No primeiro ano, Dona Dilma implantou a faxina. Ministros foram demitidos, mas não punidos. O segundo, perdido. No terceiro, reconciliação. Pimentel e Luis Inácio Adams comprometidos, nem demitidos nem punidos. Agora, a saga da reeleição, com a cumplicidade da oposição.

Helio Fernandes

Em 2011 Dona Dilma assumiu a presidência da República, com o entusiasmo pela conquista de um cargo jamais imaginado. 90 por cento dos votos não eram dela ou do PT, ninguém ligava para isso. Lula foi o grande motor que impulsionou sua candidatura dentro do partido, e que fez o barco navegar em águas presumivelmente claras e tranquilas.

Mas desde o início, apesar de ter inovado pouco e ter formado o ministério à imagem e semelhança do grande eleitor, os problemas foram surgindo, se aprofundando e se complicando. Teve que conversar várias vezes com o ex-presidente, e em caráter de urgência.

Obteve autorização para as demissões, com a recomendação expressa: “Nenhuma punição. Esses problemas políticos se resolvem com o tempo, se houver punição não poderá haver reconciliação”.

Dona Dilma (e o próprio Lula) não imaginava que o problema fosse tão grave, e que devorasse todo o seu primeiro ano de governo. Foram 7 ou 8 demissões, seguidas. E apesar de não ter havido punição, Dona Dilma não teve o menor constrangimento em rotular as demissões como “faxina”. Todos sabiam que não era, mas o que fazer? Faturou na mídia amiga, ficou parecendo mesmo “faxina”.

O desgaste foi muito grande. Dona Dilma admitia que em 2012 (o segundo ano) viria a recuperação. Não veio. Em 2011, Lula teve o problema do câncer, e sem ele, Dona Dilma se perde até mesmo indo do Planalto para o Alvorada. 2011 foi vazio, teve que demitir o poderoso chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Mas não foi tão complicado quanto parecia.

Lula não pôde nem quis intervir, afinal ele mesmo já demitira Palocci do Ministério da Fazenda. A nomeação dele, surpresa total. E Lula levou um tempão, na televisão: “Fico esperando o Palocci me dar sinal verde para baixar os juros”.

Esse sinal verde era imprescindível, pois FHC elevara os juros a mais de 40 por cento, e entregou a Lula com 25 por cento. Se o vice de Lula, José Alencar, gritava com os juros já a 11 ou 12 por cento, imaginem a 15. Só que Palocci não teve tempo para nada.

Despreparado para tanta importância, preferiu seguir a linha de irregularidades e enriquecimento de quando fora prefeito, acabou sendo demitido de forma fulminante.

Seguindo a “tese” de Lula de demissão sem punição, Palocci voltou com Dona Dilma, mais poderoso do que antes. Mas a corrupção está “entranhada” nas pessoas, Palocci não podia mudar e não mudou mesmo. Dona Dilma aproveitou para fingir demonstração de força, mandou embora o chefe da Casa Civil sem consultar Lula. Este compreendeu, deu uma palavra com Okamotto, um telefonema para Gilberto Carvalho, e todos seguiram em frente.

2012 foi acabando, inútil, mas com problemas se agravando. Nenhuma realização, muita complicação. No meio do ano as acusações contra seu amigo ministro, Fernando Pimentel. Não podia demiti-lo com ou sem punição. Fingia que não ouvia, mas a representação chegou ao Conselho de Ética do próprio Planalto.

Empolgada com o Poder, que dominava mas não exercia, perdeu até o senso de avaliação das pessoas. E não percebeu que o presidente dessa Comissão de Ética se chamava Sepúlveda Pertence, ministro aposentado do Supremo. Essa Comissão pediu a demissão de Pimentel, Dona Dilma se fez de desentendida.

A DEMISSÃO DE SEPÚLVEDA
E A COMISSÃO QUERENDO EXISTIR

Sepúlveda “deu um tempo”, pediu demissão. Dona Dilma acreditou que era poderosa mesmo, aceitou. E mais do que isso: “reformulou” toda a Comissão de Ética. Muito antes de Renan e de Henrique Eduardo Alves, mostrou que sabia muito bem que “a ética é um meio e não um fim”.

Agora, eis Dona Dilma novamente diante da mesma Comissão de Ética querendo mostrar publicamente que “foi reformulada mas não será humilhada”.

NOVAMENTE PIMENTEL
E AGORA O HOMEM DA AGU

O ministro Pimentel pode ser julgado novamente por essa Comissão de Ética, que pretende exercer seus poderes. Mas agora, o acusado principal se chama Luis Inácio Adams, e ninguém sabe por que não foi demitido depois da Operação Porto Seguro.

Tinha um cargo importante e mídia tão favorável, que dia sim, dia não, se especulava, perdão, se afirmava que ele iria para o Supremo, na vaga de Ayres Brito. A Operação Porto Seguro salvou o Supremo. Pode até continuar ministro e na AGU, mas no STF, jamais.

A COMISSÃO DE ÉTICA EXIGE
EXPLICAÇÕES DE ADAMS

As acusações contra o ministro da AGU são tão graves, que obrigaram a Comissão de Ética a pedir explicações. Adams está envolvido de todas as maneiras. Pessoalmente e com a participação, explícita e irrefutável, do seu “segundo” na AGU. Tudo que esse “segundo” fazia, era com conhecimento prévio de Adams.

Até o próprio Lula revelou sua perplexidade com a permanência de Adams no cargo. Mas como o violento desgaste de Dona Dilma servia a ele, nem tocou no assunto. Mas agora não dá mais para proteger ninguém, Adams nem reclamará, foi salvo por muito tempo.

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PS – Dona Dilma pode negociar, entrega Adams, a Comissão de Ética não ressuscita as acusações contra Pimentel.

PS2 – Quem sabe, de forma surpreendente, defende os dois ministros, “reformula” novamente a Comissão de Ética?

PS3 – Dilma considera que, em plena campanha para a reeleição, ninguém cobrará dela outra humilhação da Comissão de Ética. Difícil. Mágica ou malabarismo, muito repetido, exibe os truques.

PS4 – Já perdeu 2011 e 2012, e 2013 e 2014 estão ligados à reeleição. Aí a perda pode ser total, apesar da mediocridade dos “adversários”.

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