Nós, políticos, estamos cegos para as ruas

Cristovam Buarque

Os políticos brasileiros estão endividados com os eleitores, sem bússola para o futuro, sitiados pela população e indiferentes diante da indignação.

Endividados pelo passivo acumulado por décadas de descaso com os interesses do povo, por ações, omissões ou incompetência. Depois de mais de cem anos de República, construímos um país rico na renda nacional, mas pobre na renda per capita e injusto na sua distribuição; dividido entre privilegiados e excluídos; ineficiente em seus serviços públicos, como saúde e transporte; atrasado na educação de suas crianças; um país violento, onde 100 mil compatriotas morrem anualmente na violência das ruas, em assaltos ou acidentes de trânsito. E, não menos grave, uma imensa dívida financeira e moral pelo desvio de bilhões de reais drenados pela corrupção. A dívida vem da insensibilidade social e ética que leva à corrupção nas prioridades da política e no comportamento dos políticos.

A população percebeu essa dívida, indignou-se e está nas ruas cobrando o passivo de décadas, sobretudo dos governos mais recentes, que prometeram pagar a dívida dos anteriores. Essa indignação mantém os políticos sitiados, metafórica e literalmente, pela desconfiança, pelo desprezo, pela ocupação de prédios e ruas. Isso não teria sido possível sem a autonomia das pessoas e dos movimentos sociais, que não precisam mais de líder, partido, sindicato, jornal, rádio ou televisão. Com a democratização propiciada pela internet, a população, especialmente a jovem, é capaz de fazer uma guerrilha cibernética que ocupa pontos estratégicos e inviabiliza o bom funcionamento da sociedade. A dívida e a indignação, por meio da internet, sitiaram os políticos.

SEM RUMO

Isso seria menos grave se, diante desse quadro, os políticos tivessem um rumo a apontar, em direção ao futuro distante e ao atendimento das reivindicações imediatas. Mas, além de endividados e sitiados, estão perplexos, desarvorados, sem bússola, desbussolados. Percebe-se que o rumo do crescimento econômico não é sustentável ecologicamente, não satisfaz ao bem-estar da população nem engana mais a consciência da opinião pública; as propostas utópicas de direita ou de esquerda faliram…

Esse quadro assustador ainda poderia merecer algum otimismo se, apesar de endividados, sitiados e desbussolados, os líderes não estivessem indiferentes. Mas a sensação é a de que há uma total insensibilidade dos que fazem a política em relação à dimensão do que acontece nas ruas. Cada manifestação é vista como única, de grupos restritos em ações isoladas; não se percebe que há uma dinâmica e uma lógica, com base em profunda raiva e instrumentos mobilizadores de extrema eficiência.

O maior problema, talvez, é que, além de endividados, desbussolados, sitiados e indiferentes, não vemos o tamanho, nem as causas, nem a força da indignação. Estamos cegos. (transcrito de O Tempo)

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7 thoughts on “Nós, políticos, estamos cegos para as ruas

  1. Discurso proferido pelo Deputado Federal PASTOR EURICO – (PSB/PE) – na tarde desta terça-feira (24/09/2013) no Plenário da Câmara dos Deputados.
    Nota de repúdio à violência sofrida em sua família, por policiais militares de Pernambuco
    Clik no Link abaixo :
    http://www.youtube.com/watch?v=O-qL6KiXlDU

    Inaceitável essa agressão que os familiares do deputado sofreram por parte de integrantes da Polícia Militar de
    Pernambuco – a polícia “socialista” do Sr. Eduardo Campos -, não pelo fato de serem familiares do deputado, mas o que deve ser considerado é que segundo relatos, são pessoas pacatas, religiosas, cidadãos de bem. Essa banda podre da polícia precisa ser extirpada. Pode acontecer com qualquer cidadão de bem.
    Agora eu pergunto: onde estão as comissões de “direitos humanos”, as comissões da “verdade”, OAB etc e tal?

