Novas medidas econômicas mostram o frenesi do governo em defender os interesses dos banqueiros

 Carlos Newton

A política econômica brasileira é como um caixa de preta de avião acidentado que nunca foi encontrada. Ninguém sabe o rumo que realmente se queria tomar. Como todos sabem, o governo passou anos comprando dólares, a pretexto de elevar a cotação do real e impedir uma crise das exportações e a desindustrialização. Eram operações onerosas para o Tesouro Nacional, mas o governo seguia comprando, chegando a acumular mais de US$ 350 bilhões em reservas.

De repente, não mais que de repente, como dizia Vinicius de Moraes, a crise internacional altera os rumos da economia e a cotação do dólar enfim começa a subir em relação ao real. Os exportadores comemoram, abrem champanhes, respiram aliviados. Mas o governo, não.

Subitamente, a equipe econômica muda de opinião e de política. Entra em estado de alerta e desespero com a alta do dólar, começa a intervir no mercado e já estuda novas medidas para conter a desvalorização do real em relação à moeda americana. Uma das ideias em discussão é ajustar ou mesmo revogar a medida que em julho taxou operações cambiais no mercado futuro, um dos fatores que contribuíram para o dólar subir nos últimos dias.

Segundo “especialistas”, o BC age assim porque uma elevação forte e abrupta da taxa de câmbio traz riscos paras as empresas que carregam dívidasem dólar. Avolatilidade acentuada da divisa também dificultaria o planejamento das companhias, dizem.

 Segundo dados do BC, a dívida externa das empresas brasileiras soma US$ 94,9 bilhões. Quando o dólar caía sem parar, essas empresas se beneficiaram muito, mas muito mesmo. Por que devem continuar sendo beneficiadas?

Surgem as explicações mais tenebrosas. Há até quem diga que a alta do dólar visa conter os impactos na inflação, porque os preços em reais de produtos como soja, milho e café já estão mais altos do que no início de agosto, como se isso tivesse alguma coisa a ver com o dólar.

O que o governo não diz nem os economistas destacam é que grande parte das dívidas das empresas brasileiras foi feita por bancos e outras instituições financeiras. Pegam dinheiro barato no exterior para emprestar caro aqui no Brasil.

A explicação, portanto, é que  o governo só existe para atender aos banqueiros. Nunca houve uma classe tão privilegiada no Brasil do que as elites financeiras. Eis a questão.

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