PDMB faz jogo duplo e vai garantir aprovação do impeachment

Carlos Newton

Quase todos os defensores do impeachment se desesperaram com a atitude do PMDB, que decidiu apoiar no Congresso a confirmação dos vetos da presidente Dilma a projetos de aumento de despesas, como a extinção do fator previdenciário, além de aceitar os novos ministérios e até votar a favor da CPMF. Com isso, ficou parecendo que o PMDB tinha voltado a apoiar Dilma Rousseff de forma incondicional e abandonado a possibilidade de impeachment, vendendo-se, portanto, por 30 dinheiros, no estilo de Iscariotes.

Como se sabe, as aparências costumam nos enganar. É fenômeno comum na política, a arte do cinismo, exercido à máxima potência nesta fase que o Brasil atravessa, de completa desmoralização do governo e dos partidos em geral.

Nesse clima, não deveria causar surpresa o fato de o PMDB se equilibrar na corda bamba, apoiando o governo às claras e conspirando contra ele nos bastidores, porque é exatamente isso que está acontecendo. Ao ajudar a manter os vetos de Dilma e aprovar o ajuste fiscal, o PMDB está apenas facilitando a tarefa de seu governo futuro.

Não existe um compromisso formal de o PMDB apoiar Dilma e o PT per secula seculorum, como se dizia no Latim vulgar. Na hora da verdade, quando o impeachment entrar em votação, a decisão será de cada parlamentar, individualmente, não importa o partido.

SEM DESÂNIMO

Não deve haver motívos para desânimo. O impeachment da presidente Dilma Rousseff é só uma questão de tempo, porque já existe apoio suficiente na Câmara para iniciar o processo, de acordo com a jogada do presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que vai obedecer a Lula e rejeitar o pedido dos juristas Helio Bicudo e Miguel Reale Jr. Com isso, a decisão ficará para plenário, com a abertura do processo então dependendo apenas de 257 votos.

Na última contagem feita pelos líderes oposicionistas, antes de lançarem na internet o Movimento Pró-Impeachment, para colher assinatura de eleitores, já havia 286 deputados a favor e este número continua a aumentar, devido ao agravamento da crise econômica e política.

Reportagem de Daniel Carvalho no Estadão assinala que os líderes oposicionistas não divulgam mais estimativas, mas acreditam que na antiga base aliada do governo, já haja uma média de 20% de deputados anti-Dilma, sem falar no que ocorre no PMDB e no PDT, dois falsos aliados.

INDECISOS

Como o próprio Lula já percebeu, há um número enorme de indecisos, que na maioria acabarão por se posicionar a favor do impeachment, assim que o processo for aberto e voltar a haver a pressão das manifestações de rua. Por isso, há alguns dias Lula pediu pessoalmente a Cunha que não aprovasse o pedido. Mas a situação é irreversível. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, já avisavam Ferreira Gullar e Oduvaldo Viana Filho nos idos de 1966.

A votação será nominal e aberta, transmitida ao vivo por todas as televisões, e já parece praticamente impossível manter os 260 votos capazes de salvar o mandato de Dilma Rousseff, pois a crise econômica e política só tende a se agravar. E o povo então vai sair às ruas para comemorar, desmoralizando o exército de João Pedro Stédile, que não está com essa bola toda.

12 thoughts on “PDMB faz jogo duplo e vai garantir aprovação do impeachment

    • Se isso fosse realidade, os deputados do Califado não estariam esperneando…

      Em nome do PT e do PCdoB, o deputado Wadih Damous (PT-RJ) apresentou nesta quinta-feira, 23, uma questão de ordem sobre o questionamento em relação ao rito de um eventual processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff que havia sido apresentado pela oposição na semana passada e cuja resposta do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi lida no início da sessão de hoje.

      Inicialmente, os governistas pretendiam apresentar uma consulta e levar a discussão para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde ganhariam mais tempo para recompor a base, já que a tramitação seria mais lenta.

      “A Comissão de Constituição e Justiça deve reformar a decisão do presidente da Casa em diversos pontos, como quanto à possibilidade de emendamento de pedidos de impeachment”, disse Damous.

      No entanto, Cunha acatou o recurso como questão de ordem, assumindo assim a condução do processo, já que cabe a ele responder aos questionamentos quando bem entender. Segundo um parlamentar da base governista, o presidente da Câmara fez acordo com o PT sinalizando que não vai se manifestar sobre nenhum dos 13 pedidos de impeachment protocolados na Casa enquanto não responder a nova questão de ordem.

      Na questão de ordem, PT e PCdoB questionam seis pontos. Alegam que, para serem apreciados como questão de ordem, os questionamentos da oposição deveriam constar da Ordem do Dia, ou seja, deveriam estar na pauta da sessão em que foram apresentados. Eles também questionam o fato de Cunha ter utilizado o Regimento Interno da Casa em vez de se ater à Lei 1079/50, que define crimes de responsabilidade.

      Cunha avaliou que os questionamentos feitos pelos governistas são apenas políticos. “São questões meramente de natureza política. Não vi ali natureza regimental. O rito já está mais ou menos definido”, afirmou Cunha.

