Novo estádio da Juventus na Itália, custou menos de 1/3 do valor da reforma do Maracanã. É desanimador.

Carlos Newton

Foi um vexame. No dia da visita da presidente Dilma Rousseff e de autoridades da Fifa e do Comitê Organizador ao Mineirão, escolhido como palco principal da festa para marcar os mil dias que faltam até a Copa do Mundo de 2014, os operários da obra no estádio voltaram a entrarem greve. Umaparalisação-relâmpago já tinha sido feita na véspera.

O mais constrangedor é que a greve no Mineirão se soma à paralisação que dura mais de duas semanas no Maracanã, o palco principal do Mundial, e aumenta a pressão sobre os organizadores para concluir as obras exigidas para a competição, que estão atrasadas e já foram alvo de duras críticas da Fifa.

O ministro do Esporte, Orlando Silva, quer fazer comemorações, mas na realidade o cronograma das obras está cheio de problemas. Os estádios particulares que não terão recursos do BNDES, por exemplo, viraram o novo desafio. Em Curitiba, as obras na Arena da Baixada nem começaram.Em Porto Alegre, estão paradas.

No caso do Maracanã, que será palco da final da Copa, o problema é que a reforma precisa estar pronta em dezembro de 2012 para receber a Copa das Confederações em 2013. O custo do projeto, aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), começou em R$ 300 milhões e está em quase R$ 860 milhões, porque não foram providenciadas plantas detalhadas da reforma, acredite se quiser. Fizeram apenas 37 plantas das intervenções necessárias, enquanto em Minas o projeto do Mineirão incluiu 1.309 plantas.

Três cidades já estão fora da Copa das Confederações porque não entregarão estádios: Manaus, São Paulo e Natal. No caso do Maracanã, a coisa está se complicando.

 “Cada etapa do projeto tem uma folga. A nossa está diminuindo. Ainda conseguimos manter prazo e custo. Já vamos elevar o número de operários a 3.500 (eram 2.200) e usar métodos como a concretagem em pré-moldado, que dá velocidade – disse Ícaro Moreno, presidente da Empresa de Obras Públicas (Emop). – Se a greve passar da outra semana, aí fica mais grave. Teremos que usar outras tecnologias para manter o prazo, o que pode elevar o custo.

Elevar o custo? De novo? É aí que mora o perigo. Na Itália, o novo estádio da Juventus de Turim foi inaugurado no último dia 8, com capacidade para 41 mil pessoas. O estádio foi construído no lugar do Delle Alpi, demolido em 2008, e custou apenas € 120 milhões (cerca de R$ 276 milhões). Ou seja, custou um terço do valor da reforma do Maracanã.

“Que país é este?”, perguntaria Francelino Pereira. Ora, está na  cara que é o país da corrupção. Alguém tem dúvida?

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