No segundo trimestre, PIB apenas empatou com a inflação

Pedro do Coutto
 
Na segunda-feira, o IBGE divulgou como fato espetacular o crescimento de 1,5% do Produto Interno Bruto no segundo trimestre do ano em relação ao registrado no período janeiro, fevereiro, março. Sobre o assunto, excelente a reportagem de Cássia Almeida, Luciane Carneiro e Sérgio Vieira, O Globo de sábado 31 de agosto. A matéria apresentou o episódio como surpreendente. Nem tanto. Na realidade, o avanço do PIB representou apenas praticamente e um empate com a inflação apontada pelo IBGE para o período. Em abril, foi de 0,51%, em abril de 0,46, descendo em junho para 0,38%. A soma das parcelas, sem incluir o cálculo do montante, dá 1,35%. Verifica-se assim praticamente um empate, em considerar o aumento da população no período. Maior número de habitantes, seja em que período for, maior consumo. 

Por esta razão, inclusive, para se medir avanços concretos no PIB compara-se o índice registrado com o crescimento demográfico. Não houve isso em nosso país, não há portanto maiores motivos para festejar, além do cotejo entre a taxa esperada e realizada, que, aí sim, fornece um saldo alcançado. Mas tímido. Tanto assim que o consumo das famílias, que é o que socialmente importa, ficou em somente 0,3% no mesmo espaço de tempo em confronto.

Não devemos contribuir para projetar uma fábrica de ilusões. As cadernetas de poupança renderam quase o mesmo índice do crescimento do PIB. Se projetarmos esse movimento como aplicação de capital estaremos proporcionando um fator de adição ilusório. Para se dar um exemplo, devemos informar que o total de depósitos na poupança vai a 597 bilhões de reais. Um e meio por cento corrige, não representa adição econômica real.
 

FUNDOS DE APLICAÇÃO 

O mesmo raciocínio aplica-se a todos os fundos de aplicação no mercado. A diferença entre o crescimento nominal e o aumento efetivo. De outro lado, as exportações, por exemplo, avançaram 6,9% no segundo trimestre em relação ao primeiro. Mas o IBGE não informou se foi o volume físico ou se significa o reflexo de melhores preços. Esta perspectiva, claro, é positiva, como acentua a reportagem de O Globo, porém pode não refletir uma evolução econômica  sim uma conquista de melhores preços. Pode ser também, outra hipótese, consequência da elevação do dólar, pesando em parte. Mas sob este ângulo tem que se considerar o efeito não incluindo no levantamento sobre o PIB da elevação das despesas com o pagamento de juros que somos obrigados a cumprir. 

Claro as reservas brasileiras de dólar acumuladas são muito elevadas, em torno de 360 bilhões de dólares, mas em processo de redução em face da colocação maciça da moeda no mercado para tentar conter a disparada do padrão monetário internacional. O tema é complexo, bastante complexo, merece ser analisado sob vários prismas. Um deles o consumo do governo que cresceu 0,5% no segundo trimestre (em relação ao primeiro, não devemos esquecer), enquanto o consumo da população avançou 0,3%. 

Veja-se, por exemplo,as despesas com as obras relativas à Copa do Mundo de 2014. Reportagem de Nelson Barros Neto e Lucas Reis, Folha de São Paulo de primeiro de setembro, aborda o assunto. Entre as previsões iniciais e os preços já pagos, hoje, três anos depois, houve um crescimento de 857 milhões de reais. No Brasil, as obras públicas são assim. O Maracanã, estádio Mário Filho, em 2010 estava orçado em 600 milhões de reais. Quatro anos depois, passou a custar, ainda não concluído, 1 bilhão e 200 milhões. Para uma inflação que oscila em torno de 20% em três anos. Ocorreu dessa forma um acréscimo real da ordem de aproximadamente 60%. As empresas empreiteiras agradecem. O povo está pagando a diferença. Como sempre.
 
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7 thoughts on “No segundo trimestre, PIB apenas empatou com a inflação

  1. Não, Sr. Pedro. O crescimento do PIB no segundo trimestre foi realmente surpreendente, superando a inflação do período. Os índices do IPCA para os meses de abril a junho foram: 0,55%, 0,37% e 0,26%. Logo a inflação do segundo trimestre/2013 ficou em: [(1,0055 x 1,0037 x 1,0026) – 1] x 100 = 1,18%.

