No Rio de Janeiro, um triste papel das autoridades constituídas

Carlos Newton

Enquanto a criminalidade aumenta, em função da “política” de segurança do governador Sergio Cabral, que fez acordo com os traficantes do Rio, uma mulher pobre, desempregada, é presa e levada a uma delegacia de Polícia, para ser “processada” por ter jogado na rua um papel de bala, que inclusive ela tentou retirar da calçada, antes de ser detida.

Este é o retrato do Brasil, um país de factóides e de marketing político, onde o que interessa são as aparências. A instalação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) seria uma grande iniciativa se não tivesse havido o pacto com os traficantes, que passaram a vender drogas discretamente, por delivery (entrega doméstica), com motoqueiros.

Sem medo da polícia, os traficantes então mandaram embora seus “soldados”, que desceram para o asfalto do Rio de Janeiro e para as cidades próximas, na Baixada Fluminense, em São Gonçalo e Niterói, todas também com criminalidade crescente.

GRANDE NEGÓCIO

Para os soldados da PM, o melhor negócio do mundo é trabalhar nas UPPs, com faturamento garantido pelos traficantes e sem risco de vida, pois as ocorrências na favelas são ridículas – briga de marido e mulher, embriaguês, som alto, coisas assim.

O melhor exemplo dessa situação foi a prisão de um soldado da PM no morro da Coroa, em Santa Teresa, três meses depois de instalada a tal UPP. Ele estava com 13 mil reais no bolso da farda, em dinheiro vivo, vejam que cidadão próspero.

Os números do aumento da criminalidade não mentem. Leiam o artigo de Pedro do Coutto, publicado hoje cedo aqui no Blog, e vejam como a máscara de Sergio Cabral está sendo arrancada de sua face bochechuda.

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8 thoughts on “No Rio de Janeiro, um triste papel das autoridades constituídas

  1. O culto da incultura

    ESCRITO POR CESAR ALBERTO RANQUETAT JÚNIOR

    Para além dos problemas sociais, econômicos e políticos que assolam a sociedade brasileira, talvez o mais grave seja a extrema e terrificante degradação cultural que impera nos mais diversos âmbitos da vida coletiva. É ela que está na raiz de nossas patologias e de nossa desordem social e política. Presenciamos o total aniquilamento da alta cultura. Dissemina-se por toda parte uma falsa cultura massificada, superficial, mero entretenimento e diversão que não eleva o espírito humano.

    Somos bombardeados diariamente por programas televisivos mórbidos e vulgares, por músicas de péssima qualidade, assim como por revistas e jornais que estimulam, por meio de suas notícias e reportagens, os aspectos mais baixos, e perversos da existência. Além disso, no ambiente dito intelectual pululam as análises sociais e políticas superficiais, rasteiras e por demais ideologizadas. Pseudo-intelectuais, “filodoxos”, perdem-se no vício do abstratismo e do pedantismo, incapazes, assim, de examinar e compreender com clareza e objetividade a realidade de nosso tempo. Prolifera uma subliteratura marcada pela exploração de temáticas insípidas, medíocres, que exprime unicamente as dimensões mais abjetas e vis da personalidade humana. No cinema e nas artes plásticas exalta-se o feio, o bizarro, o disforme e o grotesco.

    Há algumas décadas, tínhamos nas ciências humanas e sociais intelectuais de peso como Gilberto Freyre e Sergio Buarque de Holanda. Na filosofia, Miguel Reale, Vicente Ferreira da Silva, Mário Ferreira dos Santos e Henrique de Lima Vaz. Na literatura Graciliano Ramos, Érico Veríssimo e tantos outros. Na poesia, Manuel Bandeira, Murilo Mendes e Carlos Drummond de Andrade. No cinema, Glauber Rocha. Poderia citar aqui muitos outros artistas e pensadores de vulto. O fato é que hoje nossa cultura está esvaziada, empobrecida e doente. Quem são atualmente nossos grandes escritores, intelectuais, poetas, cantores e artistas? Onde encontram-se os romancistas e artistas capazes de exprimir por meio da linguagem poética e ficcional o que há de belo e nobre na vida humana?

    A cultura não é um ornamento, um mero adorno estético, a “cereja do bolo”, mas é ela a alma de uma sociedade, a bússola que orienta a vida dos indivíduos e das coletividades. Conforme a lição do filósofo Ortega y Gasset, a cultura é o plano da vida, o guia de caminhos pela selva da existência. É o conjunto de idéias, crenças e valores que salva do naufrágio vital, permitindo o homem viver sem que sua vida seja uma tragédia sem sentido. Uma sociedade ou um indivíduo inculto não vive uma vida plenamente humana, não vive uma vida significativa, apenas sobrevive satisfazendo suas necessidades físicas básicas. É a cultura que dá à vida individual e coletiva um sentido mais elevado, possibilitando que, não obstante nossas limitações, tenhamos acesso ao mundo das idéias, dos valores, das tradições e dos símbolos de conteúdo universal e supra-temporal.

    Ora, é a cultura que refina a sensibilidade e a nossa visão do mundo, aperfeiçoa a mente e a imaginação, emancipando o homem do imediatismo. O homem dotado de cultura distancia-se do provincianismo, alça vôos mais altos, transcende os pontos de vista de seu tempo e de sua época. Entra em contato com um complexo de idéias perenes e imorredouras, com as “coisas permanentes” como asseverava o poeta e crítico literário T. S. Eliot. Conhecimentos permanentes que não são elucubração estéril, mas tesouros intelectuais que enriquecem e estruturam a personalidade humana, dando a ela maior amplitude, profundidade e densidade.

