Nos últimos 25 anos, nenhuma ditadura nas Américas: não queremos voltar a esse passado com Zelaya

Um amigo me manda correio eletrônico: “Helio, Zelaya não volta mais ao governo e aqui só entra, se quiser, depois da eleição. Também ninguém quer golpe militar ou civil. Zelaya pretendia ser o candidato dele mesmo, os militares não aceitaram, representaram a opinião pública, e têm garantido que só querem eleição e mais nada”.

Não há dúvida que Zelaya só queria continuar no Poder, qualquer que fosse o nome que desse a essa continuação-continuidade. Chamou de referendo, mas faltando 4 meses para o povo voltar?

Nem em Honduras, na América Central ou América do Sul, ninguém quer voltar aos tempos de ditaduras. E o próprio presidente Obama (América do Norte) garantiu: “Os EUA têm errado muito”. Só pode ser em matéria de apóio a ditaduras, civis ou militares, no passado, e agora está disposto a não errar mais, o que é fácil.

Rigorosamente verdadeiro: a ONU e a OEA agiram apressadamente, sem estudo mais profundo da situação. Avalizaram Zelaya, deram a ele “cheque em branco”, que não merecia pelo passado e pelo presente, e agora não tem onde descontar.

Os presidentes que pretendiam acompanhar Zelaya na volta a Honduras, meditaram e não foram, Os que não se manifestaram, procuram uma solução. O presidente Lula pode e tem que exercer influência importante na questão, usando o prestígio do Brasil. E a solução está mais do que visível: eleição na data marcada, sem Zelaya e sem nenhum general no Poder.

O amigo brasileiro que mora em Honduras me informa novamente: “Helio, a solução que todos querem é o Cardeal garantindo a eleição, ficando esses 4 meses no Poder. Aparentemente, queriam passar o governo ao presidente da Corte Suprema, muita gente vetou seu nome por ser muito ligado a Zelaya. O cardeal precisa de autorização do Papa!”.

De qualquer maneira, não há perigo de voltarmos à época de golpes múltiplos e multiplicados. Obama pode repetir e conseguir: “Sim, nós podemos”.

Quem viveu as ditaduras, viu, resistiu, transigiu, nem heróis nem vilões. Os regimes autocráticos, monocráticos, repressores, colocam os homens diante de si mesmo, às vezes em posições forjadas e executadas por causa das circunstâncias.

Houve um tempo em que toda a América do Sul e quase toda a América Central estavam dominadas pelos homens que adoram a violência. (Os EUA escaparam, por causa da grande preocupação que os Fundadores da República tiveram com os golpes. Mas já que não podiam executar golpes, executavam os presidentes. Mais tarde, não satisfeitos, passaram a executar os que podiam chegar a presidentes).

Zelaya e Honduras não podem reviver ou reforçar esse passado. Alguns mais cruéis e selvagens, como no Chile, Uruguai, o próprio Brasil, mas, principalmente, a Argentina.

Foi o atentado à democracia mais rápido (1976/ 1983), mais selvagem em número de mortos e trucidados, e o de maior criatividade na crueldade.

Foram os primeiros a jogar prisioneiros de avião em pleno mar. Mas também, EXCEÇÃO, quase todos foram punidos. Não que isso servisse de consolo, arrependimento ou redenção.

* * *

PS- A democracia, essa “planta tenra” (Otavio Mangabeira), tem tremendos inimigos. E quando menos se espera, naufraga e vive tempos nos subterrâneos da liberdade. Depois, para conquistar a redemocratização, uma eternidade.

PS2- Sem esquecer que toda vez que eu escrevia a palavra REDEMOCRATIZAÇÃO, Carlos Lacerda me dizia, até cm razão: “Você tem obsessão por essa palavra. Quando é que tivemos democracia?”

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