Nova confusão na área do MEC: desta vez no local da prova do ENEM

Pedro do Coutto

Realmente ocorre algo estranho no universo do ministério da Educação. Primeiro, foram os erros de concordância na cartilha que se presume recolhida. Segundo. foi a tabuada com divisões e multiplicações erradas. A revisão não pode deixar de ter sido refeita. Envolvia até questões de troco em dinheiro. Agora, reportagem de Lauro Neto, O Globo de quarta-feira 19, aponta informação incorreta quanto ao local da prova do ENEM na cidade do Rio de janeiro.

O cartão de confirmação, remetido pelo Correio, apontava Av. Pasteur 296. Mas aí entrou em ação o telefone: em vez de 286, o endereço informado é Pasteur 436. Impressionante a sequência dos erros na esfera do Ministério que desenvolve a Educação no país e, portanto, deveria possuir melhor sistema de informação. Uma coisa não existe sem a outra. O endereço errado pode, inclusive, acarretar uma série de problemas facilmente evitáveis.

Não foram evitados, como se constata da reportagem de O Globo.Mas o que chama mais atenção é um detalhe existente numa – digamos assim – sombra no texto da matéria. Necessário iluminá-lo. Lauro Netto revela que foi montado um consórcio para aplicar o ENEM, a partir da Fundação Cesgranrio. Consórcio? Contrato? Mas a Cesgranrio não pode realizar sozinha as provas? No passado era assim. Porque a pluralidade? Não Possui explicação aparente. Há necessidade de sigilo. O que nem sempre aconteceu.

Uma vez, há cerca de 15 anos, ele foi rompido. Explodiu um escândalo, estudantes sabiam o teor das provas. Mas daí a ser montado um consórcio vai grande diferença. Inclusive, quanto mais pessoas envolvidas – claro – maior é a possibilidade da ruptura do segredo indispensável.

Indispensável mas que vem sendo dispensado em grande número de concursos públicos por aí. Até na magistratura, há cerca de dois anos, verificaram-se coincidências à base de parentesco difíceis de atender. Mais ainda de explicar, sobretudo provar. Se tudo anda sendo fraudado no país, por qual motivo os concursos públicos deixariam de ser? É possível, mas não é provável.

Aliás, por falar em concursos para a administração federal, encontram-se eles suspensos desde o início do governo Dilma Roussef. É curioso isso. Mas existem funcionando cursos preparatórios. Geralmente montados e coordenados por antigos funcionários dos órgãos públicos e de empresas estatais. Os anúncios fornecem a ilusão de que os professores são simultaneamente os selecionadores dos candidatos.

Todos os classificados para o número de vagas existentes são os aprovados. Porém, é lógico, nem todos os aprovados são classificados. Surge, então, o banco de reserva, válido, conforme a CF, pelo prazo de dois anos. Vencido este prazo, novo concurso. Inscrevem-se geralmente 50 mil pessoas a 50 reais cada inscrição. Um concurso portanto significa uma receita de 2,5 milhões de reais. Seu custo, na prática, não chega à metade. Mas o problema não é só esse: se concurso fosse a melhor maneira de selecionar, as empresas provadas adotariam a norma. Não há uma que proceda dessa forma. No caso do acesso à universidade, de fundamental importância para o aperfeiçoamento da soiedade, e a evolução do país, o critério não deve ser uma prova isolada. E sim o desempenho dos alunos na rede de ensino através dos anos letivos. Este processo representa um sistema. A prova. um tipo de loteria. Às vezes manipulada.

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