No último debate, Haddad e Bolsonaro (que faltou) foram os mais atacados

Candidatos a Presidência participam do último debate antes do primeiro turno Foto: Marcelo Theobald / Agência O GloboBernardo Mello e Miguel Caballero
O Globo

Críticas contundentes aos dois líderes das pesquisas e uma última tentativa dos candidatos de se apresentarem como uma terceira via marcaram o debate entre os presidenciáveis promovido na noite de ontem pela TV Globo. Ausente do encontro, sob alegação de ainda estar em recuperação médica, o líder nas intenções de voto, Jair Bolsonaro (PSL), foi o alvo preferencial dos adversários, mostrado como uma aposta de risco e acusado de ter preferido fugir do debate.

Fernando Haddad (PT), o segundo colocado nas pesquisas, foi obrigado a responder pelo passivo de escândalos de corrupção e o crescimento do desemprego na reta final dos governos petistas. Ele abriu mão de adotar tom mais moderado, defendendo o ex-presidente Lula e reforçando as pautas políticas do partido.

“AMARELOU” – Deixado de lado pelos rivais em outros debates na TV aos quais faltou, Bolsonaro, em ascensão nas pesquisas nos últimos dias, desta vez foi criticado e cobrado a responder sobre polêmicas acerca de sua campanha. Marina Silva (Rede) afirmou que o candidato do PSL “amarelou” ao não comparecer, enquanto Ciro Gomes (PDT) disse que pretendia “tirar a máscara” de Bolsonaro, lembrando de declarações controversas de seu candidato a vice, Hamilton Mourão, e do economista Paulo Guedes, seu principal auxiliar.

Geraldo Alckmin (PSDB), que durante a campanha fez duros ataques a Bolsonaro e Haddad, desta vez concentrou suas críticas no petista, deixando para os concorrentes a exploração de pontos fracos do candidato do PSL.

Logo no início, Marina e Ciro apelaram à racionalidade do eleitor quanto ao clima de ódio e polarização que tem tomado a campanha. A primeira pergunta do debate, do pedetista à candidata da Rede, foi se ela enxerga a chance de um novo impeachment interromper o mandato do presidente eleito em outubro por causa da “disputa assentada no ódio”.

POLARIZAÇÃO — “Não acredito que se tenha condição de governar o Brasil a permanecer essa polarização. A guerra em que alguns estão votando por medo de Bolsonaro e outros por medo do Haddad, ou por raiva um do outro, joga o Brasil em mais quatro anos de instabilidade” — afirmou Marina.

Ciro, Henrique Meirelles (MDB) e Marina usaram a expressão “salvador da pátria”, para afirmar que o país deve evitar candidatos personalistas. Eles se referiam tanto a Bolsonaro quanto à campanha de Haddad, calcada na figura do ex-presidente Lula.

— É o drama do Brasil. O choque entre duas personalidades exuberantes, o lulismo e o antilulismo que Bolsonaro interpreta. Não existe salvador da pátria. Temos 63 milhões de endividados, 13 milhões sem emprego. É grave — afirmou Ciro Gomes.

13º SALÁRIO – Fernando Haddad reservou seu ataque a Bolsonaro para acusá-lo de pretender acabar com o 13º salário, direito trabalhista criticado pelo vice Mourão, e o bolsa família, vitrine do governo do PT.

Já o tucano Alckmin fez uma revisão da estratégia que apresentou nos últimos meses. Ao longo da campanha, o tucano distribuiu ataques ao PT e a Bolsonaro, que, segundo as pesquisas, conquistou o eleitorado dos principais redutos tucanos pelo país. Sem ter conseguido avançar nas pesquisas desde o início da campanha, no debate de ontem Alckmin evitou bater diretamente em Bolsonaro, concentrando as críticas em Fernando Haddad.

Em sua primeira participação, Alckmin responsabilizou os governos petistas pelo desemprego. E afirmou que o partido é o culpado pelo governo do presidente Michel Temer, que tem recorde de impopularidade (89% de desaprovação na última pesquisa Ibope).

PT E TEMER – Ao responder a críticas de Haddad aos governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Alckmin atacou: “O PT terceiriza responsabilidades. O PSDB está fora do governo há 16 anos. Quem escolheu o Temer foi o PT, quem quebrou o governo foi o PT” — disse Alckmin.