    Portanto o crescimento de 1,5% do segundo trimestre superou bem a inflação de 1,18% do período. Mas, somente no segundo trimestre, já que no acumulado do primeiro semestre o crescimento de 1,9% do PIB perdeu feio para a inflação, que no período foi de 3,14%.

    Tem razão quando aponta para o baixo consumo das famílias – variação de apenas 0,3%. Lembrando que no primeiro trimestre esta variação foi, ainda, menor – de apenas 0,1%. O que indica o esgotamento do poder de consumo do brasileiro, atolado em dívidas, subtraído pela corrosão inflacionária e emparedado por uma tabela do imposto de renda que acumula uma defasagem de 67%.

    Como o PIB é dado pela soma do consumo das famílias, gastos do governo, investimentos e exportações menos importações (Y=C+G+I+X-M), é de se concluir que o produto interno bruto não mais apresentará crescimento por conta da demanda das famílias nem com gastos do governo, pois, estes estão represados pelo orçamento; isto é, cresceremos se, e apenas se, houver aporte de capital por parte do governo e do setor privado em investimento, já que o balanço de pagamentos (exportações menos importações) seguirá deficitário.

    Em relação à poupança, que está atrelada à SELIC, por conta da elevação da taxa básica de juros para 9%, a caderneta se transformou em um ótimo investimento. Melhor que a maioria dos outros títulos de renda fixa. Está rendendo 6,17% ao ano mais variação da TR. O que significa que, possivelmente a poupança irá ter rendimento real, acima da inflação de 2013, já que o índice inflacionário encontra-se em trajetória descendente e deve fechar o ano com uma taxa menor que a apresentada em 2012 (5,84%).

    Veja as projeções:

    # Trajetória da projeção inflacionária:

    1 – janeiro/2013: [(1,0086)¹² – 1] x 100 = 10,82%
    2 – fevereiro/2013: [(1,0086 x 1,006)б – 1] x 100 = 9,11%
    3 – março/2013: [(1,0086 x 1,006 x 1,0047)⁴ – 1] x 100 = 7,99%
    4 – abril/2013: [(1,0086 x 1,006 x 1,0047 x 1,0055)³ – 1] x 100 = 7,69%
    5 – maio/2013: [(1,0086 x 1,006 x 1,0047 x 1,0055 x 1,0037)2,4 – 1] x 100 = 7,06%
    6 – junho/2013: [(1,0086 x 1,006 x 1,0047 x 1,0055 x 1,0037 x 1,0026)² – 1] x 100 = 6,40%
    7 – julho/2013: [(1,0086 x 1,006 x 1,0047 x 1,0055 x 1,0037 x 1,0026 x 1,0003)1,71 – 1] x 100 = 5,49%

    Amanhã, dia 06, o IBGE estará divulgando o IPCA de agosto, e a projeção acumulada será menor que os 5,49% de julho.

    A poupança se tornou um ótimo investimento por conta da alta da taxa SELIC e o nível de poupança atual 12% do PIB tenderá a aumentar daqui para frente. Aguardemos os relatórios do Banco Central para comprovar o que digo.

  2. Nossas reservas são de US$372,5 bilhões. E estão se mantendo bem apesar do fluxo de dólares nos últimos meses terem se mantido negativos. Em agosto saíram, mais do que entraram, US$5,850 bilhões conforme divulgado ontem belo Banco Central. Mas, no acumulado do ano o fluxo é positivo em US$2,238 bilhões. Resultado do fluxo comercial positivo de US$14,890 bilhões menos o fluxo financeiro negativo de -US$12,652 bilhões.

  3. O COPOM sinaliza viés de alta da SELIC. Muito provavelmente fecharemos 2013 com a taxa básica de juros entre 9,5% e 9,75%. Na verdade o Comitê de Política Monetária está tentando se antecipar às pressões inflacionárias que irão ocorrer no início do ano que vem (como reajustes salariais, reajustes de preços e tarifas públicas e aumentos indexados como em aluguéis, saúde e educação).

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    Continuidade da alta do juro é ‘apropriada’, diz Banco Central

    BRASÍLIA – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central considerou que novas altas do juros, em continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias, são apropriadas. A avaliação consta da ata do Copom, divulgada na manhã desta quinta-feira, 5, e que detalha a decisão do colegiado de aumentar a taxa Selic de 8,50% para 9,00% ao ano.

    No documento, o Copom ponderou que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação mostre resistência. “Nesse contexto, inserem-se também os mecanismos formais e informais de indexação e a piora na percepção dos agentes econômicos sobre a própria dinâmica da inflação.”