  2. Pois é, Cristovam Buarque,

    Vejo que, na verdade, mesmo cego, o senhor já está enxergando alguma coisa, pois dizem que o alcoólatra, para curar-se, deve, primeiro, assumir-se como tal. Aproveita e escreve, também, senador, o porquê de o senhor não deixar, de vez, esse PDT _ partido completamente cego, logo ele, que via tão bem, sob as luzes do grande e saudoso líder, não é verdade?
    Estamos tão cansados, senador, que exalamos uma última dúvida: por que homens como o senhor, o Requião e o Ciro não se sentam e fundam algo de novo e desbravador? Por que?
    Os que votam e querem continuar votando no senhor _ como eu_, estamos esperando uma resposta, senador.

    Saudações,

    Carlos Cazé.

  3. Cristovam so fala bobagem. Cristovam foi quem lançou na política quando estava no PT O FAMIGERADO WALDOMIRO DINIZ QUE DEPOIS DE ALGUNS ANOS PASSOU A TRABALHAR PARA ZE DIRCEU; DEPOIS FOI FILMADO EXTORQUINDO CARLINHOS CACHOEIRA. VEJAM SE CRISTOVAM FALA ALGUMA COISA CONTRA JOSÉ DIRCEU E O MENSALÃO. TEM MEDO DE UM CONTRA-GOLPE VIOLENTO.

  4. Prezado Aquino:

    Gosto e respeito seus comentários, mas, neste caso, vou discordar. Considero Cristovam um homem brilhante e, se formos puxar pela linha de raciocínio com que deslustras o senador, Aquino, o próprio Brizola soçobraria, não é verdade? Além disso, é tal o “deserto de homens e idéias”, neste país, que temos que olhar mais à frente do que nos aferrarmos ao passado, segundo vejo. Errar, todos erramos, o duro é errar por falta de caráter, coisa que não sinto, nem de longe, em Cristovam Buarque. Mais: tenho imensa vontade de vê-lo Presidente do Brasil_ por que não? Tantos que não podiam, puderam, também não é correto? Acresça-se que é na EDUCAÇÃO, precipuamente, que começaremos a dar um futuro a esta nação, que moldaremos as gerações em cidadãos de primeira classe, o que, eu sei, Aquino, você está careca de saber. Mas é que vejo, todos os dias, pessoalmente, nas escolas, que o Brasil não tem futuro nem a curto nem a médio prazo, muito simplesmente. ” Somos árvores tortas”, como nos lembrava o Brizola. E os que estão sentados nos bancos escolares, atualmente, também. Graças a Deus, têm sentido isso, e estão tomando as ruas_ daí o artigo do Cristovam. O quadro é tão aterrorizante, quanto ao futuro do Brasil, que já passou a hora, de homens do quilate dos que citei, se unirem e delinearem um caminho. Um caminho de limpeza total, de rigor total, de transformações totais_ nada menos que isso. E, com o que acabamos de ver no Mensalão, não é possível mais tolerar nada, rigorosamente nada: decisões duras e inevitáveis deverão ser tomadas, mas no sentido diametralmente oposto, ou seja: o Brasil precisa reencontrar o FIO DA HISTÓRIA, rompido em 1961 com o equívoco de Jango. Reencontrar o autêntico trabalhismo_ claro, devidamente atualizado nos adjetivos e intocável nos substantivos de soberania e nacionalismo. Rigorosamente contrário a esse festim de lesa-pátria.
    Saudações,

    Carlos Cazé.