Marina Silva, que vem caindo nas pesquisas, também foi dura nas críticas a Fernando Haddad. Num confronto direto com o petista no púlpito montado no centro do estúdio, ela cobrou do ex-prefeito de São Paulo uma autocrítica do PT pelos casos de corrupção e pela má gestão da economia no governo Dilma.

— É lamentável que você não reconheça nenhum dos erros. Você, Haddad, tem oportunidade e não o faz. Quando a gente está diante de uma crise como essa, é preciso pensar em projeto de país, e não em projeto de poder. O Brasil está à beira de um esgarçamento sem volta, entre seu projeto e o do Bolsonaro – disse Marina.

TÁTICA DE HADDAD – Ao responder no mesmo tom, Haddad evidenciou sua tática para se defender das cobranças pelos casos de corrupção envolvendo dirigentes do partido: citar sua biografia pessoal e lembrar conquistas que os governos do partido tiveram.

— Você está enganada, Marina. Eu dou entrevistas reconhecendo erros, mas não vou jogar a criança fora com a água do banho. Eu tenho duas obsessões na vida: vivo de salário, sou professor universitário. Tenho ética, história, tenho vida pública sem reparo. Não existe nada na minha vida que não seja produzir o bem — afirmou.

Outra estratégia de Haddad para o debate foi se vincular à imagem do ex-presidente Lula junto à população mais pobre do país. “O Lula governou para todos. Tratou do servente ao banqueiro com a mesma dignidade. Governou olhando para os mais pobres. Vou reabrir o Palácio do Planalto para todos os brasileiros”.

ANTICORRUPÇÃO – Alvaro Dias (Podemos) priorizou o combate à corrupção em todas as suas intervenções no debate. Ele ofereceu a Haddad um pedaço de papel, dizendo que se trataria de uma pergunta endereçada ao ex-presidente Lula, preso atualmente em Curitiba. Em outro momento, numa pergunta a Alckmin, o candidato do Podemos atacou o PT usando uma frase que vem usando em debates:

— A Petrobras foi assaltada, foi pilhada pelo PT. Foram R$ 20 bilhões para evitar processos dos acionistas americanos por causa dos prejuízos. Dá para a construção de 200 mil casas. Se contarmos quatro pessoas em cada, são 800 mil pessoas, é uma Maceió. É o tamanho da corrupção do PT, só nesse caso.

Ao responder a essa crítica, Haddad afirmou que em seu eventual governo, tentará revogar a permissão para que empresas estrangeiras explorem o pré-sal.

PRÉ-SAL NACIONAL – “Nós multiplicamos por dez o investimento na Petrobras. Achamos o pré-sal, que é nosso passaporte para o futuro, se vocês pararem de vender para os americanos o que é do povo.

O único direito de resposta concedido no debate foi para Meirelles, acusado por Alvaro Dias de ter sido citado na delação do ex-ministro Antonio Palocci e estar envolvido em corrupção.

—Estamos vendo muita briga, mas precisamos de propostas. Precisa de competência, experiência, alguém que já tenha mostrado resultado. Tirei o país da maior recessão da História. Saímos do fundo do poço, agora tem que começar a crescer.

RETROCESSO – Em sua principal intervenção, Guilherme Boulos (PSOL) fez um discurso incisivo para afirmar que uma vitória do candidato do PSL pode representar um retrocesso aos tempos da ditadura .

— Não dá para fingir que está tudo bem. Faz 30 anos que o país saiu da ditadura, e nunca estivemos tão perto (de voltar). Só estamos aqui, discutindo futuro, só vamos votar domingo, porque muita gente morreu, deu a vida para isso. Quando nasci, era ditadura. Não quero voltar. Começa assim: com arma, achando que se resolve na porrada. Temos que botar a bola no chão e dar um grito: ditadura nunca mais.

DESEMPREGO – Nos momentos de menos ataques e acusações e mais programáticos, o emprego foi o tema predominante. A reforma trabalhista também foi tema recorrente no último debate entre os candidatos à Presidência antes do primeiro turno. Depois do embate no primeiro bloco, Boulos e Alckmin seguiram a discussão quando o candidato do PSOL voltou a escolher o tucano como alvo de uma pergunta, no segundo bloco.