      Aliados do governo criticaram o acordo feito com o PT. “Deveria ter banalizado e levado o debate para a política. Essa consulta não deveria ter sido feita. O PT, ao fazer esta consulta, admitiu o debate do impeachment no plenário”, afirmou o vice-líder do governo, Sílvio Costa (PSC-PE).

      “O acordo firmado entre o PT e o presidente da Câmara foi um erro político. Deveríamos ter encaminhado recurso para que a CCJ discutisse essa matéria e deveríamos ter votado um efeito suspensivo para impedir que este manual do impeachment apresentado na declaração do presidente fosse transformado em regra”, disse o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).

      Segundo Silva, o PCdoB estuda entrar com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal por entender que o rito apresentado por Cunha pode violar o que está determinado na Constituição.

      Para o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), está armada agora uma “batalha regimental”. “A questão central é que o presidente acolheu nossa questão de ordem como acolheu semana passada a da oposição. Ele tem tempo para responder. Estamos iniciando o debate regimental por enquanto”, afirmou Guimarães. (AE)

  1. informando, conforme O Dia on Line: o deputado federal Molon, mais votado nas últimas eleições pelo PT-RJ, com 87 mil votos, desfiliou-se; vai para a Rede, com Marina (desculpem o duplo sentido). Outro que vai é o Miro Teixeira, que deve se candidatar a prefeito em 2016; outro o vereador Jeferson, deixa o PSOL e vai para o Sustentabilidade.

    Ano que vem, começa um novo quadro político no Brasil, a meu ver, mas ainda com muito políticos famosos que, aos poucos serão deixados de lado. A tendência dos eleitores é votar nos completamente desconhecidos ou quase.

  2. “Assumindo, e acima de tudo, corrigindo erros…”
    Quando Temer falou esta frase final, ontem no programa do PMDB, ficou claro que o impeachment vem aí. As raposas não vão dar sopa para o azar e esperarem a economia piorar mais e, talvez, o TCU propiciar a anulação da chapa dilma-Temer por causa das pedaladas. É melhor pegar o governo agora e, com isso, jogar para longe esta possibilidade, pois o clima pós impeachment com governo novo inviabiliza este caminho.
    Nem precisa desenhar, o amigo da onça já desenhou.

      • Grato, é que ontem não li. Agora vai uma parte do programa do PMDB ,
        “E frases outras vão sendo ditas, ora pela locutora, ora por lideranças do PMDB, numa jogral. O alvo de sempre é o governo Dilma:
        – “O Brasil não pode viver de promessas” (locutora);
        – “Temos de saber qual é a proposta concreta para sair da crise. O Brasil precisa dessa direção” (Marquinho Mendes, deputado federal-RJ);
        – “Um Brasil que se dizia tão gentil com seus filhos, de repente, resolve cobrar a conta. Isso dói” (locutora);
        – “Não dá para manter o país desacreditado, e os brasileiros pagando a conta” (Fernando Jordão, deputado federal-RJ);
        – “A solução não está na criação de mais impostos para tapar buracos no Orçamento” (Lúcio Vieira Lima, deputado federal-BA);
        – “o Brasil e seus filhos querem ser abraçados” (locutora);
        – “Temos toda a capacidade de retomar o caminho do crescimento e não vamos decepcionar” (João Arruda, deputado federal-PR);
        – “E eu posso garantir que existe muita gente capaz e pronta para entregar o Brasil que foi prometido a você” (Raul Henry, vice-governador de Pernambuco);
        – “Estamos descobrindo um novo Brasil; um Brasil que não se cala diante dos erros” (locutora);
        – “O Brasil quer mudar. O Brasil deve mudar. O Brasil vai mudar” (locutora);
        – “O Brasil quer e vai avançar” (locutora).

        E, então, Michel Temer volta para encerrar o programa. A fala é eloquente:
        “Quero lembrar que os mesmos motivos que geram uma crise e trazem desencanto também servem para darmos exemplo de responsabilidade e de trabalho. Assumindo e, acima de tudo, corrigindo erros, mostraremos a todos que somos um país confiável”.

        Isso parece ser o norte moral de um governo, não é mesmo? Falta alguém com experiência para tocá-lo e que não se assuste com facilidade. Será que o PMDB pensa em alguém?

        Temer, então, diz:
        “Na minha trajetória, como cidadão e homem público, já vi e convivi com situações bem mais difíceis do que a que enfrentamos agora. Não tenho dúvida de que seremos capazes de superar esse momento (…) Tenho a clara certeza de que vamos vencer essa batalha. (…) Boa noite e dias melhores para todos nós”.

        A figura do vice, que ocupa, então, a tela se multiplica em dezenas e dá lugar ao logo do partido. Um locutor, em off, põe um ponto final: “PMDB! É hora de reunificar os sonhos”.

  3. Carlos Newton manifestou sua opinião de forma excelente, neste artigo. Penso de forma bastante semelhante. Portanto o caminho para o impeachment está sendo pavimentado, na velocidade adequada, e com os materiais e técnicas mais corretos.

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