“NS VOLTAREMOS”

Jorge Rubem Folena de Oliveira:
“Sempre que leio a tragdia recaiu sobre a sua vida e seu trabalho, fico cada vez mais orgulhoso do senhor, na medida em que no percebo, em suas manifestaes, sentimentos de rancor ou dio, que seriam naturais diante das circunstncias reveladas e comprovadas.

Ainda bem que existem homens com coragem para lutar e persistir, transmitindo s geraes futuras que um mundo melhor ainda poder existir. Isto, o reprter nos passa a todo o momento, mesmo nas dificuldades.

Como revelei em outra oportunidade, agradeo por seus ensinamentos dirios e desejo uma longa vida sua Tribuna da Imprensa.”

Comentrio de Helio Fernandes:
Obrigado, Folena, pela contribuio e a observao. Esse ponto destacado por voc fundamental na minha vida e em toda a participao de dezenas de anos. Jamais tive qualquer ressentimento, odio, rancor ou coisa parecida. Nas varias vezes em que fui para o DOI-CODI, um centro de terror, quase o instante da tortura, no ficava com raiva dos oficiais. Eles tentavam me gozar, dizendo como interrogao: “Ento, jornalista, o senhor escreve contra ns, mas acaba sempre aqui”. E riam, alucinada e prazerosamente.

No pensava em me vingar, no queria estabelecer qualquer forma de duelo ou de combate com eles. Eu tinha objetivos, procurava cumpri-los, quaisquer que fossem os obstaculos colocados minha frente. Nada me impediria, no era a luta de um instante, a batalha de um momento, a convico que eu logo abandonaria. Quando comecei a lutar, foi muito antes de 1964, do golpe chamado de Revoluo. Pois o Brasil tem uma historia cheia de golpes e nenhuma Revoluo de verdade (1930 uma fraude, uma farsa, mistificao completa).

Ainda menino, entrei na redao da revista “O Cruzeiro”, era um emprego. mas logo, logo compreendi que seria muito mais do que isso. E no desacreditei jamais. Meu primeiro trabalho de importancia foi a cobertura da Constituinte de 1946.Ali travei conhecimento direto com a politica e compreendi que eles no conheciam Aristoteles, e estavam distantes de compreender que “a politica arte de governar os povos”.

Acabada a Constituinte, fiz entrevista com o general Goes Monteiro e ouvi pela primeira vez a afirmao: “O Exercito o grande mudo”. Como desde 1889 o Exercito sempre se meteu em tudo, no tive duvida: era impossivel confiar em politicos e em militares. Eles esto sempre juntos, enganando a coletividade.

Em 1889, os civis combateram, mas o Poder no ficou com eles. A Republica nasceu militar, militarista e militarizada, mas apoiada por civis. Em 1937, o ditador era um civil, Vargas, garantido pelos militares. E, em 1964, trocaram, os militares ficaram com o poder ostensivo, mas garantidos pelos civis.

De qualquer maneira, o bom a compreenso de um advogado militante como voc e tantos outros. Aos que perguntam quando a Tribuna impressa estar nas bancas, respondemos como o general McArthur ao ter que deixar as Filipinas: “NS VOLTAREMOS”.

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