— Você diz que a reforma trabalhista não retirou direitos, e vou fazer uma correção: teve a terceirização, teve trabalho de mulher grávida em ambiente insalubre. Podemos citar vários direitos aqui — disse Boulos.

Alckmin ponderou que a legislação referente ao trabalho de grávidas tem problemas, mas defendeu a terceirização: “O funcionário da empresa terceirizada tem os mesmos direitos dos outros. A questão da mulher grávida eu vou corrigir” — afirmou.

AUTORITARISMO – A postura considerada autoritária de Bolsonaro foi classificada como risco à democracia pelos candidatos.

Em seguida, Ciro Gomes também colocou em debate discussões sobre mudanças na legislação trabalhista, associando-as às diretrizes econômicas adotadas por Bolsonaro. No mesmo raciocínio, o candidato do PDT criticou o modelo tributário proposto pelo economista Paulo Guedes, um dos principais conselheiros de Bolsonaro.

— O candidato que lidera as pesquisas tem seu vice dizendo que vai acabar com o 13º e com o adicional de férias. Tem seu principal conselheiro, que ele chama de “Posto Ipiranga”, e já sugeriu até a volta da CPMF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É preciso haver debate todo mês. Os problemas brasileiros logo seriam resolvidos, porque os políticos têm solução para tudo. Talvez o maior problema brasileiro seja a falta de debate, especialmente no que se relaciona à crescente dívida pública, que destrói previamente qualquer sonho governamental, transformando a política numa grande conversa fiada, sejamos francos. (C.N)   

18 thoughts on “No último debate, Haddad e Bolsonaro (que faltou) foram os mais atacados

  1. Do verdadeiro debate eles fogem, todos eles. O debate com o povão, o acerto de contas com o verdadeiro patrão. Debate entre eles nunca adiantou para muita coisa e Bolsonaro é o maior exemplo. A campanha de Bolsonaro se resumiu a receber o calor de seus eleitores e transmitir o que pensa nas redes sociais, sem campanhas milionárias, fundo bilionário, nada. Melhor luva de pelica para quem manteve Temer no poder para aprovar o que queriam e o tal fundão, o qual bancamos hoje, foi parte integrante e imperativa do pacote. O povo dá a eles, hoje, a quase exata dimensão do que representam para o país. A percentagem de aprovação deles é bem maior do que fizeram por merecer. Tiveram a chance, mas se limparam com ela e fizeram descer junto com o que pensam ser a política em seu país.

  2. Bolsonaro reconhece que vai ao 2º turno com Haddad, durante entrevista na TV Record.

    E manda ver nas fake news “nas escolas de ensino fundamental criancinhas a partir de seis anos de idade assistem vídeos de meninos se beijando e meninas se acariciando”

    TSE determinou a remoção de fake news disseminadas no Facebook contra Haddad que afirma que Haddad estaria distribuindo mamadeiras em creches com o bico no formato de órgão genital masculino.

    • Eu não teria tanta certeza assim. Mesmo antes das eleições, a nível regional, o que se vê são vários partidos, inclusive com candidatos a presidente, já declarando a poio a Bolsonaro. O fato é que não querem o segundo turno com o PT.

  3. CN,

    Durante as campanhas os debates só escondem as verdadeiras intenções dos candidatos através de promessas esdrúxulas, irrealizaveis. Só blábláblá. Quando eleitos, os legisladores transferem o blábláblá para as tribunas legislativas onde vendem leis, CPIs, proteção…. e ROUBAM MUITO juntamente com seus pares do executivo. É triste, mas é a realidade nua e crua. Muda o “sistema político” ou o povo continuará escravizado pelos “donos do estado.”

  4. Edir Macedo deveria perder a concessão dada pelo governo, enquanto havia o debate na rede globo, ele propsitalmente, abriu seu canal no mesmo horário para entrevista com o candidato fujao Bolsonaro, é um desrespeito con o eleitor e a justiça eleitoral, mas nada acontecerá com a rede Record de Edir Macedo.

  5. Pra que Ele perder tempo com pseudo debate , mas parece programa de caso de família ……Um fala os podres do outro e o outro do um …..
    Pelo menos quando o Cabo Daciolo está a verdade é falada ….todos são iguais , aliás todos estão a muito tempo na política e levaram o país a essa degradação moral ….. exceto Daciolo que chegou agora !!