    Precisamos nos libertar do culto da incultura, da valorização da fealdade, da exaltação do lado sombrio, irracional, mesquinho e sórdido da existência que vem devastando a sociedade brasileira. Caso não realizemos a indispensável e iminente tarefa de soerguimento cultural de nossa nação, condenaremos as próximas gerações à barbárie, a viver uma vida de zumbis, estupidificados e lobotomizados em decorrência de um ambiente social hostil à beleza e à verdade.

    Cesar Alberto Ranquetat Júnior, é Doutor em Antropologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professor de Ciências Humanas na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)/Campus Itaqui.

    (transcrito do Mídia sem Máscara)

  2. Em São Paulo, algumas vezes assiste-se na televisão a polícia descobrir desmanches de
    carros. Aqui no Rio de Janeiro, são roubados ou furtados um número grande de carros diariamente,
    que a maioria vai para desmonte, não se vê a polícia descobrir um desmonte. Só encontram
    rapidamente se o carro roubado for de um figurão. De l970 até os dias de hoje perdi quatro
    carros furtados e um roubado, todos carros antigos, somente um, numa sorte muito grande,
    consegui recuperar, antes de ir para o desmonte.

  3. Nenhuma surpresa, um país onde a “justiça” inexiste esses desgovernadores e prefeitos , fazem o que querem, ainda tiram sarro na cara do povo. Mas a grande culpada de tudo isso é a presidente dilma, adora, ama de paixão cabral e paes.

  4. País – Opinião
    Hoje às 13h35 – Atualizada hoje às 16h05
    A ditadura ‘mascarada’ e a violência dos novos anos de chumbo

    Jornal do Brasil

    As cenas de violência e autoritarismo que chocaram a sociedade na última terça-feira, na Cinelândia, remetem a tempos sombrios da história do país. Repressão, truculência e projetos de lei aprovados a toque de caixa, contrariando a vontade de trabalhadores, são práticas de triste lembrança.

    Nos últimos tempos, estas tristes lembranças têm vindo cada vez mais à tona com a diferença de que, hoje, quem reprime não mostra a cara.

    As bombas da Cinelândia assustam, e nos remetem à bomba do Riocentro. Policiais militares espancam jovens, como fizeram nos anos 60 no Calabouço, num trágico confronto que culminou com a morte do estudante Edson Luís.

    Imagens mostraram um policial militar supostamente forjando um flagrante contra o jovem manifestante na terça-feira. Ele aparece jogando morteiros no chão enquanto o rapaz era acusado de portar artefatos. O jovem, menor de idade, foi imediatamente detido, enquanto vândalos mascarados – mesmo após a criação da lei que os torna ilegais – arremessavam pedras e depredavam o patrimônio público na frente das câmeras.

    Por que estes não foram presos? Por que não são identificados? Por que continuam a agir seguidamente em manifestações sem que haja uma ação concreta de poder público contra eles? Estas perguntas continuam sem respostas.

    A truculência se repete não apenas em confrontos durante protestos. Nas favelas, moradores também enfrentam a violência de policiais militares que impõem sua ordem e sua vontade.

    O pedreiro Amarildo, desaparecido desde julho, teria sido barbaramente torturado com choques elétricos e asfixia, segundo inquérito da Divisão de Homicídios da Polícia Civil. Práticas antigas dos tempos da ditadura que entre outras vítimas levaram Vladimir Herzog e deixaram cicatrizes profundas na história do país. O corpo do morador da Rocinha até hoje não foi encontrado, como o de Stuart Angel, outra vítima dos anos de chumbo cujo desaparecimento não deixou rastros.

    A diferença daqueles tempos para os de hoje é que se sabia quem eram os generais que davam as cartas. Hoje, quem dá as ordens não mostra a cara. Pode estar mais próximo dos ditadores de países vizinhos, como Pinochet que levou milhões de dólares para o exterior, do que de nossos antigos generais.

    Naquele mesmo tempo, o decreto-lei 477 foi baixado e, em seu artigo 1º, determinava: “Comete infração disciplinar o professor, aluno, funcionário ou empregado de estabelecimento de ensino público ou particular que alicie ou incite a deflagração de movimento que tenha por finalidade a paralisação de atividade escolar ou participe nesse movimento.” Na prática, estabelecia um rito sumário contra quem se opusesse.

    Hoje, professores veem aprovado entre as quatro paredes da Câmara de Vereadores, onde a população foi impedida de entrar, um projeto de lei apresentado pela prefeitura e que não atende a categoria. Parlamentares, eleitos pelo povo, ignoraram apelos e protestos, e deram seu ‘sim’ indiferentes aos gritos dos trabalhadores.

    Em 69, o decreto-lei 477 foi considerado ao AI-5 das universidades. Hoje, essa repressão sanguinária que se esconde por trás dos muros do poder público pode enfrentar, nos próximos dias, uma passeata conflagrada em praça pública com mais de um milhão de pessoas. Estas sim, com a cara e a coragem.

  5. Em relação a policia e a prisão de uma mulher que jogou papel de bala no chão, isso não me causa surpresa o CABRAL, inventou a primeira tropa manja rola do mundo, explico, com a politica de não urinar nas ruas, nas comemorações de ano novo , carnaval e outros festejos que atraiam multidões pela rua rua vemos a pm prender mais pessoas por mijar na rua do que por cometer algum crima, tipo roubo, furto e etccccccccccccccccccccccc

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