No Rio de Janeiro, direção da OAB rasga a fantasia e assume trabalhar como braço jurídico do governo

Carlos Newton

Desde o dia 21 de agosto, quando publicamos aqui no Blog da Tribuna um artigo revelando que a historicamente apartidária OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) passou a ser administrada a serviço do PT no Rio de Janeiro, logo começou a chegar uma série de denúncias, da maior gravidade, envolvendo manipulação política interna e externa na tradicional entidade, que tantos serviços já prestou à democracia neste país. Algumas dessas denúncias inclusive se referem a irregularidades cometidas a nível nacional, numa formação de quadrilha (digamos assim) que contamina as chamadas Seccionais da Ordem.

Já mostramos aqui um vídeo, que corre no You Tube e pode ser visto clicando-se no link ao lado (www.youtube.com/watch?v=C6qAP3QX-V8), em que o presidente regional Wadih Damous, com bottom da OAB na lapela e tudo, aparece pedindo votos para um candidato a vereador pelo PT, Siron. É inconcebível, mas o presidente da OAB-RJ transformou-se em cabo eleitoral do PT.

Mostramos também que o candidato de Wadih Damous à presidência da OAB no Rio de Janeiro, Felipe Santa Cruz (que já tentou se eleger vereador na eleição passada, sem êxito) reza a mesma cartilha e, seguindo os passos de seu mentor, confessa ser “militante político”, em reveladora entrevista que também circula no You Tube (www.youtube.com/watch?v=AIgpnyGtPw).

Ainda não satisfeitos com essa esdrúxula e inaceitável atuação política da OAB, os atuais dirigentes da Seccional do Rio de Janeiro decidiram assumir que hoje atuam como braço jurídico do governo e até lançaram candidato próprio a vereador aqui no Rio de Janeiro, nas eleições em curso. Trata-se de Roberto Monteiro, atual conselheiro da entidade e presidente da Comissão de Direitos Humanos, que é candidato pelo PCdoB, usando material publicitário cujo slogan é “Um mandato ao lado da Justiça, da OAB e da Advocacia”.

 

 

 

Em todas as peças da propaganda eleitoral, o candidato aparece ao lado do presidente regional Wadih Damous e do presidente da Caarj, Felipe Santa Cruz, com a frase “Roberto Monteiro é imprescindível como advogado e vereador”, vejam só a desfaçatez de usarem acintosamente o nome e o prestígio da OAB.

Como a OAB poderá se postar independente se, por exemplo, acontecer uma chacina durante a gestão do governo que apoia e que lhe apoia? Será que a Comissão de Direitos Humanos, presidida pelo candidato a vereador, poderá agir independentemente e cobrar do Governo enérgicas providências?

Basta voltar ao passado para perceber que a resposta é, foi e sempre será negativa, enquanto partidos e interesses políticos continuarem se imiscuindo na OAB. Exemplo disso são os sucessivos escândalos que enlameiam o governo estadual, em que o atual presidente da entidade postou-se silente. Além disso, cerceou a Comissão de Combate à Corrupção e à Impunidade , vendando-lhe os olhos e impedindo-a de agir, pelo simples motivo de ter rabo preso com o governo federal, o PT e seus sindicalistas, e o governador Sérgio Cabral faz parte da chamada base aliada.

Enquanto o Presidente da OAB e seu candidato, Felipe Santa Cruz, continuarem trazendo para dentro da OAB apoio político-partidário para se elegerem, a entidade jamais será independente, como foi outrora. Essa é a verdade. Ninguém duvida que cada cidadão pode ter suas preferências políticas, mas a OAB deve manter-se apartidária, para o bem da classe e dos advogados.

Tem muito mais coisa por baixo do pano, nessa jogada política de transformar a OAB e suas Seccionais em braços jurídicos e eleitorais do governo. O assunto é instigante e não vamos parar por aqui. Estamos checando algumas graves denúncias, porque são tão estarrecedoras que fica difícil aceitar serem verdadeiras. Perdeu-se a vergonha!

 Wadih na propaganda eleitoral

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