Nosso Everest é salvar um bilhão de crianças

Cristovam Buarque
O Tempo

A crise que atravessa a democracia brasileira – descrédito de seus eleitos, caos partidário, alianças espúrias, aparelhamento do Estado pelo partido no poder e corrupção – faz esquecer a crise do próprio conceito de democracia nacional no mundo global: presos a seus eleitores locais e à próxima eleição, os políticos estão estruturalmente despreparados para enfrentar os problemas planetários e de longo prazo. Nos limites nacionais e eleitorais, fica impossível enfrentar questões como aquecimento global, migração, terrorismo, crescimento ou decrescimento, energia, corrupção.

Pensando nisso, com base em uma iniciativa minha e do prêmio Nobel da Paz de 2014, Kailash Satyarthi, parlamentares de diferentes países se reuniram na semana passada no Nepal e criaram o movimento Parlamentares sem Fronteiras (PsF), escolhendo como primeiro tema de ação global os “Direitos da infância no mundo”.

No seu discurso de encerramento do encontro que fundou o movimento, Kailash Satyarthi disse: “Aqui estamos não apenas unindo parlamentares que defendem os direitos das crianças do mundo. Estamos também iniciando uma nova cultura política, adaptada aos tempos globais, para enfrentar problemas globais”.

QUESTÃO MUNDIAL

Não se trata de reunir parlamentares nacionais para representar seus países na discussão de um tema, mas de reunir parlamentares comprometidos com uma questão mundial para, unidos pelo tema, atraírem seus países a uma posição comum no mundo, levando essas ideias para dentro do próprio país.

Ao reunir PsF em torno do tema dos direitos infantis, os parlamentares foram ao Nepal, em primeiro lugar, como defensores dos direitos da infância no mundo, só depois como representantes de seus países. Na verdade, eles vão representar essa bandeira dentro de suas nações.

A ideia é aglutinar o máximo de parlamentares nacionais de diversos países na busca de soluções para problemas globais, quebrando a frase verdadeira de Obama, em Copenhagen, em 2009: “Não há político eleito por eleitores mundiais.” Mas, se cada parlamentar ficar preso apenas aos limites de seus eleitores e da próxima eleição, é possível que as próximas gerações sejam sacrificadas em todos os países.

DIREITOS DA INFÂNCIA

Nos tempos de hoje, quase todos os problemas de cada país passam por soluções planetárias e de longo prazo. Daí o movimento ter escolhido os direitos da infância como seu primeiro tema, enquanto prepara novas reuniões para outras questões, como energia, terrorismo e pobreza.

Muitas pessoas vão ao Nepal para escalar o monte Everest. Nós não somos tão fortes quanto elas, mas somos mais idealistas. Como eu disse na coletiva internacional de imprensa sobre o encontro, fomos lá para salvar 1 bilhão de crianças sem escola com qualidade, trabalhando no lugar de estudar, sujeitas à exploração sexual, sem atendimento médico e sem comida.

8 thoughts on “Nosso Everest é salvar um bilhão de crianças

  1. Muito bom Senador,
    No Brasil, é urgente, se implantar um programa de ligadura de trompas após o 2º filho gratuita pelo SUS, e com pgto. de cestas básicas por um ano, para mãe que assim optar. Para o controle da natalidade nas regiões mais pobres (favelas).

    • Caro Juarez,

      No ano passado estive no interior da Bahia e pude ver MULHERES COM MAIS DE CINCO FILHOS, vivendo na MISÉRIA ABSOLUTA, que, embora não quisessem ter mais de dois, não podiam fazer a ligadura de trompas PORQUE NÃO TINHAM ONDE FAZER.

      Falavam que o lugar mais próximo seria na cidade de BARREIRAS, mas teriam que ir antes para ouvir uma ASNEIRA disfarçada de palestras.
      Elas não iam por três motivos:
      -A distância do lugar.
      -Não tinham dinheiro para a passagem.
      -Não tinham como (nem com quem) deixar os filhos pequenos durante as palestras.

      No final da conta, saíram ganhando os POLÍTICOS LADRÕES, que negociam a CARA MOEDA, chamada de ligadura de trompas, QUE DEVERIA SER DE GRAÇA no SUS, e os MÉDICOS amigos dos POLÍTICOS LADRÕES, que operam as pobres que podem pagar!!!

      O senhor entendeu agora que, NESTA TERRA, nada acontece por acaso e até espinho não nasce sem que tenha alguém se BENEFICIANDO com isso?

      • Complementando:

        “A laqueadura é assegurada pela Lei Federal 9.263, que trata do Planejamento Familiar, e compete ao SUS garantir um programa de atenção integral à saúde que inclua assistência à concepção e contracepção – seja pela distribuição gratuita dos métodos anticoncepcionais ou por meio de cirurgia. Sendo assim, a lei prevê que algumas etapas sejam concluídas antes de efetuar o procedimento.

        É preciso que a mulher tenha 25 anos ou mais e/ou dois filhos. Além disso, ela tem que manifestar sua vontade em realizar o procedimento em um documento escrito. Depois de assinar o documento, a mulher e o marido devem ir à uma reunião (obrigatória em todas as Unidades de Saúde do país) onde são expostos todos os métodos anticoncepcionais, indicações da cirurgia e outros temas ligados ao planejamento familiar. Esse é um momento oportuno para profissionais da saúde fazerem exposições sobre doenças sexualmente transmissíveis e alertar a usuária sobre outros métodos anticoncepcionais não definitivos, mas eficazes também. “Sem essa reunião é impossível operar”, como afirmam os médicos. Feito o documento e a reunião com profissionais sobre a cirurgia, a usuária ainda precisa passar por mais uma etapa burocrática. Caso a mulher continue demonstrando desejo em fazer a cirurgia, é preciso que se passe 60 dias para que ela possa repensar sobre o assunto ao lado do marido.”

        -Esses BUROCRATAS DO ATRASO, políticos, diga-se de passagem, acham que todo mundo pode passar DIAS longe de casa e com três refeições por dia, carro e dinheiro para a gasolina, para a passagem, para a marmita, para os lanches, para o cartório e, ainda de quebra, pagar a babá e a empregada que ficaram cuidando da prole e da casa.
        -Eles vivem, não diria em outro país aquém do Brasil.
        -Eles vivem em OUTRO PLANETA!

        Abraços.

  2. A lorde atitude do senador, infelizmente, não rima com a nossa política. Aqui político realmente precisa cuidar dos seus paroquianos. Ou senão não cuidará de ninguém.

    • E acho certo cada um cuidar do seus paroquianos, já que toda paróquia tem direito a seu representante. Isso não é a democracia? Então na democracia é cada um pelos seus. O que o senador propõe é atitude pra aristocrata. Aqui não dizem que aristocracia fede? Então não venhamos com mimimi.

    • É difícil avistar solução para este país.
      A casta dos VERMES PARASITAS, hospedados nos altos escalões da máquina do Estado, dividiram o país entre as suas famílias. Não existe nada parecido entre os atuais países civilizados. São verdadeiros FARAÓS tupiniquins!
      Vivem na opulência, enquanto o povo vive na miséria absoluta. Se ao menos roubassem, mas deixassem alguma ninharia que possibilitasse uma vida mais ou menos digna ao povo, como é feito em algumas ditaduras do petróleo…

      Não vejo solução, pois ir contra eles é ir contra as leis, que que foram feitas justamente para dar proteção legal aos seus crimes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *