Paulo respondeu simplesmente que “não era deputado na época”.
    “Pedro Paulo reitera que sempre prezou pelas boas práticas em todas as funções nas esferas de governo pelas quais passou, não tendo, portanto, qualquer ato ou processo durante a sua história de vida pública”, diz a nota.
    Eis a tabela com valores recebidos por Eliana Carvalho Teixeira (clique na imagem para ampliar):
    http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2016/08/09/pedro-paulo-empregou-a-propria-mae-quando-era-funcionario-de-paes-na-camara/

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