    A ata continua explicando que, tendo em vista os danos que a persistência desse processo de deterioração das expectativas causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, é necessário que esse movimento seja revertido “com a devida tempestividade”. Este tema já havia sido mencionado no documento da decisão anterior como uma importante variável para a decisão do Copom.

    A autoridade afirmou contudo que o aumento da taxa básica de juros contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano.

    Dólar

    A ata do Copom registrou que o colegiado aumentou a cotação do dólar considerado para a tomada de decisão. De acordo com o documento, no cenário de referência, foi utilizada uma taxa de R$ 2,40 ante cotação de R$ 2,25 usada na reunião do Copom de julho.

    Na quarta-feira da semana passada, dia da decisão do colegiado, o dólar valia R$ 2,3460. Nas vésperas, porém, o dólar quase chegou em R$ 2,45. O cenário de referência utilizou também uma taxa Selic maior em agosto, de 8,50% ao ano, do que a usada na decisão anterior, de 8,00% ao ano.

    (transcrito do Estadão)

  4. Boa análise do Sr. Pedro do Coutto chamando atenção de que a boa alta do PIB de 1,5% do 2º Trimestre de 2013, em relação ao Trimestre anterior, quando levando em conta a Inflação e o crescimento vegetativo da População Ativa de +- 1%aa, não é nada espetacular. Mas, como se esperava menos e antes estava pior, e principalmente quando vemos que um dos principais fatores foi o aumento do Investimento Privado de -2,5% para +9,6%, isso é muito bom.

    O Sr. Wagner Pires, como sempre contribui muito para a compreensão e ampliação do assunto tratado, postando excelentes complementos que a todos, muito nos auxiliam para a análise do assunto.

    O Gov. Dilma/Temer, PT-Base Aliada, ou PT+ Todos – 3, partiu de um patamar elevado de crescimento Econômico, baixo Desemprego ( +- 7% da Força de Trabalho), e já quase esgotado 2 dos principais motores, a boa Conjuntura Internacional ( fartura de Crédito Externo barato, alta de Demanda pelas Commodities Brasileiras, e o Crédito Interno, que em 2003 era de +- 20% do PIB, e que chegou em 2011 a +- 60% do PIB). Agora para ter crescimento alto, +- 4,5%aa, alvo da Presidenta Dilma, é BEM MAIS DIFÍCIL. Então ela manobrou, manipulou pedais e alavancas e baixou o Juro Básico na prática a ZERO, pois 7,25%aa é praticamente a Inflação, subsidiou Gasolina/Diesel no qual está exagerando, já causando perda de Lucro excessiva na Petrobras, reduziu preço da Energia Elétrica +- 20% Residencial e +- 30% Industrial, represou Tarifas e desonerou Folha de Pagamentos, etc, etc, e contava com certa depreciação do Real, o que está acontecendo, para fazer decolar a Economia, atingir os +- 4,5%aa. Tudo isso sem sair fora da Meta de Inflação de 4,5%aa, com banda de 2%aa. Ora, para crescer o PIB 4,5%aa teria-se que elevar o Investimento(Estatal e Privado) dos atuais 18,5% do PIB para +- 22% do PIB. Com a baixa dos Juros o Governo teria uma sobra de Recursos e poderia aumentar seu Investimento dos atuais 2,5% do PIB para até 3,5% do PIB para Infra-Estrutura, e a Iniciativa Privada faria o resto já que a Liquidez parada das Empresas estava rendendo ZERO. Ocorre que o Governo Dilma/Temer que não tem muito contato com o Pessoal da FIESP não estava sabendo que a LUCRATIVIDADE das Empresas, motor do Investimento, havia caído quase 40% nos dois últimos anos. Estavam preferindo ganhar Zero, do que Investir com a Lucratividade tendo caído tanto. Agora, o Governo está dialogando mais, atuando para que a Lucratividade cresça, porque: SEM SURPLUS, NÃO TEM SOLUÇÂO, e o estratégico Investimento Privado já está reagindo. Agora, dentro do possível, o Governo está tomando o rumo certo. Abrs.

  5. A produção industrial do segundo trimestre cresceu 2%, e junto com a agricultura e os serviços produziu um PIB de 1,5% naquele período. A questão agora é a grande dúvida que paira sobre os economistas e a equipe econômica do governo – se a economia continuará crescendo no mesmo ritmo ou irá se desacelerar daqui por diante.

