No rumo das urnas, socialistas franceses avançam para sucessão de 2012

Pedro do Coutto

A correspondente da Folha de São Paulo em Paris, Cíntia Cardoso, na edição de terça-feira 11, revelou os resultados da prévia que o Partido Socialista realizou no domingo para escolher o candidato da legenda às eleições de maio de 2012, sucessão do presidente Nicolas Sarkozy, que tenta permanecer nos Campos Elíseos. Impressionante o comparecimento: votaram 2 milhões e 500 mil pessoas. Pela primeira vez desde o pleito de 1965, o PS abriu o processo de escolha a todos os eleitores.

Elena, minha mulher, vai à Internet e acentua que o eleitorado francês é de 44,5 milhões, dos quais 535 mil nos outros países, através dos consulados. A comparação destaca a força da prévia: compareceram a ela, espontaneamente, 5% dos votantes do país. O voto da França não é obrigatório. A mobilização popular, portanto, se faz sentir no impulso do voto.

A estratégia do partido que, desde Mitterrand, está fora do poder, deu certo.  Aproveitou um processo interno para alcançar efeito externo. A sigla saiu fortalecida, embora os números não tenham levado a uma decisão. Foi apenas o primeiro turno. Nenhum candidato atingiu 50% dos sufrágios. Na frente chegou François Hollande, em segundo Marine Aubry. Em terceiro Arnaud Montebourg.

Hollande, secretário geral dos Socialistas, teve 37%, Marine Aubry e Montebourg, 17 pontos. Como ocorre nas eleições gerais, os dois mais votados decidem a 23 de outubro, informa Cíntia Cardoso. Recentemente, ao escrever sobre o tema pensei que o desfecho partidário ocorresse no domingo 16. Estava enganado. Antes de prosseguir, vale a pena explicar que Marine Aubry não deve ter seu nome confundido com Marine Le Pen, esta candidata da direita.

Sarkozy está na posição, digamos, de centro direita, e Hollande no centro esquerda. Aubry é mais esquerda do que centro. E finalmente Montebourg representa a ala mais caracterizadamente esquerdista do PS. Agora, no segundo turno, Hollande e Marine buscam o apoio de Montebourg. Mas ele, segundo a Folha publicou, não se mostra disposto a apoiar um ou outra, preferindo, até o momento, vale acentuar, porque a política se altera muito, liberar seus eleitores. Se vierem a se dividir por igual, François Hollande sairá vitorioso. Claro.

A tendência é essa, porque dificilmente o candidato mais à extrema poderá ter todos os 17% que obteve deslocados para Marine. Além disso, se Hollande, Marine Aubry e Montebourg totalizaram 84% da votação, ainda existem 16% a serem disputados. Um dos nomes era o de Segolene Royal, ex-mulher de Hollande e que perdeu para Sarkosy nas eleições de 2007. Mas foi bem votada. Afinal reconduziu o Partido Socialista ao segundo turno, uma vez que a agremiação dele ficou fora em 2002, quando Lionel Jospin perdeu para Chirac, desempenho muito fraco, pois foi ultrapassado pelo ultradireitista Jean Le Pen, pai de Marine da direita.

O segundo turno foi adotado por De Gaulle, em 65, quando se reelegeu derrotando Mitterrand. De 65 até agora, foi a única vez em que os socialistas não decidiram com a União Popular, de origem gaullista. O que equivale dizer que, também de 65 até aqui, nunca deixou de haver segundo turno.

Nas ruas a segunda chamada às urnas será certa, mais uma vez. Os socialistas viram reflorescer a rosa vermelha, seu símbolo, às margens do Sena. Sem dúvida. Mas Sarkozy está em baixa. O que abre a perspectiva de o candidato do PS vir a enfrentar ou ele, ou Marine Le Pen. A extrema direita tem 20% dos votos. Não cai, tampouco amplia essa faixa. Porém pode chegar à frente do marido de Carla Bruni. Se tal hipótese se confirmar, o PS vence na certa. Porque a rejeição à direita declarada existe até dentro da União Popular.

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