  6. Estes debates, são inutilidades e verdadeira “macaquização” dos verdadeiros, que são feitos na America do Norte, onde apenas 2 candidatos debatem.
    Aqui é apenas um teatro, com “marionetes”, tipo Haddad.
    Não sou masoquista para assistir tamanha falta de compromisso com a verdade.

  7. Debates são inúteis. Melhor é cada um apresentar sua proposta e que ela venha em consonância com a vida pregressa do elemento. No caso de haddad e Ciro, sabemos, é só enganação.

    Já, Bolsonaro, por sua simplicidade e ingenuidade ao se expressar, nota-se há anos, que ele não mente pois não se afasta do óbvio, do palpável e do visível, o que facilita a todos, mesmo os mais simples, sentir firmeza nas suas propostas.

  8. -Não assisti, apenas “passei na frente da televisão”. E quando eu passei, deu a impressão de que todos jogavam no mesmo time. Cada um com uma minissaia mais curta do que a do outro.

    -FALTOU O CONTRADITÓRIO. Faltou polêmica.

    -Parecia até um teatro, onde cada um dos atores desempenhava um papel para que o “o todo” do sistema pudesse continuar.

    Abraços.

  9. Engraçado, já não basta os milhares de juristas de Facebook saberem mais que 15 juízes, bater o pé que Lula é inocente, condenado sem provas, preso político, agora surgem os médicos de Facebook (inclua os candidatos que chamaram o Bolsonaro de amarelão/arregão). O médico veta, a galera diz que o cara amarelou. E viva a ignorância!!!!!

  10. Haddad: “O Lula governou para todos. Tratou do servente ao banqueiro com a mesma dignidade. Governou olhando para os mais pobres.”

    Do http://www.esquerdadiario.com.br/Recorde-de-lucros-dos-banqueiros-e-endividamento-dos-trabalhadores-legados-de-Lula

    “Recorrendo aos governos de Lula, podemos ver que essa é parte do que a classe trabalhadora herdou do governo petista. A política de facilitação de crédito, como a redução do dinheiro que os bancos têm que deixar depositado nos bancos, resultou numa liberação massiva de reais no mercado. Em 2002, o crédito disponibilizado no país era de R$ 380 bilhões, em 2010, chegou a R$ 1,6 trilhões.

    Isso se transformou em “o aumento do poder de compra dos brasileiros”, ao passo que o salário médio dos trabalhadores não representou esse salto. Com o constante aumento da inflação, acompanhado do aumento dos juros, o que foi chamado de “poder de compra” dos trabalhadores, era o aumento da parte do salário que ia para o bolso dos banqueiros.

    Nunca os banqueiros lucraram tanto no país. Em 2011 calculou-se em torno de R$ 200 bilhões (sem corrigir com a inflação atual, o que elevaria esse valor) nos 8 anos de Lula. Com grande parte do salário dos trabalhadores destinado aos cofres dos bancos, mesmo numa crise econômica, os bancos continuam aumentando seus lucros.”

    • -De um dia para outro, todos ficaram ricos sem que precisassem estudar ou fazer algum curso profissionalizante que fosse ou que ao menos mudassem de profissão para uma outra, mais qualificada e com melhor salário.
      -Nunca foi tão fácil chegar ao Primeiro Mundo! Como não pensaram nisso antes?

      -No dia seguinte…
      -No dia seguinte, passado a ressaca do ufanismo e com a chegada dos boletos bancários e das faturas dos cartões de crédito, me ofereceram uma Saveiro nova por 2.000,00 reais.
      -Motivo: O dono não conseguiu pagar as prestações e por isso teve que levar o carro para o interior do país, onde poderia rodar sem ser apreendido.

  11. concordo totalmente com o editor da TI só discordo num ponto, o relativo aos debates mensais, sempre defendi a anualidade das eleições, assim perpetuaríamos este clima de circo que se monta em todo ano de eleição. Adoro clima festivo, dá-se muita risada às custas das asneiras alheias, e vê-se até que ponto vai a inventividade das pessoas. Em ano de eleição sempre surgem as boas ideias, ideias que dão inveja até em Deus.

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