No Rio, demolição do Hospital do Iaserj custará R$ 500 milhões, apenas para criar 78 leitos no Inca

Paulo Peres

O Ministério da Saúde gastará R$ 500 milhões para demolir o hospital do Iaserj (Instituto de Assistência aos Servidores Estado do Rio de Janeiro) com o objetivo de construir um novo prédio que, por incrível que pareça, apenas servirá para aumentar de 360 para 438 o número de leitos do Inca (Instituto Nacional do Câncer). Trata-se de um verdadeiro crime contra o patrimônio público, no qual o corrupto desgovernador Sergio Cabral não poderia estar ausente.

Para a presidente da Associação dos Funcionários do Iaserj (Afiaserj), Cristina Maria Machado Maia, “é algo que não se justifica sob nenhum aspecto, nem para o próprio tratamento do câncer, já que 70% do diagnóstico da doença é feito pela rede básica de saúde, onde está incluído o Hospital do Iaserj, que o Ministério da Saúde e o governo Cabral querem destruir para erigir o novo Inca”.

A médica lembrou que grande parte dos casos de câncer diagnosticados são tratados nos próprios hospitais da rede básica. “Somente os mais complexos são encaminhados ao Inca, acompanhados de todos os exames histopatológicos e lâminas com o material colhido. Para dar início ao tratamento no Inca ele passa por uma triagem. A espera, conforme o caso, pode ser demorada”.

A construção do novo prédio do Inca criará uma falsa expectativa de solução do problema da grande demanda por tratamento na unidade. “O projeto do centro de pesquisa do Inca contraria até mesmo a Política Nacional de Assistência Oncológica do próprio Ministério da Saúde que prevê a descentralização do atendimento através da criação de Cacons (Centro de Alta Complexidade em Oncologia)”, lembra a presidente da Afiaserj.

Além disso, explica Cristina Maia, contraria, ainda, decisões dos conselhos estadual e municipal de saúde que aprovaram a descentralização das atividades do Inca, com a construção de unidades fora da capital de forma a atender à população de localidades distantes. “É no mínimo estranha essa insistência do Ministério da Saúde de manter este projeto descabido”.

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