Novo embalo nas alianças eleitorais

Tereza Cruvinel
(Correio Braziliense)

A decisão do PSB de deixar o governo Dilma vai turbinar os movimentos eleitorais, acelerando migrações, alinhamentos e desalinhamentos nos estados, com reflexos na disputa nacional. Com o gesto, o governador Eduardo Campos atiçou, em Pernambuco, a corrida pela sua própria sucessão.

Na oposição, Aécio Neves estreita os laços com a cúpula do DEM, velho aliado, antes que seja por outro cobiçado. Mas Dilma, ao pedir novo encontro com Campos, e ele, ao aceitar o convite, voltaram a jogar fumaça no ar. O governador, mesmo entregando os cargos, não assumiu a própria candidatura, e, com isso, manteve ainda alguma ambiguidade.

Vamos a Pernambuco, onde a política local está fervendo. A primeira reação ao gesto de Campos foi do senador Armando Monteiro, do PTB. Por algum tempo, ele foi considerado uma alternativa do governador para a própria sucessão. Mas os socialistas passaram a dizer que o candidato será do PSB, escolhido pelo governador, na hora que ele considerar oportuna.

INDEPENDÊNCIA

Na sexta-feira o senador Armando Monteiro fez, em Recife, declarações equivalentes a um grito de independência, reiteradas à coluna: “O que eu digo é simples. O PTB deseja ter, em Pernambuco, a mesma liberdade que o PSB buscou no plano nacional ao deixar o governo. Eu apoio o Eduardo no estado, mas ele não será mais candidato a governador. Nem informou se será candidato a presidente. Eu também apoio a presidente Dilma, e como ela é candidata natural à reeleição, terá meu apoio. Diante do hegemonismo do PSB, minha candidatura ao governo será apresentada como alternativa independente”.

No estado, o estilo imperial e centralizador do governo já rendeu um chiste: “Os coronéis antigos perseguiam os adversários. O de hoje, persegue os aliados”.

Devolvendo os cargos no governo federal, Campos deixou principalmente o PT pernambucano em saia justa. Na verdade, os petistas devem estar confusos com os sinais emitidos por Dilma e Campos ao acertarem novo encontro, depois de ela ter pedido ao ministro do PSB Fernando Bezerra para ficar no cargo até o dia 29. Há quem veja nisso algum movimento de Lula. Seja o que for, melhor ir devagar com o andor. E se, lá na frente, ele desistir da candidatura? E se concorrer, mas não chegar ao segundo turno, quando seu apoio será valioso?

Mesmo assim, os petistas já se preparam para a disputa estadual. Se Eduardo apoiasse Dilma, eles apoiariam o candidato dele. Como isso agora é improvável, podem lançar a candidatura do ex-prefeito João Paulo ou apoiar o senador Armando Monteiro. O PSDB, embora torça pela candidatura Campos, precisará de palanque no estado. O candidato deve ser Daniel Coelho, segundo colocado na eleição municipal do ano passado.

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