    É que o aumento da produção daquele período fez crescer o volume de estoques nas indústrias num total de R$26,7 bilhões em mercadorias. É preciso encontrar mercado consumidor para estes produtos antes que a indústria retome a produção. E, aqui vai o grande medo dos analistas: a variação de apenas 0,3% da demanda da população indica, claramente, a estagnação do mercado consumidor.

    O que o governo fará? Irá reduzir o IPI para fomentar mais consumo? Irá estabelecer novas linhas de crédito, também, para aumentar o consumo?

    Lembrando que os gatilhos salariais só irão ocorrer no início de 2014.

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    Ipea vê desaquecimento no mercado de trabalho

    Embora o nível de desemprego no País permaneça baixo, a maioria dos indicadores do mercado de trabalho no primeiro semestre, e também os dados de julho, aponta para o fim do quadro de redução sucessiva das taxas. A análise está no boletim Mercado de trabalho: conjuntura e análise, lançado nesta quarta-feira, 4, pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea).

    No entanto, para o editor responsável do boletim, Carlos Henrique Corseuil, diretor adjunto de Estudos e Políticas Sociais do instituto, uma eventual recuperação da atividade econômica pode levar a um quadro melhor no segundo semestre.

    “A impressão é que existe uma defasagem no mercado de trabalho em relação ao nível de atividade. O primeiro semestre deste ano refletiu a perda de dinamismo na atividade no segundo semestre de 2012. Se o retrato for esse mesmo, nos deixa esperançosos (para este segundo semestre), pois o PIB está se recuperando”, disse Corseuil, no Rio.

    Apesar disso, os dados de julho “deixam dúvidas quanto à continuidade dos movimentos” de melhora, diz o Instituto no boletim. Dessa forma, o crescimento econômico, “tão necessário para reaquecer o mercado de trabalho”, terá de vir de outras fontes que não o consumo das famílias, na avaliação de pesquisadores do Ipea.

    Segundo os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o nível de ocupação está “virtualmente estagnado”, fazendo os rendimentos médios do trabalhador pararem de crescer, ou até caírem, segundo análise do Ipea.

    Comparando as taxas de desemprego, Corseuil nota que, a cada ano, elas apresentaram índices abaixo dos de anos anteriores. “Aquela tendência de queda no desemprego terminou”, afirmou Corseuil. O pesquisador destacou, porém, que o nível de informalidade no emprego segue em processo de melhoria. No primeiro semestre de 2013, a taxa de informalidade ficou em 33,2%, queda de 0,9 ponto porcentual em relação a igual período de 2012.

    (transcrito do Diário do Comércio)

  6. Poupança tem captação recorde de R$ 42 bi no ano

    A caderneta de poupança marca o 18º mês seguido com captação líquida de recursos. Os depósitos superaram os saques em R$ 4,646 bilhões no mês. O resultado é recorde para meses de agosto desde 1995, quanto teve início a série histórica do Banco Central.

    No último dia 30, houve uma captação líquida (diferença entre os depósitos e os saques) extraordinária de R$ 3,131 bilhões. A captação nesse dia foi preponderante para o resultado do mês inteiro.

    O ingresso líquido de recursos nos oito primeiros meses do ano soma R$ 42,251 bilhões, o que também resulta em recorde histórico para o período. Nos oito primeiros meses de 2012, essa cifra estava em R$ 27,234 bilhões.

    RENDIMENTO

    No final de agosto, o Banco Central subiu o juro básico da economia brasileira, a taxa Selic, em 0,50 ponto percentual, para 9% ao ano. A elevação dos juros impactou no rendimento da poupança, que, para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012, passou a ter novas regras de rendimento.

    Para depósitos feitos a partir daquela data, a poupança rende 0,5% ao mês (ou 6,17% ao ano) mais a TR (Taxa Referencial) sempre que a Selic for maior que 8,5% ao ano.

    Já com Selic em até 8,5% ao ano, a caderneta paga 70% do juro básico mais a TR. Depósitos feitos até 3 de maio de 2012 sempre rendem 0,5% ao mês mais a TR, independentemente do valor da Selic.

    (transcrito da Folha de São Paulo)

  7. Segundo o Banco Central o saldo em poupança atingiu R$557,48 bilhões ou 12,65% do PIB brasileiro.

    O Governo tem de incentivar a poupança nacional que é fonte de recursos para o investimento público e privado.

    Já está sendo um bom negócio colocar o dinheiro na poupança, porque vai superar a inflação!

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