  5. Carlos Caze você tem fixação pela personalidade de Cristovam. No ser humano isso é quase normal mas não é normal. Eu que consolidei a ideologia trabalhista em 1950 quando estava na Marinha e Getúlio foi eleito acompanho a saga dos trabalistas até hoje. Vibrei com suas vitórias e sofri com suas derrotas. Não sou nem mártir nem herói, mas paguei o preço alto por minhas convicções. Conheço a fundo a história e as víceras do PDT atualmente o representante legítimo do trabalhismo de Vargas, Jango e Brizola. Você acha que Cristovam pode servir ao PDT dizendo na tribuna do senado que seu coração é dividido, metade PT e metade PDT? Que o PDT é um puxadinho do PT? Que ele não vai disputar o governo do DF porque fica constrangido com as vaias dos jovens do PT? Que quer ser um Darcyzinho? Propõe federalizar a educação sem saber que somos uma federação de estados e que isso vai engessar a educação no Brasil. Quando falam em CIEPS ele não considera: fala em escolas bem feitas. Mas sabe que os CIEPS escolas idealizadas por Brizola e Darcy e construidas pelo gênio de Niemyer preenchem todas as necessidades de uma boa escola, mas as ignora por puro preconceito e inveja. Como imaginar um politico do PDT dizer que o partido perdeu o respeito ético e político como disse Cristovam? Quando foi candidato pelo PDT em 2006 a primeira coisa que exigiu é que a entrada na TV do PDT com a bandeira brasileira e a do partido, fosse substituida por algo que nada tinha a ver com nossa grei. Se ele servisse para o PDT ideológicamente eu diria. Não serve. Usa o PDT em voou solo. Não sai do PDT porque é fácil eleger-se senador pelo DF só isso. Os brasileiros devem de mãos postas pedir a Deus que ele não seja candidato. Há 55 anos atrás no RGS Brizola construiu 6.302 escolas. Quantas contruiu Buarque? CRISTOVAM É NA REALIDADE UM TEORISTA. Teoria para cá, teoria para lá e não sai disso.O prazer dele é viver na mídia. Qualquer manada que passa correndo ele vai atraz. Respeito democráticamente o que dizes, mas minhas idéias sobre Cristovam são essas.

  6. Prezado Aquino,
    boa tarde, tudo bem? Está passando bem o domingo? Espero que sim. Quanto a mim, otimamente, nenhuma dúvida. Ganhou até uma cor especial, agora, 14:39, ao ler teu comentário: teces uma biografia que não cabe a mim contestar, de maneira alguma_ o biografado está aí, Vivinho da Silva, se ele tomar conhecimento de tuas palavras, que responda, se o quiser, não é verdade?
    Vou me ater na fixação: puxa, não é verdade! Sublinhei, inclusive, que todos erram: fato inconcebível para um fã, segundo me parece. E já passei da idade de esperar perfeição, principalmente em políticos. Tu mesmo, Aquino, pareces ter fixação no Vargas, ou não entendi bem? Eu também o admiro, precipuamente, ainda que tenha sido, em muitos momentos, um grande canalha_ ou não? Caso discorde, nem precisa me responder: endereces, por favor, o e-mail ao Hélio Fernandes, esse outro craque admirável, que tantas e tantas vezes discordou do Brizola por este sempre justificar Vargas. Quem sou eu, meu Deus, pra me imiscuir nesse embate de gigantes_ Brizola, Hélio,e você, Aquino!? Só desenhei algumas palavras leves, mas sinceras, sobre o estado lamentável, de perdição mesmo, em que vive o Brasil, e o quanto precisamos juntar forças, para superar tudo isso. Lembrando Brizola, ainda uma vez, assinalo que aprendi, entre outras coisas, isso: relevar e buscar o interesse maior, até porque a ” política ama a traição mas abomina os traidores”, na lição do velho Briza. Humildemente, acho que o Brasil tem gente muito pior pra quem devemos voltar nossas baterias, mas não hesitarei em respeitar tua opinião, Aquino, que, sinceramente, só de te ocupares em me dar atenção, já revela tua grandeza d’alma_ e aqui vai um muito obrigado. Mas sejamos transparentes: esse pdt, que está aí, hoje, é ou não é um puxadinho do PT? Pelo menos meu PDT, sinceramente, não é.
    Saudações,

    Carlos Cazé.

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