Novas denúncias de irregularidades no BNDES

O Banco estatal tem aprovado projetos altamente prejudiciais ao meio ambiente e às populações das áreas próximas aos empreendimentos, sem assumir responsabilidade alguma. Assim, na verdade o BNDES está se tornando um exemplo de irresponsabilidade social.

Carlos Newton
Nos dias 23, 24 e 25 de novembro, será realizado no Rio de Janeiro o seminário – “Atingidos – I Encontro Sul-Americano de Populações Afetadas por Projetos Financiados pelo BNDES”, para reunir e dar voz às populações que tiveram seus direitos violados e sofrem com os impactos da atuação do Banco estatal nos setores de papel e celulose, etanol, hidrelétrica, mineração e  pecuária.

O evento é realizado pela Plataforma BNDES – uma articulação de mais de 20 organizações, movimentos sociais e redes que lutam pela reorientação do BNDES no sentido do fortalecimento do seu caráter público, para minorar os graves impactos que sofrem essas populações em função de desenvolvimento de projetos patrocinados pelo BNDES.

O objetivo é considerar a corresponsabilidade do BNDES tendo em vista a forma desastrosa com que esses projetos se instalam, sem qualquer planejamento que inclua as pessoas que  habitam o local.

A responsabilidade do BNDES nesse processo não advém apenas porque o Banco viabiliza economicamente esses projetos, em condições extremamente favoráveis. É  também responsável por não incluir em seus procedimentos uma análise mais criteriosa e responsável da conseqüências econômicas, sociais e ambientais de tais empreendimentos.

Reportagem recentemente publicada pela Folha de São Paulo destaca que “mais de R$ 6,2 bilhões saídos do BNDES nos últimos dois anos tiveram como destino sete negócios em que a dor de cabeça foi o maior retorno obtido pelo banco. São empresas que foram obrigadas a dar, nos últimos meses, explicações por práticas sociais, ambientais ou financeiras não condizentes com os manuais de boa gestão” .

O crescente peso do BNDES na economia brasileira pode ser medido pela escala de seus empréstimos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Em 2000, os desembolsos do Banco correspondiam a 2% do PIB. No final de 2008, eles equivaliam a 3,2%, registrando aumento de 60%. Ao mesmo tempo, o spread básico do Banco caiu de 2,3%, em 2005, para 1,2%, em 2008, representando um reforço na transferência de recursos públicos para o setor privado.

Na verdade, o BNDES tem tido uma postura de irresponsabilidade a respeito dos resultados de seus investimentos. Seus procedimentos de análise e avaliação de projetos são meramente técnico/financeiros e não incorporam a perspectiva das populações impactadas.

O I Encontro Sulamericano de Populações Afetadas por Projetos Financiados pelo BNDES tem por finalidade também abrir um debate mais amplo acerca do papel do BNDES, e do governo, na formatação de um modelo de desenvolvimento que cristaliza o Brasil na posição de economia periférica a serviço do fornecimento de matéria-prima e recursos naturais para as economias do centro econômico e das demais nações emergentes. Entende-se que esse debate será fundamental no contexto político das eleições de 2010.

Comentário de Helio Fernandes
Tudo que está aí, é irrespondível. Surgiu como BNDE, vejam só, presidido por Roberto Campos. Não tinha o S, supostamente SOCIAL. Mais tarde e até hoje, ganhou o S, presumidamente de SOCIAL, mas continuou servindo aos piores interesses, nacionais e multinacionais.

Como está dito na matéria, (e este repórter tem denunciado desde a sua fundação), O BNDES TEM TIDO POSTURA DE IRRESPONSABILIDADE.

As elites empresariais que não são fiscalizadas por ninguém, têm ido buscar nesse BNDES, que funciona com dinheiro público, “financiamento” para as suas aventuras enriquecedoras.

O presidente Lula, teve um lampejo e nomeou presidente desse BNDES, o economista competente e independente, Carlos Lessa.

Depois de 10 meses de ter revolucionado o BNDES, Lessa procurou o próprio Lula, e contou as barbaridades que ENCONTROU nesse BNDES. Lula ficou perplexo, “vou tomar providências”. Numa ida à televisão, Lula chegou a fazer referências, “a escândalos no BNDES”, não disse que recebera informações de Carlos Lessa.

Foi uma infelicidade, o presidente Lula fazer essa referência pública sobre o BNDES. Lógico, como os recursos (e os interesses) desse banco são fabulosos, a pressão sobre Lula foi terrível. Não podendo usar o habitual “não sabia de nada”, pois informado pelo próprio presidente que nomeara para o BNDES, sabia de tudo, LULA SILENCIOU.

Carlos Lessa, que tem vida e personalidade própria, não precisa de coisa alguma, esperou um tempo, vendo se Lula quebrava o silêncio. Como o presidente da República não se manifestava, Lessa fez o que um homem como ele estava obrigado a fazer: passou a criticar abertamente o governo, em especial a política econômica conduzida pelo então ministro Antonio Palocci, que atuava como um fantoche do presidente do Banco Cetral, Henrique Meirelles, na proteção aos interesses dos banqueiros nacionais e internacionais. Assim Lessa se incompatibilizou com o governo e com o próprio presidente, e acabou fora do BNDES, deixando pela metade a recuperação do banco.

***

PS- Só pra atualizar as denúncias sobre a IRRESPONSABILIDADE, IMPRUDÊNCIA e LEVIANDADE do BNDES: o Bradesco controla a Vale, com EMPRÉSTIMO do BNDES a esses juros FACILITADÍSSIMOS, que não chegam jamais a favorecer o povo, DIRETA ou INDIRETAMENTE.

PS2- Como o assunto é importantíssimo, continuaremos amanhã. Com a despedida de Carlos Lessa e a chegada, Nossa Senhora, de Guido Mantega. IMPERDÍVEL a lembrança. O que fizeram no BNDES, antes e depois de Carlos Lessa, vale a construção de uma penitenciária de segurança máxima.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

One thought on “Novas denúncias de irregularidades no BNDES

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *